Quarta-feira, 24 de junho de 2026 - 13h19

O Ministério Público
do Estado de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate
ao Crime Organizado (GAECO), obteve sentença condenatória em ação penal
decorrente da Operação “Soldados da Usura”, deflagrada fevereiro de 2025 tendo
como alvo uma organização criminosa voltada à prática de empréstimos ilegais,
cobrança de juros abusivos, extorsões, lavagem de dinheiro, falsidades
ideológicas, estelionatos e outros delitos correlatos.
A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Porto Velho
e reconheceu a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de
tarefas e atuação coordenada para obtenção de vantagens econômicas ilícitas.
As investigações conduzidas pelo GAECO identificaram que o grupo atuava
em Rondônia e Mato Grosso, realizando empréstimos com taxas de juros muito
superiores às praticadas no mercado e promovendo cobranças mediante violência,
grave ameaça e intimidação. Segundo a sentença, as vítimas eram submetidas a
constrangimentos e pressões ilegais para pagamento das dívidas, muitas vezes
potencializados pela participação de integrantes que se valiam da condição de
agentes públicos (policiais militares) para aumentar o temor das vítimas.
A sentença resultou na condenação de diversos integrantes da organização
criminosa pelos crimes de organização criminosa, usura, extorsão, falsidade
ideológica e coação no curso do processo, conforme a participação
individual comprovada durante a instrução processual.
Entre as condenações impostas, destacam-se penas que alcançaram mais de
21 anos de reclusão em regime inicial fechado, além de outras condenações
superiores a 17, 15 e 14 anos de reclusão, evidenciando a gravidade das
condutas praticadas e a extensão dos danos causados às vítimas.
A sentença também reconheceu os prejuízos suportados pelas vítimas e
fixou medidas reparatórias. Além da reparação mínima dos danos decorrentes dos
crimes, foi estabelecida indenização por dano moral coletivo no valor de R$
100 mil, quantia destinada ao Fundo de Reconstituição de Bens Lesados
(FRBL), em razão da gravidade das infrações, do elevado número de vítimas e da
repercussão social dos fatos.
Em relação aos agentes públicos envolvidos, o Juízo decretou a perda
dos cargos públicos de 3 (três) policiais militares em razão da
realização das cobranças das dívidas de forma violenta, inclusive fazendo o uso
ostensivo de armas de fogo para ameaçá-las, configurando uma quebra irreparável
do dever de probidade, lealdade, decoro e agredindo frontalmente a honra e a
moralidade da Polícia Militar perante a sociedade.
Decretou-se, ainda, o perdimento dos bens vinculados às
atividades ilícitas da organização criminosa, por serem provenientes dos crimes
apurados, bem como a destruição das notas promissórias apreendidas durante
as investigações, por constituírem instrumentos diretamente relacionados à
prática dos delitos de usura e extorsão.
A Operação “Soldados da Usura”
foi deflagrada no dia 7 de fevereiro de 2025 em seis
Estados da Federação, pelo Ministério Público do Estado de Rondônia, por meio
do GAECO, com apoio da Polícia Militar do Estado de Rondônia (PMRO), da Polícia
Civil do Estado de Rondônia (PCRO), da Polícia Técnico-Científica (Politec), da
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia
(Sedam), da Gerência de Aviação de Estado (Gave/Sesdec), dos Ministérios
Públicos dos Estados Mato Grosso (MPMT), Mato Grosso do Sul (MPMS), Acre (MPAC)
e Polícias Civis dos Estados de São Paulo (PCSP) e Goiás (PCGO).
Link: https://www.mpro.mp.br/pages/comunicacao/noticias/view-noticias/1500852
Com a sentença, o Ministério Público de Rondônia reafirma seu
compromisso com o enfrentamento qualificado à criminalidade organizada, a
defesa da ordem jurídica, a proteção das vítimas e a responsabilização de todos
aqueles que se valem de estruturas criminosas para obtenção de vantagens ilícitas
em prejuízo da sociedade.
Quarta-feira, 24 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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