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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Persona non grata XV


Persona non grata XV - Gente de Opinião

Bagé, RS, 012.06.2026

 

Termo de Depoimento do Sr. Cel Eng Zauri Tiaraju Ferreira de Castro

 

No dia 30 de agosto de 2022, às 16h09 (Horário de

Brasília), em audiência virtual realizada por intermédio da plataforma Teams, tendo como objetivo compor o laudo pericial antropológico do Assistente Técnico da União, nos autos da Ação Civil Pública – WaimiriAtroari, n° 1001605-06.2017.4.01.3200, inicio a inquirição do Sr. Zauri Tiaraju Ferreira de Castro.

 

O Sr. poderia informar o seu nome completo: Zauri Tiaraju Ferreira de Castro; identidade: 017.183.301-5 – emitida pelo EB/MD; CPF: n° 224.258.027-20; patente: Coronel; estado civil: divorciado; natural de Caçapava do Sul, RS; filiação: Alvin Rodrigues de Castro, Eli Ferreira de Castro; sua residência: Av. Santos Dumont, n° 864, Vila Pinheiro, Caçapava do Sul, RS.

 

Vamos então às perguntas:

 

Pergunta: o Sr. serviu [trabalhou ou prestou serviço] no 6° Batalhão de Engenharia de Construção [6° BEC] em que período?

 

Resposta: eu servi por duas vezes no 6° BEC; de maio de 1974 a agosto de 1975 e depois, novamente, de 1978 a 1980.

 

Pergunta: o Sr. participou da construção da BR-174, caso positivo qual sua função e em que período?

 

Resposta: eu participei neste primeiro período que servi no 6° BEC destacado no Acampamento de Santa Cruz, e depois fui o primeiro morador, primeiro habitante com esposa, no acampamento do Santo Antônio do Abonari ali desempenhei funções administrativas tais quais supervisor e coordenador do rancho, do Classe I, da alimentação do pessoal, do controle e administração do pessoal civil, de chefe da carpintaria, um administrativo inicial geral de um acampamento do Abonari. E nas férias de alguns companheiros da linha de frente eu substituí, por exemplo, o Tenente Mazoti quando entrou em férias, ele era o chefe da equipe de terraplenagem, então estive à frente da equipe de terraplenagem.

 

Pergunta: o Sr. tomou conhecimento, na época, dos massacres perpetrados pelos Waimiri-Atroari ao Posto Alalaú II [no dia 01.10.1974], à turma de desmatamento – os maranhenses [no dia 18.11.1974], e ao Posto Abonarí II [no dia 29.12.1974]?

 

Resposta: o primeiro massacre, o massacre do Alalaú, eu me encontrava na sede do destacamento em Abonari e sei desse massacre pela participação administrativa que nós tivemos, porque foram massacrados funcionários da empresa terceirizada que ia realizar um trecho de desmatamento manual e houve um sobrevivente que eu conheci e conversei com esse sobrevivente pessoalmente e ele contou como é que se deu esse massacre lá do Alalaú. Houve dois no Alalaú, na verdade, um às margens de uma balsa que tinha lá em que alguns funcionários da FUNAI escaparam, nadando no rio Alalaú e houve outro, mais adiante, que é esse que eu me referi anteriormente.

 

O do Santo do Abonari eu fui testemunha ocular e mais que testemunha ocular eu participei das ações que vieram a desencadear e desembocar neste massacre, eu fui o oficial responsável pela administração e guarda do acampamento, no final de dezembro de 1974, por ocasião da dispensa do pessoal civil e militar em função das festas de final de ano. Como muita gente tinha a família longe em outros estados foi dada uma larga dispensa para esse pessoal eu fui voluntário para permanecer no acampamento porque logo depois quando o pessoal que estava todo fora retornasse eu entraria em férias, então fui voluntário para permanecer no acampamento, fiquei eu a minha esposa o 3° Sargento Goulart de engenharia e me parece que 13 militares e alguns civis, nós completávamos um efetivo em torno de 20 pessoas nesse acampamento num dia que eu não sei a data exatamente, na parte da tarde, 5 índios Atroari apareceram no nosso acampamento e o Sargento Goulart, que tinha uma compleição física – um pouco gordinho – assim como a gente fala na caserna, chegou na minha casa que ficava a uns 300 m do acampamento bufando, assustado porque os índios tinham chegado ao acampamento.

