Porto Velho (RO) quinta-feira, 4 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Va', pensiero, sull'ali dorate


Va', pensiero, sull'ali dorate - Gente de Opinião

Semana passada, numa espécie de patuscada entre o presidente da Argentina e o premier da Espanha, Pedro Sánchez, foi dita uma frase, deturpada do escritor mexicano Octavio Paes, na tentativa de querer aparecer e humilhar os demais habitantes da América Latina: - “os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros da selva, mas nós, os argentinos, chegamos em barcos. Eram barcos que vinham da Europa”. Patuscada é um jogo de cartas cujo objetivo é ser canalha, impiedoso, cretino e desagradável

Na verdade, a frase do escritor mexicano diz: - os mexicanos descendem dos astecas, os peruanos dos incas e os argentinos dos barcos. Em ambas as situações, nega-se a existência de indígenas argentinos, jogando pra baixo do tapete do esquecimento, a estúpida e genocida exploração europeia. Por outro lado, o presidente argentino demonstra nitidamente querer divulgar ao mundo a europeização da Argentina, em detrimento dos demais países latino-americanos.

Faltou dizer:  − os brasileiros vieram em navios negreiros, só não disse porque o bom senso mundial está a favor dos negros, não aconselhando declarações racistas de quem quer que seja. Em partidas de futebol, realizadas em campos argentinos, jogadores brasileiros costumam ouvir sons humilhantes de macacos, eles não se conformam: só o Brasil é penta. Esquecem a vitória das diferenças: Pelé é negro, mas é o atleta do século; Maradona era um autêntico e vitorioso indígena, infelizmente, europeizado pela máfia napolitana. 

A História nos ensina que ainda no século XVI foi iniciada a exploração da prata na Argentina. No século XVII, os espanhóis passaram a utilizar a mão de obra indígena para a exploração das riquezas. Aos poucos os povos indígenas foram sendo conquistados e dizimados pelos espanhóis. Os que sobraram estão acampados nas periferias; foram chamados de descamisados pelos peronistas; estão nos traços fisionômicos, nas estatísticas das diferenças sociais, e perambulam, humildemente, pelas ruas das inúmeras cidades argentinas, à espera de atitudes dos dirigentes nacionais em prol de oportunidades de emprego e pelo fim da fome.  

Alberto Fernández foi uma aposta que não está dando certo, os argentinos cometeram os mesmos erros que ameaçam os brasileiros, nas próximas eleições: a internacional socialista e a utopia da igualdade, vendidas pelos adeptos da pátria vermelha, em substituição a azul e branca deles e a verde e amarela nossa. Aqui não, vão pra Cuba, pra Venezuela. Maduro adora vocês, vão se banhar nas águas do caribe venezuelano, são tão transparentes, tão social/democráticas, tão progressistas!

Um amigo meu, que mora na Argentina, costuma dizer que eles são extremamente orgulhosos, mas se aborrecem, se abatem, quando são feitas comparações econômicas e políticas entre o Brasil e a Argentina, ou quando se diz que, se não fosse Caxias, Solano López teria anexado o território argentino ao paraguaio. Outra piada que eles detestam é quando ouvem que o escritor Jorge Luiz Borges abocanhou para si quase toda a inteligência argentina, deixando as sobras ao Júlio Cortázar, que era belga, e à meia dúzia de compenetrados portenhos. Afora o bairrismo tradicional, são toleráveis.  

Os envergonhados hermanos, em vez de se dizerem europeus, que cantem a plenos pulmões o Va’ Pensiero, da ópera Nabucco, composição magnífica de Giuseppe Verdi, datada de 1842, quando a Itália estava em grande parte dominada pelos austríacos. Quem gosta de música erudita sabe, a referida ópera narra a história do povo judeu sob o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Os acontecimentos históricos, no entanto, foram usados como pano de fundo para uma trama de cunho político. Avante, chega de experimentalismos socialistas na América Latina.

 

Cantem, hermanos, mas cantem com alegria patriótica, numa válida tentativa de acordar o belo e perdido país de vocês:

Oh minha Pátria, tão bela e perdida

Oh lembrança tão cara e fatal! (…)

https://classicosdosclassicos.mus.br/obras/verdi-va-pensiero/

Ou chorem, ouvindo Madona incorporada pelo populismo de Evita Peron:

https://www.youtube.com/watch?v=KD_1Z8iUDho

 

*Professor, escritor e presidente da Academia Rondoniense de Letras 

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 4 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A cantilena demagógica da transposição

A cantilena demagógica da transposição

Não sei você, mas eu não suporto mais ouvir essa conversa mole de transposição de servidores do ex-Território de Rondônia para os quadros da União.

A UE à margem da “paz” que financiou!

A UE à margem da “paz” que financiou!

Bruxelas reclama lugar nas negociações, mas Moscovo recusa-a como mediadora e Washington já não a consultaA nação que teme os seus inimigos busca am

Fariseus, saduceus e os políticos camaleônicos

Fariseus, saduceus e os políticos camaleônicos

Provavelmente, você já deve ter lido ou ouvido a expressão “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. O provérbio sugere a possibilidade de pessoas dia

O desarmamento da inteligência artificial

O desarmamento da inteligência artificial

Um Chamamento de orientação para a HumanidadeDesarmar a inteligência artificial é mais urgente do que desarmar um míssil: o míssil mata o corpo; o alg

Gente de Opinião Quinta-feira, 4 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)