Sexta-feira, 12 de junho de 2026 - 07h40

Bagé, RS, 012.06.2026
Termo
de Depoimento do Sr. Cel Eng Zauri Tiaraju Ferreira de Castro
No dia 30 de
agosto de 2022, às 16h09 (Horário de
Brasília),
em audiência virtual realizada por intermédio da plataforma Teams, tendo como
objetivo compor o laudo pericial antropológico do Assistente Técnico da União,
nos autos da Ação Civil Pública – WaimiriAtroari, n° 1001605-06.2017.4.01.3200,
inicio a inquirição do Sr. Zauri Tiaraju Ferreira de Castro.
O Sr.
poderia informar o seu nome completo: Zauri Tiaraju Ferreira de Castro;
identidade: 017.183.301-5 – emitida pelo EB/MD; CPF: n° 224.258.027-20;
patente: Coronel; estado civil: divorciado; natural de Caçapava do Sul, RS;
filiação: Alvin Rodrigues de Castro, Eli Ferreira de Castro; sua residência:
Av. Santos Dumont, n° 864, Vila Pinheiro, Caçapava do Sul, RS.
Vamos então
às perguntas:
Pergunta: o Sr. serviu [trabalhou ou
prestou serviço] no 6° Batalhão de Engenharia de Construção [6° BEC] em que
período?
Resposta: eu servi por duas vezes no 6°
BEC; de maio de 1974 a agosto de 1975 e depois, novamente, de 1978 a 1980.
Pergunta: o Sr. participou da
construção da BR-174, caso positivo qual sua função e em que período?
Resposta: eu participei neste primeiro
período que servi no 6° BEC destacado no Acampamento de Santa Cruz, e depois
fui o primeiro morador, primeiro habitante com esposa, no acampamento do Santo
Antônio do Abonari ali desempenhei funções administrativas tais quais
supervisor e coordenador do rancho, do Classe I, da alimentação do pessoal, do
controle e administração do pessoal civil, de chefe da carpintaria, um
administrativo inicial geral de um acampamento do Abonari. E nas férias de
alguns companheiros da linha de frente eu substituí, por exemplo, o Tenente
Mazoti quando entrou em férias, ele era o chefe da equipe de terraplenagem,
então estive à frente da equipe de terraplenagem.
Pergunta: o Sr. tomou conhecimento, na
época, dos massacres perpetrados pelos Waimiri-Atroari ao Posto Alalaú II [no
dia 01.10.1974], à turma de desmatamento – os maranhenses [no dia 18.11.1974],
e ao Posto Abonarí II [no dia 29.12.1974]?
Resposta: o primeiro massacre, o
massacre do Alalaú, eu me encontrava na sede do destacamento em Abonari e sei
desse massacre pela participação administrativa que nós tivemos, porque foram
massacrados funcionários da empresa terceirizada que ia realizar um trecho de
desmatamento manual e houve um sobrevivente que eu conheci e conversei com esse
sobrevivente pessoalmente e ele contou como é que se deu esse massacre lá do
Alalaú. Houve dois no Alalaú, na verdade, um às margens de uma balsa que tinha
lá em que alguns funcionários da FUNAI escaparam, nadando no rio Alalaú e houve
outro, mais adiante, que é esse que eu me referi anteriormente.
O do Santo do
Abonari eu fui testemunha ocular e mais que testemunha ocular eu participei das
ações que vieram a desencadear e desembocar neste massacre, eu fui o oficial
responsável pela administração e guarda do acampamento, no final de dezembro de
1974, por ocasião da dispensa do pessoal civil e militar em função das festas
de final de ano. Como muita gente tinha a família longe em outros estados foi
dada uma larga dispensa para esse pessoal eu fui voluntário para permanecer no
acampamento porque logo depois quando o pessoal que estava todo fora retornasse
eu entraria em férias, então fui voluntário para permanecer no acampamento,
fiquei eu a minha esposa o 3° Sargento Goulart de engenharia e me parece que 13
militares e alguns civis, nós completávamos um efetivo em torno de 20 pessoas
nesse acampamento num dia que eu não sei a data exatamente, na parte da tarde,
5 índios Atroari apareceram no nosso acampamento e o Sargento Goulart, que
tinha uma compleição física – um pouco gordinho – assim como a gente fala na
caserna, chegou na minha casa que ficava a uns 300 m do acampamento bufando,
assustado porque os índios tinham chegado ao acampamento.
