Sexta-feira, 12 de maio de 2023 - 10h29

A decisão inclui magistradas e servidoras gestantes e lactantes do Tribunal, como destinatárias das condições especiais de trabalho, sem prejuízo para a administração pública.
No mês em que se comemora o dia das mães, uma decisão recente que representa
qualidade de vida profissional, também é comemorada pelas servidoras e
magistradas gestantes ou lactantes do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª
Região, que abrange os estados de Rondônia e Acre. A partir de agora, elas
estão incluídas como destinatárias das condições especiais de trabalho. A
Resolução Administrativa n. 056/2023, proposta pelo presidente do Regional,
desembargador Osmar J. Barneze, foi aprovada pelo Tribunal Pleno, e passou a
valer a partir da data da publicação no Diário Eletrônico da Justiça do
Trabalho (DEJT) no último dia 27.
A nova norma altera a anterior de n. 092/2020, que instituiu as condições
especiais de trabalho dos magistrados(as) e servidores(as) com deficiência,
necessidades especiais ou doença grave, bem como os que tenham filhos(as) ou
dependentes legais na mesma condição, no âmbito do regional.
A decisão do Tribunal Pleno, levou em consideração: atualizações previstas na
Resolução n. 481, de 22/11/2022, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
políticas de equidade de gênero, de raça e diversidade e socioambiental no
âmbito do TRT-14; e determinações da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que
bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de
idade e que, mesmo após a introdução dos primeiros alimentos, sigam sendo
amamentados até, pelo menos, atingirem dois anos de idade, entre outros
fatores. A votação contou com a manifestação favorável do procurador-chefe da
Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região, Carlos Alberto Lopes, que
acompanhou a sessão.
A condição especial de trabalho poderá ser solicitada por servidora ou
magistrada gestante ou lactante, por meio de requerimento, diretamente à autoridade
competente do tribunal, sem prejuízo da remuneração.
Sob condição especial de trabalho, pode a magistratura ou servidora ser posta,
por exemplo, em regime de teletrabalho, o que se dá sem prejuízo para a
administração pública, e evidência perfeita harmonização do interesse público
com as necessidades especiais das gestantes e lactantes.
Para as mães e futuras mamães do regional, a medida vem como um avanço,
demonstrando como o ambiente de trabalho precisa se adaptar para lidar com
mulheres em um momento tão importante, como a gestação e a amamentação.
A juíza Fernanda Simões, mãe do pequeno Luquinhas de oito meses, lembra que o
nascimento de um filho é, um dos acontecimentos mais marcantes da vida de uma
mulher. Para a magistrada, na mesma proporção do amor, vem o peso da
responsabilidade de cuidar de uma vida, que surge desde que a gravidez é
descoberta.
A juíza destaca ainda os desafios enfrentados depois do nascimento de um filho,
a amamentação, logo após, a licença de volta ao trabalho.
“É por isso que a decisão do tribunal em garantir o teletrabalho para as
gestantes e lactantes está sendo tão comemorada entre todas nós: é alento para
mães que já precisam superar tantos obstáculos e de vital importância para a
saúde do bebê. É garantia de saúde na gestação e de alimentação para os
lactentes. É humanidade na sua forma mais bonita, cuidando das mães e do futuro
do nosso país, que é construído por cada criança que aqui chega. Além disso,
nosso tribunal ainda foi vanguarda em presumir o período de amamentação, já em
consonância com as recomendações da OMS, sem esquecer que, por recomendações
médicas, muitas mães prolongam esse período. Enfim, uma decisão para ser
aplaudida e divulgada”, analisou a juíza.
Arianne Bispo Bodnar, servidora do TRT-14, deu à luz a seu filho Laércio
a menos de um mês. Ela também comemora a condição especial de trabalho.
“Fico muito feliz por poder acompanhar e me dedicar ao desenvolvimento e
criação do meu filho. É maravilhoso poder aprumá-lo como futuro cidadão através
dos cuidados diretamente devotados por mim, sua mãe”.
Arianne falou ainda da importância da decisão do TRT-14, que gera qualidade de
vida profissional.
“Esta iniciativa do TRT-14 é louvável. Seguirei cumpridora de metas, porém
neste momento tão importante para mim e para o meu filho, será na tranquilidade
do meu lar. Oportunidade que refletirá no desempenho aprimorado do serviço,
cujo efeito finalístico culmina na excelência da entrega da prestação
jurisdicional a toda a sociedade. Sem dúvida, um grande presente a todas nós
mamães.”
Sonelene Gisele Dias Loura, teve seu bebe há 20 dias. Ela ainda está sentindo
as mudanças físicas, fisiológicas e emocionais, provocadas durante e depois da
gestação.
“São muitas as mudanças e desconfortos peculiares da condição. Por isso, o que
for possível para facilitar o trabalho da mulher neste período é muito
bem-vindo. O aleitamento materno é um dos mais importantes processos:
necessário, lindo, mas também delicado, que requer paciência, disponibilidade,
tempo. Condições especiais de trabalho para as lactantes é um grande incentivo
à continuidade da amamentação".
Amamentação, sinônimo de atenção e cuidado
O leite materno é rico em nutrientes e anticorpos que ajudam a proteger o bebê
contra doenças e infecções, reduz os casos de diarreia, alergias, diabetes,
hipertensão e colesterol, entre outros benefícios.
Segundo a OMS, crianças amamentadas no peito apresentam melhor desenvolvimento
cognitivo e são mais inteligentes. Além disso, a amamentação fortalece o vínculo
entre mãe e filho, que é fundamental para a formação de indivíduos mais
seguros, confiantes e felizes.
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