 

Imediatamente botei a farda e me dirigi para o acampamento e lá encontrei os índios comendo algumas bolachas, tomando suco, curiosos observando as instalações do acampamento, a minha mulher que ficou nervosa porque eu ia entrar em contato com os índios vestiu uma farda botou um chapéu Bandeirante e foi até o acampamento e quando ela chegou lá vestida de soldado os índios a identificaram como mulher e a chamaram Maria foi nessa hora que foi realizada uma troca, eles manifestaram o desejo de ofertar a ela um passarinho que estava preso numa gaiola feita de cipó e embira e ela como não tinha um presente ali para dar na hora conseguiu uma marmita dessas de metal, dessas que o gaúcho chama de vianda, uma marmitinha dessas e deu em troca para o índio.

 

Conversamos um pouco ali tentamos explicar algumas coisas para os índios e um índio foi na minha casa pegar esta marmitinha, acompanhado de alguns soldados, foi a pé assim uns 300 m buscar a marmitinha trocada pelo passarinho e eu convidei os índios, mandei que colocassem umas latinhas vazias de goiabada a uns 20 m de distância, pedi para o Soldado de guarda que me emprestasse o mosquefal dele, mosquefal, você sabe não é Hiram, aquelas armas antigas do mosquetão adaptado.

 

Dei uns tiros pessoalmente e atirei naquelas latinhas, acertei e os índios imediatamente sentiram vontade e também atiraram de flecha, duas ou três flechadas e também acertaram as latas. Depois daquilo, eles retornaram para o acampamento do Abonari.

 

Foi contatado, pelo Posto da FUNAI, o Gilberto Pinto em Manaus, eu não me lembro se ele veio no outro dia de manhã de avião, me parece que sim, e foi combinada a vinda do Capitão, Bonilha que era Chefe da Seção Técnica em Boa Vista, também veio para o acampamento, porque foi um fato inusitado – os índios apareceram no acampamento do Exército –, foi um comentário muito grande, uma rebordosa e combinaram que no outro dia nós faríamos uma visita à estrada acompanhados pelo Gilberto Pinto e pelo Capitão Bonilha e que os índios passeariam pelo trecho da estrada na boleia de um caminhão do 6°BEC, parando de vez em quando e assim o fizemos.

 

Eu estava na carroceria junto com mais ou menos vinte índios, eles muitas vezes desejaram parar onde tinha um bueiro ARMCO ([1]) para gritar na boca do bueiro, desciam e gritavam na boca do bueiro para escutar o eco, eles gostavam muito escutar o eco dos seus gritos e nós tínhamos a missão do Gilberto Pinto de dizer a eles que o “Caminzão”, a estrada era nossa, era do Exército, dos brasileiros, não era deles, mas que o restante permanecia deles, a estrada, as casas, mas eu tenho certeza de que eles não entenderam porque eles não entendiam como eu li no livro onde tem várias situações que conversaram com os índios, é impossível conversar com aqueles índios naquela época.

 

Os índios não entendiam português só entendiam “marébom”, “marupámau” e “Maria” e pouco mais do que isso, não existe diálogo – foi explicado para os índios, os índios não conversaram com ninguém, nunca conversaram com ninguém, os índios não entendiam o português. Se nós repetíamos uma frase, pronunciamos uma frase para eles – “vamos passear de caminhão”, eles respondiam – “vamos passear de caminhão”, eles não entendiam o significado das palavras.

 

Passeamos e ao voltar deixamos os índios na margem do Abonari, na altura da ponte, cujo Posto da FUNAI ficava a uns 3 km a jusante, rio abaixo, e nós retornamos para o acampamento e isso já era parte da tarde do segundo dia da visita dos índios. O Gilberto Pinto permaneceu no acampamento com esses índios e eu voltei tranquilo, o Capitão foi embora para Boa Vista, retornou o Capitão Bonilha e eu fiquei tranquilo ali.