Imediatamente
botei a farda e me dirigi para o acampamento e lá encontrei os índios comendo
algumas bolachas, tomando suco, curiosos observando as instalações do
acampamento, a minha mulher que ficou nervosa porque eu ia entrar em contato
com os índios vestiu uma farda botou um chapéu Bandeirante e foi até o
acampamento e quando ela chegou lá vestida de soldado os índios a identificaram
como mulher e a chamaram Maria foi nessa hora que foi realizada uma troca, eles
manifestaram o desejo de ofertar a ela um passarinho que estava preso numa
gaiola feita de cipó e embira e ela como não tinha um presente ali para dar na
hora conseguiu uma marmita dessas de metal, dessas que o gaúcho chama de
vianda, uma marmitinha dessas e deu em troca para o índio.
Conversamos um
pouco ali tentamos explicar algumas coisas para os índios e um índio foi na
minha casa pegar esta marmitinha, acompanhado de alguns soldados, foi a pé
assim uns 300 m buscar a marmitinha trocada pelo passarinho e eu convidei os
índios, mandei que colocassem umas latinhas vazias de goiabada a uns 20 m de
distância, pedi para o Soldado de guarda que me emprestasse o mosquefal dele, mosquefal,
você sabe não é Hiram, aquelas armas antigas do mosquetão adaptado.
Dei uns tiros
pessoalmente e atirei naquelas latinhas, acertei e os índios imediatamente
sentiram vontade e também atiraram de flecha, duas ou três flechadas e também
acertaram as latas. Depois daquilo, eles retornaram para o acampamento do
Abonari.
Foi contatado,
pelo Posto da FUNAI, o Gilberto Pinto em Manaus, eu não me lembro se ele veio
no outro dia de manhã de avião, me parece que sim, e foi combinada a vinda do
Capitão, Bonilha que era Chefe da Seção Técnica em Boa Vista, também veio para
o acampamento, porque foi um fato inusitado – os índios apareceram no
acampamento do Exército –, foi um comentário muito grande, uma rebordosa e
combinaram que no outro dia nós faríamos uma visita à estrada acompanhados pelo
Gilberto Pinto e pelo Capitão Bonilha e que os índios passeariam pelo trecho da
estrada na boleia de um caminhão do 6°BEC, parando de vez em quando e assim o
fizemos.
Eu estava na
carroceria junto com mais ou menos vinte índios, eles muitas vezes desejaram
parar onde tinha um bueiro ARMCO ([1]) para
gritar na boca do bueiro, desciam e gritavam na boca do bueiro para escutar o
eco, eles gostavam muito escutar o eco dos seus gritos e nós tínhamos a missão
do Gilberto Pinto de dizer a eles que o “Caminzão”, a estrada era nossa, era do
Exército, dos brasileiros, não era deles, mas que o restante permanecia deles,
a estrada, as casas, mas eu tenho certeza de que eles não entenderam porque
eles não entendiam como eu li no livro onde tem várias situações que
conversaram com os índios, é impossível conversar com aqueles índios naquela
época.
Os índios não
entendiam português só entendiam “maré
– bom”, “marupá – mau” e “Maria” e pouco mais do que isso, não
existe diálogo – foi explicado para os índios, os índios não conversaram com
ninguém, nunca conversaram com ninguém, os índios não entendiam o português. Se
nós repetíamos uma frase, pronunciamos uma frase para eles – “vamos passear de caminhão”, eles
respondiam – “vamos passear de caminhão”,
eles não entendiam o significado das palavras.
Passeamos e ao
voltar deixamos os índios na margem do Abonari, na altura da ponte, cujo Posto
da FUNAI ficava a uns 3 km a jusante, rio abaixo, e nós retornamos para o
acampamento e isso já era parte da tarde do segundo dia da visita dos índios. O
Gilberto Pinto permaneceu no acampamento com esses índios e eu voltei
tranquilo, o Capitão foi embora para Boa Vista, retornou o Capitão Bonilha e eu
fiquei tranquilo ali.
No outro dia, às
seis e pouco da manhã, chegou à minha casa outra vez o Sargento acompanhado de
um índio que eu não sabia, na época, mas hoje eu sei que era o Ivan, o
sobrevivente do massacre, apavorado, dizendo inclusive – mataram todo mundo,
mataram todo mundo, não conseguia falar. Eu lembro que dei-lhe meio copo de
Whisky puro, ele estava em estado de choque. Ele era um índio aculturado, este
sobrevivente tinha andado uns 3 km, atravessado a nado o rio Abonari, corrido
uns 3 km até a ponte e cerca de mais seis até o nosso acampamento, então esse
foi o trajeto que ele fez, ele estava esbaforido, muito cansado
E eu comuniquei,
de novo, a sede, em Boa Vista, que tinha havido um massacre, imediatamente o
Capitão Bonilha retornou para o nosso acampamento, retiraram as mulheres que
havia no acampamento, a minha esposa e a esposa do Tenente Eduardo que tinha
ficado de férias no acampamento, não ia viajar não estava de serviço, mas
permanecera no acampamento numa das casas da Vila Militar, vamos dizer assim,
levaram essas senhoras para Manaus no avião que Capitão tinha vindo de Boa
Vista.
