Quarta-feira, 17 de junho de 2026 - 12h38

Daniel Vorcaro é um
sujeito inteligente. Disso todo o mundo sabe. O que ninguém sabe é o que ele
pretende conseguir ao propor uma delação premiada para contar apenas aquilo que
a Polícia Federal já sabe. E, mesmo assim, nem tudo! O que espera conseguir?
Não se sabe, a não ser por especulações que chegam a afrontar a inteligência do
sujeito, como a que diz que ele está procurando ganhar tempo. Tempo de cadeia?
Ora! Tenham paciência!
O certo é que a
embromação do ex-banqueiro tem tirado o sono não apenas de figurões em
Brasília, mas até de candidatos tidos como favoritos nos estados. Antes, claro,
da entrada de Daniel Vorcaro em campo. A pesquisa Genial Quaest mostra isso
claramente. Lula avançou de 29% para 37%, enquanto Flávio recuou de 31% para
24% na faixa dos eleitores chamados independentes.
É uma parcela reduzida do
eleitorado, mas faz a diferença em disputas polarizadas. É gente que foca em
nomes, sem se importar com siglas. Pode tender ao conservadorismo, como a
maioria da população, mas não se submete à conversa do PL ou do centrão. Pode
não gostar do PT, mas votar em Lula. Atribui-se a ela a diferença a favor de
Lula na eleição 2022. Mas não é só isso. Lula avançou também em uma área antes
quase exclusiva de Bolsonaro: os evangélicos. Lula subiu sete e Flávio caiu
nove pontos. Ou seja, reduziu em 16 pontos a imensa diferença nesse recorte da
pesquisa.
Mas isso não afeta os
estados, acreditam alguns. Estão errados. Até porque quando faz a balança pende
para um dos lados, isso provoca o tal efeito manada e pode atrair aquele
eleitor que não quer “perder o voto na maquininha”. E se muda a cabeça da
“cola”, é até natural que mude todo o resto. Para quem pensa que isso é coisa
de pesquisa adversária, melhor não olhar a pesquisa da BTG/Nexus desta semana
(no primeiro turno, Lula atinge 42% e Flávio 33%. No segundo, Lula dispara: 49%
contra 43%) Você, leitor, sabe quem deve estar assustado com isso em Rondônia?
Marcos Rogério.
Ele mesmo, cuja maior
virtude é uma fidelidade canina à família Bolsonaro. E cuja principal proposta
é tirar Jair Bolsonaro da cadeia, não importa quem possa permanecer por lá. O
senador pode até não estar mesmo preocupado. Mas deveria! A coisa tende ao
agravamento. A visita a Trump, arquitetada como solução, incorporou novas
quedas ao calvário de Flávio. Buliu até num vespeiro chamado Pix. Então? O
eleitor rondoniense pode ser majoritariamente conservador. Mas não
necessariamente bolsonarista radical, conforme ficou demonstrado na
surpreendente eleição de Leo Moraes.
De volta a Daniel Vorcaro.
Analistas, comentaristas, editorialistas, palpiteiros e afins se exasperam a
sugerir, elucubrar, congeminar, examinar e matutar sobre o que lhe vai na
cabeça. Seguem todos a famosa expressão de Sherlock Holmes, o detetive criado por Sir Arthur
Conan Doyle (nada a ver com Freud): “Quando você elimina o impossível, o que
restar, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade”.
Mas falta muita coisa a
ser considerada na relação dos improváveis. Por exemplo: e se as mensagens do
primeiro celular aberto pela PF tiverem sido cuidadosamente elaboradas como
advertência aos figurões citados? Não é plausível um sujeito brilhante, ainda
que para o mal, agir assim como aluno da quinta série em ligações para a noiva.
Porque não teria produzido ali um sinal de perigo: “Seu nome aparece no meu
celular porque estou preso e você não fez nada para me livrar! Então?”
O mesmo raciocínio pode
explicar o fracasso das delações. Pode ser uma advertência dirigida a quem,
acredita, possa livrá-lo: “Estou segurando os caras, mas não sei até quando
consigo. Vou ser obrigado a envolver todo o mundo!” Nessa circunstância ele
pode conseguir até mesmo ser mantido na cela presidencial da Polícia Federal
por questão de segurança. Afinal, interessa a muita gente que esse arquivo seja
apagado. Especialmente os guardiões de bilhões certamente mantidos em contas
secretas no exterior. Ou ele não teria se oferecido para devolver R$ 40 bilhões
se efetivada a delação.
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