 

No outro dia, às seis e pouco da manhã, chegou à minha casa outra vez o Sargento acompanhado de um índio que eu não sabia, na época, mas hoje eu sei que era o Ivan, o sobrevivente do massacre, apavorado, dizendo inclusive – mataram todo mundo, mataram todo mundo, não conseguia falar. Eu lembro que dei-lhe meio copo de Whisky puro, ele estava em estado de choque. Ele era um índio aculturado, este sobrevivente tinha andado uns 3 km, atravessado a nado o rio Abonari, corrido uns 3 km até a ponte e cerca de mais seis até o nosso acampamento, então esse foi o trajeto que ele fez, ele estava esbaforido, muito cansado

 

E eu comuniquei, de novo, a sede, em Boa Vista, que tinha havido um massacre, imediatamente o Capitão Bonilha retornou para o nosso acampamento, retiraram as mulheres que havia no acampamento, a minha esposa e a esposa do Tenente Eduardo que tinha ficado de férias no acampamento, não ia viajar não estava de serviço, mas permanecera no acampamento numa das casas da Vila Militar, vamos dizer assim, levaram essas senhoras para Manaus no avião que Capitão tinha vindo de Boa Vista.

 

Decidiu o Capitão que nós devíamos fazer uma patrulha para ir até o Posto do Abonari verificar o que realmente tinha acontecido e aí fizemos uma patrulha de 10 elementos a pé, mata adentro, na diagonal desse triângulo Posto – Ponte – Acampamento, diferente do que consta do livro ([2]) nós não fomos de canoas, nós fomos a pé dentro do mato, inclusive temerosos e bem protegidos uns pelos outros com cobertura, porque nós temíamos que os índios pudessem tentar nos atacar.

 

Na entrada, onde havia o Posto da FUNAI, havia uma clareira de, mais ou menos, uns 50 m de raio, a casa ficava na beira do rio e quando nós saímos da mata e ingressamos nessa parte desmatada já encontramos o primeiro funcionário da FUNAI morto com muitas flechadas no peito e muito machucado.

 

O Capitão Bonilha, num ato de coragem, ordenou a mim que permanecesse com meus homens no mato e que ele sozinho entraria no posto da FUNAI e que se dentro de 3 minutos ele não retornasse eu deveria avançar com os homens porque teria havido alguma coisa mais grave.

 

Depois de algum tempo, que não chegou há 3 minutos, o Capitão apareceu na janela da casa e fez sinal para que nós avançássemos quando chegamos dentro da casa encontramos outro funcionário da FUNAI morto e logo abaixo da casa, uns 15 ou 20 m, quando muito, tinha o que eles chamam de casa de farinha, onde eles ralam a mandioca para fazer farinha e ali se encontrava o Sertanista Gilberto Pinto de bruços com três flechadas nas costas e cujas flechas apontavam o abdômen, duas pelo menos apontavam como querendo atravessar, mas não conseguiram atravessar.

 

Decidimos, então, que faríamos algumas buscas porque faltava ainda um funcionário da FUNAI, avistamos no entorno pedaços de arma, pedaços de rádio, garrafas de Fanta no chão e não havia rastro de índio nenhum e as canoas da FUNAI, que eram motorizadas não se encontravam mais na margem do rio.

 

Segundo o sobrevivente, de manhã o Gilberto desconfiou que os índios estivessem tramando algum ataque e mandou que ele esvaziasse as canoas com uma latinha, porque tinha um pouco de água dentro das canoas para levar logo esses índios embora, porque ia levar rio acima os índios com as canoas, eram 27 índios ao todo, iam transportar os índios com as canoas da FUNAI.

 

Neste momento ele disse que estava com um olho nos índios e outro olho na água da canoa e quando ele tirando a água da canoa olhou para os índios, um índio daqueles puxou a flecha, distendeu o arco para atingi-lo e nesse momento ele mergulhou na água do rio e atravessou e foi me avisar. Ainda tinha uma flecha dentro do Rio, cravada no pau de uma árvore caída, um pau meio podre dentro d’água, ainda tinha uma flecha cravada aí.