Decidiu o
Capitão que nós devíamos fazer uma patrulha para ir até o Posto do Abonari
verificar o que realmente tinha acontecido e aí fizemos uma patrulha de 10
elementos a pé, mata adentro, na diagonal desse triângulo Posto – Ponte –
Acampamento, diferente do que consta do livro ([2]) nós não
fomos de canoas, nós fomos a pé dentro do mato, inclusive temerosos e bem
protegidos uns pelos outros com cobertura, porque nós temíamos que os índios
pudessem tentar nos atacar.
Na entrada, onde
havia o Posto da FUNAI, havia uma clareira de, mais ou menos, uns 50 m de raio,
a casa ficava na beira do rio e quando nós saímos da mata e ingressamos nessa
parte desmatada já encontramos o primeiro funcionário da FUNAI morto com muitas
flechadas no peito e muito machucado.
O Capitão
Bonilha, num ato de coragem, ordenou a mim que permanecesse com meus homens no
mato e que ele sozinho entraria no posto da FUNAI e que se dentro de 3 minutos
ele não retornasse eu deveria avançar com os homens porque teria havido alguma coisa
mais grave.
Depois de algum
tempo, que não chegou há 3 minutos, o Capitão apareceu na janela da casa e fez
sinal para que nós avançássemos quando chegamos dentro da casa encontramos
outro funcionário da FUNAI morto e logo abaixo da casa, uns 15 ou 20 m, quando
muito, tinha o que eles chamam de casa de farinha, onde eles ralam a mandioca
para fazer farinha e ali se encontrava o Sertanista Gilberto Pinto de bruços
com três flechadas nas costas e cujas flechas apontavam o abdômen, duas pelo
menos apontavam como querendo atravessar, mas não conseguiram atravessar.
Decidimos,
então, que faríamos algumas buscas porque faltava ainda um funcionário da
FUNAI, avistamos no entorno pedaços de arma, pedaços de rádio, garrafas de
Fanta no chão e não havia rastro de índio nenhum e as canoas da FUNAI, que eram
motorizadas não se encontravam mais na margem do rio.
Segundo o
sobrevivente, de manhã o Gilberto desconfiou que os índios estivessem tramando
algum ataque e mandou que ele esvaziasse as
canoas com
uma latinha,
porque tinha
um pouco
de água
dentro das
canoas para
levar logo esses índios embora, porque ia levar rio acima os
índios com as canoas, eram 27 índios ao todo, iam transportar os índios com as
canoas da FUNAI.
Neste momento
ele disse que estava com um olho nos índios e outro olho na água da canoa e
quando ele tirando a água da canoa olhou para os índios, um índio daqueles
puxou a flecha, distendeu o arco para atingi-lo e nesse momento ele mergulhou
na água do rio e atravessou e foi me avisar. Ainda tinha uma flecha dentro do
Rio, cravada no pau de uma árvore caída, um pau meio podre dentro d’água, ainda
tinha uma flecha cravada aí.
Nós decidimos
transportar o corpo do Gilberto Pinto e dos outros dois em padiolas, botamos o
corpo numa rede e amarramos as duas pontas da rede numa vara e cada um botava a
ponta da vara no ombro para transportar. Não foi possível porque o corpo é
muito difícil de transportar, fica muito pesado. Resolvemos, então, construir
algo com as canoas que tinham lá. As que tinham sobrado, as dos índios e acho
que uma da FUNAI, se não me engano, construímos balsas com as portas da casa e
transportamos esses corpos para a região da ponte do Abonari. Terminamos este
transporte à noite, então outra mentira ([3]),
o Gilberto não chegou a Manaus no mesmo dia da sua morte, ele só chegou
a Manaus no outro dia e acredito que tenha sido de avião, mas não tenho certeza
absoluta. Eu cortei as hastes das flechas que estavam perfurando o corpo do
Gilberto porque elas não saiam, tem fisgas, ficam trancadas dentro do corpo e
eu acredito que em Manaus tenham tirado essas flechas, lá na autópsia devem ter
extraído essas flechas do corpo do Gilberto Pinto. Eu tinha 24 fotos desta
epopeia tiradas com a máquina Olympus Trip que foram requisitadas pelo pessoal
do Batalhão e do Grupamento e nunca mais vi essas fotos.
