Domingo, 7 de junho de 2026 - 09h50

Como explicar mancha de
batom na cueca? Respostas para a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro.
Para lembrar: ele viajou aos EUA na tentativa de se livrar das explicações
incômodas sobre sua ligação íntima com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Até hoje,
afinal, ele não ainda contou aonde foram parar os R$ 61 milhões confessadamente
recebidos. Dinheiro que pode ser investigado até pelo Congresso americano.
Pois bem. Ele
foi lá, falou com Trump e voltou para festejar as glórias do “sucesso” ao
transformar organizações criminosas em terroristas. Só que Trump colocou no
pacote um novo tarifaço e o ataque ao PIX. Ou seja: foi buscar lã e saiu
tosquiado. Buscou solução e conseguiu mais problemas. Ao sentir o prejuízo
eleitoral, o candidato do PL voltou a negar como nunca.
E a mentir
como sempre! Disse que foi seu pai quem criou o Pix (o
sistema foi criado no governo Temer pelo Banco Central, que o administra). Mas
já circula na internet um vídeo com a declaração de Jair Bolsonaro justamente
no dia do lançamento do Pix pelo Banco Central. Perguntado sobre o assunto no
tal “cercadinho” ele primeiro pensou que tinha algo a ver com aviação.
Mas,
esclarecido por um apoiador, Bolsonaro respondeu que iria
consultar o presidente do BC, Roberto Campos, para se inteirar sobre o
programa. Como então foi ele quem criou? Flávio ainda disse que a família
sempre defendeu o Pix. Mas foi desmentido pelo próprio irmão, Eduardo,
que inclusive sugeriu substituir o sistema pelo “Zelle”, que nem de longe
supera o PIX. E nem é mais popular que o “Menmo’, outro programa privado de
pagamentos que opera por lá.
Pode ser que
Flávio tenha realmente enviado carta ao presidente
americano para pedir a suspensão das medidas contra a economia brasileira. Pode
ser que, com a ajuda de Eduardo, consiga mobilizar o secretário Marco Rúbio
para suspender o tarifaço e o ataque que já está sendo chamado em Brasília de
“tiro ao Pix”. Mas o estrago está feito.
E, qualquer
que seja o resultado, o candidato terá que passar a
campanha na defensiva, a se explicar. O conjunto da obra pode, efetivamente,
afastar o apoio do PP e União Brasil. Isso compromete metade do tempo de TV que
o PL imaginava amealhar. E confirma o que já foi diagnosticado: o apoio de
Donald Trump à campanha de Flávio Bolsonaro é um verdadeiro “abraço de afogado”.
Ronaldo
Caiado? Será mesmo isso?
Apertadas pela
realidade, consideráveis parcelas da direita até mais
antipetista que bolsonarista já começam a transferir esperanças para o
candidato do PSD, Ronaldo Caiado. Embora imaginem que Jair Bolsonaro irá com
Flávio até o fim, para ganhar ou perder – o que, pelo jeito que a banda toca,
parece inexorável.
E se a
campanha de Flávio vai mal, com ele na disputa Caiado e
Zema podem desistir, pois vão continuar patinando com um dígito nas pesquisas.
Se hoje aparecem bem colocados em um eventual 2º turno contra Lula é apenas
porque Flávio estaria fora, o que definitivamente não vai acontecer. E se
Flávio tira o sono da direita, imagine-se o que acontece com os sonhos de
Waldemar da Costa Neto.
Waldemar sabe que
nada vai mudar. E nem mesmo pode manifestar sua angústia. Tem que abandonar os
sonhos de grandeza. E tocar o barco ao sabor do rumo que o timoneiro Jair impõe
ao comandante do partido e a toda a tripulação. Apesar das águas revoltas que
se anunciam para o futuro.
Mesmo
derrotado Flávio continua senador. E mesmo vitoriosa na
eleição para o Senado em Brasília, Michele nem sonha em assumir o comando do
patrimônio eleitoral da família. Ou seja: Flávio Bolsonaro vai continuar
aprontando pelo menos por mais quatro anos. A menos que acabe em cana como o
pai.
O certo é que o
ambiente ficou pesado para a campanha bolsonarista em meio à bancada do PL no
Congresso. Especialmente depois que Eduardo colocou o Pix na mesa de
negociações com Trump. Uma bomba! Tanto que Flávio apressou-se a negar. Mas as
bancadas do partido não querem nem ouvir falar a respeito. Qualquer “expoente”
do PL perguntado a respeito já tem uma resposta pronta: “Me inclua fora
dessa!!!”
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