 

Nós decidimos transportar o corpo do Gilberto Pinto e dos outros dois em padiolas, botamos o corpo numa rede e amarramos as duas pontas da rede numa vara e cada um botava a ponta da vara no ombro para transportar. Não foi possível porque o corpo é muito difícil de transportar, fica muito pesado. Resolvemos, então, construir algo com as canoas que tinham lá. As que tinham sobrado, as dos índios e acho que uma da FUNAI, se não me engano, construímos balsas com as portas da casa e transportamos esses corpos para a região da ponte do Abonari. Terminamos este transporte à noite, então outra mentira ([3]), o Gilberto não chegou a Manaus no mesmo dia da sua morte, ele só chegou a Manaus no outro dia e acredito que tenha sido de avião, mas não tenho certeza absoluta. Eu cortei as hastes das flechas que estavam perfurando o corpo do Gilberto porque elas não saiam, tem fisgas, ficam trancadas dentro do corpo e eu acredito que em Manaus tenham tirado essas flechas, lá na autópsia devem ter extraído essas flechas do corpo do Gilberto Pinto. Eu tinha 24 fotos desta epopeia tiradas com a máquina Olympus Trip que foram requisitadas pelo pessoal do Batalhão e do Grupamento e nunca mais vi essas fotos.

 

No outro dia veio mais gente de Boa Vista e fizeram outra patrulha em que eu não participei e encontraram um quarto morto, uma quarta pessoa morta, com um cartucho detonado, eu acredito que tenha sido único tiro que foi dado naquela epopeia, o tiroteio que o pessoal disse que ouviu deve ter sido de um tiro de um funcionário da FUNAI que abateu um índio e esse funcionário tinha 11 flechas cravadas nas costas ([4]). É essa a epopeia.

 

Pergunta: ele certamente tinha acertado alguém?

 

Resposta: é ele matou um índio entrincheirado num tronco caído. Ele correu se escondeu atrás daquele tronco e os índios atacaram ele pela frente e ele matou um índio e os outros foram por trás e deram 11 flechadas nas costas dele.

 

Pergunta: o Sr. pode apontar quais foram as alterações na rotina dos trabalhadores do 6° BEC após a chegada do 1° BIS?

 

Resposta: as alterações foram muitas e atrapalhavam e prejudicavam o serviço de construção da BR-174 porque principalmente os funcionários civis, nós tínhamos cerca de 400 funcionários, principalmente os funcionários civis do 6°BEC. Deste tempo em diante, que lá permaneci, eles temiam se deslocar sozinhos, por exemplo, um mecânico que ia concertar uma máquina, um eletricista, um funcionário, um lubrificador, um operador de máquina isolada, o patroleiro do revestimento, esse pessoal não queria patrolar sozinho eles tinham medo – esses índios vão me matar –, então era obrigado a ter em cada equipe dessas um ou dois soldados do 1°BIS armados acompanhando, houve um prejuízo muito grande na rotina e inclusive o serviço ficou paralisado por alguns meses.

 

Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade viu ou ouviu supostas rajadas de metralhadora ou a explosão de dinamite para afugentar os nativos? Caso positivo, presenciou ou apenas ouviu à distância ruídos que se assemelhavam a disparos e explosões, qual a frequência destes eventos, teve a oportunidade de identificar quem eram os autores dos mesmos?

 

Resposta: algum tiro houve, quando se desconfiava de algum movimento diferente, alguns tiros para o ar, mas nenhum tiro, por exemplo, pelo pessoal do 1°BIS, o pessoal do BIS tinha a munição mais ou menos contada e o cara que está no mato, vamos dizer assim, pronto para combater uma guerrilha, não vai querer gastar a munição dele à toa e arriscar ao ser atacado não ter mais munição e nós do Batalhão não tínhamos quase munição nenhuma, nós tínhamos um mosquefal velho e umas carabinas 7.65, se não me engano, ou 5.63, não me lembro mais do calibre, que aquilo era usado como uma bengala para algum deslocamento.

 

Alguns funcionários do Batalhão que já tinham prestado serviço militar foram transformados, também, em vigilantes e seguranças das nossas equipes. Houve algum tiro sim Hiram, mas não maciçamente e não em direção à mata, algum tiro de advertência, de alerta eu sei que houve.

 

Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade viu índios mortos serem transportados por caminhões do Exército?

 

Resposta: nunca. Nunca vi e nunca ouve índio morto de jeito nenhum, até porque não era interesse nosso matar os índios, nós sabíamos que se matássemos um os outros poderiam vir e não era nossa intenção e nem da nossa índole, a nossa preocupação era a construção da estrada e havia sempre um respeito muito grande pelas recomendações e da política da FUNAI.