No outro dia
veio mais gente de Boa Vista e fizeram outra patrulha em que eu não participei
e encontraram um quarto morto, uma quarta pessoa morta, com um cartucho
detonado, eu acredito que tenha sido único tiro que foi dado naquela epopeia, o
tiroteio que o pessoal disse que ouviu deve ter sido de um tiro de um
funcionário da FUNAI que abateu um índio e esse funcionário tinha 11 flechas
cravadas nas costas ([4]). É essa
a epopeia.
Pergunta: ele certamente tinha acertado
alguém?
Resposta: é ele matou um índio
entrincheirado num tronco caído. Ele correu se escondeu atrás daquele tronco e
os índios atacaram ele pela frente e ele matou um índio e os outros foram por
trás e deram 11 flechadas nas costas dele.
Pergunta: o Sr. pode apontar quais
foram as alterações na rotina dos trabalhadores do 6° BEC após a chegada do 1°
BIS?
Resposta: as alterações foram muitas e
atrapalhavam e prejudicavam o serviço de construção da BR-174 porque
principalmente os funcionários civis, nós tínhamos cerca de 400 funcionários,
principalmente os funcionários civis do 6°BEC. Deste tempo em diante, que lá permaneci,
eles temiam se deslocar sozinhos, por exemplo, um mecânico que ia concertar uma
máquina, um eletricista, um funcionário, um lubrificador, um operador de
máquina isolada, o patroleiro do revestimento, esse pessoal não queria patrolar
sozinho eles tinham medo – esses índios vão me matar –, então era obrigado a
ter em cada equipe dessas um ou dois soldados do 1°BIS armados acompanhando,
houve um prejuízo muito grande na rotina e inclusive o serviço ficou paralisado
por alguns meses.
Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade
viu ou ouviu supostas rajadas de metralhadora ou a explosão de dinamite para
afugentar os nativos? Caso positivo, presenciou ou apenas ouviu à distância
ruídos que se assemelhavam a disparos e explosões, qual a frequência destes eventos,
teve a oportunidade de identificar quem eram os autores dos mesmos?
Resposta: algum tiro houve, quando se
desconfiava de algum movimento diferente, alguns tiros para o ar, mas nenhum
tiro, por exemplo, pelo pessoal do 1°BIS, o pessoal do BIS tinha a munição mais
ou menos contada e o cara que está no mato, vamos dizer assim, pronto para
combater uma guerrilha, não vai querer gastar a munição dele à toa e arriscar
ao ser atacado não ter mais munição e nós do Batalhão não tínhamos quase
munição nenhuma, nós tínhamos um mosquefal velho e umas carabinas 7.65, se não
me engano, ou 5.63, não me lembro mais do calibre, que aquilo era usado como
uma bengala para algum deslocamento.
Alguns
funcionários do Batalhão que já tinham prestado serviço militar foram transformados,
também, em vigilantes e seguranças das nossas equipes. Houve algum tiro sim
Hiram, mas não maciçamente e não em direção à mata, algum tiro de advertência,
de alerta eu sei que houve.
Pergunta: o Sr. em alguma oportunidade
viu índios mortos serem transportados por caminhões do Exército?
Resposta: nunca. Nunca vi e nunca ouve
índio morto de jeito nenhum, até porque não era interesse nosso matar os
índios, nós sabíamos que se matássemos um os outros poderiam vir e não era
nossa intenção e nem da nossa índole, a nossa preocupação era a construção da
estrada e havia sempre um respeito muito grande pelas recomendações e da
política da FUNAI.
Havia uma
convivência muito boa entre nós, os executores das obras e o pessoal do Posto
da FUNAI que não era diretivo e sim executor do serviço deles, nós, inclusive,
apoiávamos esse pessoal constantemente. Nunca houve, de jeito nenhum.
Pergunta: o Sr. notou, neste período, o
sobrevoo de alguma aeronave militar sobre a área, além dos aviões da FUNAI ou
do 6°BEC?
Resposta: Não. Não nunca vi.
Pergunta: o Sr. sabe informar se a
FUNAI, a partir de 1975, acompanhava os trabalhos de abertura das picadas pela
equipe de topografia?
Resposta: eu sei por que eu vi o Sydney
Possuelo e outro, que eu não me lembro, acompanharem por certo tempo a equipe
da topografia, inclusive eles eram o pessoal mais avançado na picada da
topografia da estrada.
Pergunta: o Sr. sabe informar se houve
alguma iniciativa, por parte da FUNAI, para afastar os indígenas das frentes de
trabalho?
