Quarta-feira, 24 de junho de 2026 - 07h10

O
temor de ocupação militar estrangeira na Amazônia é uma velha paranoia
nacionalista da ditadura, realimentada em 1989 por uma desastrada afirmação do
senador Al Gore. Segundo ele, “ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia
não é deles, mas de todos nós”. Típico do entendimento dos EUA, cujas forças se
distribuem por todos os continentes, a afirmação até faz sentido porque há
séculos a Amazônia é sugada por estrangeiros.
A
boataria sobre ocupação militar estrangeira piorou quando apareceu na internet
a avó das fake news: um mapa com parte da floresta internacionalizada que
estaria no livro An Introduction to Geography, de David Norman. O livro
não existe, mas o mapa fake foi levado a sério até por entidades respeitáveis.
Apenas
paranoia ou mentira eleitoral interesseira? O comércio e a exploração dos
recursos econômicos amazônicos continuam sofrendo com a mineração ilegal e a
extração igualmente criminosa de outros recursos naturais, mas cabe ao governo
enfrentar a situação e não se queixar da própria incompetência.
A suposta
ameaça de uma invasão por tropas dos EUA, alimentada por malucos, é
desmoralizada por duas verdades implacáveis. Primeira, uma ocupação militar
estrangeira seria cara demais e teria repúdio mundial. Segunda, seria inútil,
pois qualquer valor econômico disponível na floresta pode ser adquirido
facilmente por qualquer país ou empresa do mundo.
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Poucas surpresas
Já
não temos mais espaços para grandes surpresas nas convenções partidárias de
julho quando serão homologadas as candidaturas de governador e vice, dos candidatos
ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. O senador Confúcio
Moura (MDB), depois de muito mistério já escalou outro nome para disputar o
governo do estado – o professor Pedro Abib – e vai disputar a reeleição na
busca de mais um mandato. O ex-governador Ivo Cassol (PP) se alinhou a candidatura
do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), reforçando a postulação chapa branca
que tem o aval do coronel Marcos Rocha. Mas são sete candidatos ao CPA Rio Madeira.
Pelo menos dois podem virar vice.
Uma peregrinação
Depois
de uma breve peregrinação pelas emissoras de rádio com as maiores audiências na
capital, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) reafirmou sua disposição em disputar
uma cadeira ao Senado, enfatizando suas principais propostas para seu retorno
ao Congresso Nacional. Gurgacz marcou sua presença no Senado em duas legislaturas,
pela conquista da presidência da poderosa Comissão de Infraestrutura carreando
grandes benefícios para Rondônia naquela oportunidade. Mantendo prestigio nas
esferas federais, Acir segue colaborando em Brasília na liberação de recursos
para os municípios rondonienses.
Chapa da Federação
Uma
das chapas mais equilibradas para a Câmara dos Deputados foi formada pela
Federação juntando o União Brasil com o Partido Progressista que tem como candidato
a governador o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves. A composição tem dois
deputados federais, que são Mauricio Carvalho e Thiago Flores, reforçada por
uma das vereadoras mais votadas na capital, Elis Regina, uma liderança
emergente na capital que é Celio Lopes, mais o ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo
Pires cotado para ser um dos nomes mais votados na temporada;
Para a reeleição
Da
bancada atual da Câmara dos Deputados, pelo menos dois parlamentares estão fora
da peleja da reeleição. São eles Silvia Cristina (Ji-Paraná) e Fernando Máximo
(Porto Velho) que estão na disputa por duas cadeiras ao Senado. Com isto, seis parlamentares
buscam a reeleição: Mauricio Carvalho, Cristiane Lopes e Coronel Chisostomo
(Porto Velho), Thiago Flores e Rafael Fera (Ariquemes) e Lúcio Mosquini (Ouro
Preto do Oeste). Destes, apenas Mosquini com uma situação mais confortável, os demais
têm predadores dos mais ferozes nos calcanhares. Fera e Cristiane Lopes são os
mais os mais vulneráveis nesta peleja.
Cone rachado
Com
o Cone Sul rondoniense rachado de vez com o lançamento da candidatura a Câmara
dos Deputados da empresária Sandra Bagatoli, esposa do senador Jaime Bagatolli (PL-Vilhena)
a região que mantem vários clãs políticos terá dificuldades em emplacar um
deputado federal nas eleições 2026 pela pulverização de votos. A região já contou
com Rediário Cassol, Arnaldo Lopes Martins (ambos já falecidos) e Natan Donadon
na Câmara dos Deputados, mas há mais de vinte anos não elege um federal. As
principais candidaturas deste ano naquela região são dos clãs Donadon, Neiva de
Carvalho e Bagatoli. Destes, o deputado estadual Ezequiel Neiva, bem votado nas
eleições passadas, surge com as mais possibilidades mas pode ficar inelegível.
Via Direta
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