 

Havia uma convivência muito boa entre nós, os executores das obras e o pessoal do Posto da FUNAI que não era diretivo e sim executor do serviço deles, nós, inclusive, apoiávamos esse pessoal constantemente. Nunca houve, de jeito nenhum.

 

Pergunta: o Sr. notou, neste período, o sobrevoo de alguma aeronave militar sobre a área, além dos aviões da FUNAI ou do 6°BEC?

 

Resposta: Não. Não nunca vi.

 

Pergunta: o Sr. sabe informar se a FUNAI, a partir de 1975, acompanhava os trabalhos de abertura das picadas pela equipe de topografia?

 

Resposta: eu sei por que eu vi o Sydney Possuelo e outro, que eu não me lembro, acompanharem por certo tempo a equipe da topografia, inclusive eles eram o pessoal mais avançado na picada da topografia da estrada.

 

Pergunta: o Sr. sabe informar se houve alguma iniciativa, por parte da FUNAI, para afastar os indígenas das frentes de trabalho?

 

Resposta: havia uma preocupação da FUNAI de não deixar os índios entrarem em contato com os trabalhadores da estrada, esta preocupação havia, porque os postos eram na altura das vias navegáveis que os índios tinham acesso e fora do eixo da estrada, havia esta proteção da FUNAI para que os índios não se misturassem com o pessoal da estrada.

 

Pergunta: o Sr. presenciou algum suposto ato hostil por parte dos trabalhadores em relação aos WA?

 

Resposta: nenhum, inclusive no tempo em que estive lá, o pessoal tinha certo medo dos índios, certo receio de enfrentar os índios. Porque a maioria do pessoal que ali trabalhavam eram maranhenses, pessoal nordestino, e esse pessoal tinha medo de enfrentar os índios, e mais, durante o tempo que permaneci lá houve um contato amistoso depois desse massacre bem na frente de serviço, senão me engano na equipe de desmatamento ou revestimento primário em que um ou dois índios embarcaram numa patrola (numa motoniveladora) e o operador da patrola quase morreu de medo, mas depois viu que não havia intenção de matá-lo e andou com os índios na patrola.

 

Pergunta: o Sr. poderia relatar qual a orientação dos comandantes das frentes de trabalho em relação aos Waimiri-Atroari?

 

Resposta: olha a orientação, para começar, o pessoal da frente de serviço não tinha segurança armada e passou a ter certa proteção depois que o 1°BIS apareceu e o pessoal do BIS que chegou lá muito precavido, muito pronto, logo em seguida foi se desmobilizando porque viram que os índios não apareciam nunca, então o cara ficava de guarda na periferia do desmatamento e não enxergava índio nenhum, os índios demoraram 5 ou 6 meses para aparecerem novamente. Então o nosso pessoal queria era distância dos índios, ninguém estava predisposto a exterminar o índio ou agredir os índios, de jeito nenhum nós queríamos era tocar a estrada e que eles não mais aparecessem.

 

Pergunta: o Sr. notou a presença de algum estrangeiro na área neste período?

 

Resposta: neste período eu acho que nós tivemos uns 2 ou 3 mochileiros que vinham a pé pela estrada, acho que pegando carona de Manaus, estávamos a 230 km de Manaus, então aparecia algum elemento querendo ir para a Venezuela, para o garimpo, atravessar a selva e esses eram desestimulados a fazer a travessia e mandados de volta para Manaus. Uns três casos, se não me engano.

 

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento às 16h39 (horário de Brasília)

 

Depoente: Cel Eng Zauri Tiaraju Ferreira de Castro

 

       _________________________________

Cel Eng Hiram Reis e Silva

(Assistente Técnico da União)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul (1989;

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2014);

Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx) (2015 a 2019);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS) (2006 a 2013);

Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS) (2014 a 2015);

 

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS) (2002 a 2013);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)



[1]   Bueiro tubular metálico. (Hiram Reis)

[2]   PORFÍRIO DE CARVALHO. Waimiri-Atroari A História que Ainda não foi

Contada – Brasil – Brasília, DF – Editado pelo autor, 1982.

[3]   PORFÍRIO DE CARVALHO. Waimiri-Atroari A História que Ainda não foi Contada – Brasil – Brasília, DF – Editado pelo autor, 1982.

[4]   Osvaldo de Souza Leal. (Hiram Reis e Silva)

Galeria de Imagens

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