Resposta: havia uma preocupação da
FUNAI de não deixar os índios entrarem em contato com os trabalhadores da
estrada, esta preocupação havia, porque os postos eram na altura das vias
navegáveis que os índios tinham acesso e fora do eixo da estrada, havia esta
proteção da FUNAI para que os índios não se misturassem com o pessoal da
estrada.
Pergunta: o Sr. presenciou algum
suposto ato hostil por parte dos trabalhadores em relação aos WA?
Resposta: nenhum, inclusive no tempo em
que estive lá, o pessoal tinha certo medo dos índios, certo receio de enfrentar
os índios. Porque a maioria do pessoal que ali trabalhavam eram maranhenses,
pessoal nordestino, e esse pessoal tinha medo de enfrentar os índios, e mais,
durante o tempo que permaneci lá houve um contato amistoso depois desse
massacre bem na frente de serviço, senão me engano na equipe de desmatamento ou
revestimento primário em que um ou dois índios embarcaram numa patrola (numa
motoniveladora) e o operador da patrola quase morreu de medo, mas depois viu
que não havia intenção de matá-lo e andou com os índios na patrola.
Pergunta: o Sr. poderia relatar qual a
orientação dos comandantes das frentes de trabalho em relação aos Waimiri-Atroari?
Resposta: olha a orientação, para
começar, o pessoal da frente de serviço não tinha segurança armada e passou a
ter certa proteção depois que o 1°BIS apareceu e o pessoal do BIS que chegou lá
muito precavido, muito pronto, logo em seguida foi se desmobilizando porque
viram que os índios não apareciam nunca, então o cara ficava de guarda na
periferia do desmatamento e não enxergava índio nenhum, os índios demoraram 5
ou 6 meses para aparecerem novamente. Então o nosso pessoal queria era
distância dos índios, ninguém estava predisposto a exterminar o índio ou
agredir os índios, de jeito nenhum nós queríamos era tocar a estrada e que eles
não mais aparecessem.
Pergunta: o Sr. notou a presença de
algum estrangeiro na área neste período?
Resposta: neste período eu acho que nós
tivemos uns 2 ou 3 mochileiros que vinham a pé pela estrada, acho que pegando
carona de Manaus, estávamos a 230 km de Manaus, então aparecia algum elemento
querendo ir para a Venezuela, para o garimpo, atravessar a selva e esses eram
desestimulados a fazer a travessia e mandados de volta para Manaus. Uns três
casos, se não me engano.
E como nada mais
disse e nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente depoimento às
16h39 (horário de Brasília)
Depoente: Cel
Eng Zauri Tiaraju Ferreira de Castro
_________________________________
Cel
Eng Hiram Reis e Silva
(Assistente
Técnico da União)
(*)
Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas,
Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do
Sul (1989);
Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato
Grosso do Sul (1989;
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
(2000 a 2014);
Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do
Exército (DECEx) (2015 a 2019);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério
Militar – RS (IDMM – RS) (2006 a 2013);
Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando
Militar do Sul (CMS) (2014 a 2015);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS) (2002 a 2013);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do
Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio
Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia
(ACLER – RO);
Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio
Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola
Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós
(IHGTAP)
[1] Bueiro tubular metálico. (Hiram Reis)
[2] PORFÍRIO DE CARVALHO. Waimiri-Atroari A
História que Ainda não foi
Contada – Brasil – Brasília, DF – Editado pelo autor,
1982.
[3] PORFÍRIO DE CARVALHO. Waimiri-Atroari A
História que Ainda não foi Contada – Brasil – Brasília, DF – Editado pelo
autor, 1982.
[4] Osvaldo de Souza Leal. (Hiram Reis e Silva)
Galeria de Imagens
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Sexta-feira, 12 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
Bagé, RS, 011.06.2026 Termo de Depoimento do Sr. Ten-Cel Inf Walter Chiarato No dia 30 de agosto de 2022, às 15h03 (Horário de Brasília), em audiên

Bagé, 08.06.2026 Mais uma vez tenho a hora de repercutir um artigo de meu caro Amigo, Irmão e Mestre Higino Veiga Macedo. Quinbequiano(Higino Veiga

Bagé, RS, 05.06.2026 Termo de Depoimento do Sr.José Antônio Carneiro Borges Aos 29 dias do mês de agosto de 2022, às 16h30 (Horário de Brasília), e

Bagé, RS, 04.06.2026 Cel Eng José Antônio Carneiro Borges Lembranças da Minha Vida no Destacamento Sul do 6° BECCheguei a Manaus, com minh
Sexta-feira, 12 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)