Quarta-feira, 17 de junho de 2026 - 07h35

Bagé,
RS, 17.06.2026
Termo de Depoimento do Sr. Cel
Av Renato Meirelles
No
dia 1° de setembro de 2022, às 11h08 (Horário de Brasília), em audiência
virtual realizada por intermédio da plataforma Teams, tendo como objetivo
compor o laudo pericial antropológico do Assistente Técnico da União, nos autos
da Ação Civil Pública – Waimiri Atroari, n° 1001605-06.2017.4.01.3200, inicio a
inquirição do Sr. Cel Av Renato Meirelles.
O
Sr. poderia informar o seu nome completo: Renato Meirelles; identidade: 202776
– emitida pelo Comando da Aeronáutica; CPF: n° 715.434.908-59; patente:
Coronel; estado civil: casado; natural de Porto Alegre, RS; filiação: Loreto
Brum Meirelles, Maria de Lourdes Pereira Meirelles; sua residência: Rua Vasco
da Gama, n° 283, ap. 401, Canoas, RS.
Vamos
então às perguntas:
Pergunta: qual a sua experiência em
helicópteros e aviões da FAB?
Resposta: de helicópteros eu tenho um
total de 3.000 horas de voo, sendo que 1.500 horas neste tipo de aeronave que
foi trazida ao assunto, UH-1D/H, eu sou qualificado como Instrutor nesse
equipamento. Se acrescentar a minha experiência acumulada também em aviões, perto
das 7.000 horas totais.
Pergunta: o helicóptero, como
plataforma de emprego de armamento, é usado para Lançamento de Bombas?
Resposta: vamos ressaltar o seguinte,
os helicópteros que a FAB comprou, adquiridos em 1967, eram do modelo UH-1D, e
foram destinados para a Busca e 71 Salvamento ([1]) e outra
parte foi destinada também para Instrução e Emprego. Como emprego a gente entende
o uso do helicóptero ou da aeronave como uma plataforma de armas. Na FAB, os
helicópteros foram armados com metralhadoras frontais e laterais e com
lançadores de foguetes, também frontais. Nunca se firmou Doutrina de uso do
helicóptero como plataforma para lançamento de bombas. Este emprego de lançar
bombas era exclusivo para aeronaves de asa fixa.
Pergunta: a FAB utiliza uniforme camuflado
para seus aeronavegantes?
Resposta: não. No ano que houve
inclusive essa Operação de Resgate da Expedição Calleri o uniforme padrão que a
FAB usava era macacão de voo azul-marinho, era um azul-escuro. O uniforme
camuflado para uso da tropa foi adotado por volta da década de 80 e os
aeronavegantes não usavam macacão camuflado e, aliás, não usavam e não usam até
hoje.
Pergunta: no período considerado entre
1968/1974 saberia informar qual uniforme usava o PARASAR?
Resposta: perfeitamente, lembro muito
bem que era um uniforme verde-oliva claro, era diferente, liso, sem camuflagem.
E era só o PARASAR que usava este uniforme.
Pergunta: qual a autonomia do
helicóptero UH1H?
Resposta: o UH1H tinha uma autonomia
com seus tanques internos de duas horas e quarenta, e ele tem um alcance da
ordem de 510 km. Ele dispõe de tanques auxiliares para poder fazer traslados em
etapas mais longas, o que aumenta bastante a autonomia dele, mas só que
penaliza a carga-paga, o quanto pode embarcar, então bota querosene e fica a
carga no chão ou o passageiro. Essas são as opções que nós temos.
Pergunta: por que na operação de
resgate da expedição do Padre Calleri foi montada uma base de apoio em Moura?
Resposta: por uma razão bastante
simples, o helicóptero ao decolar tem, com os tanques internos, a capacidade de
ir até o destino e regressar. A partir de Moura a distância aproximada era da
ordem de 150 km para se chegar à região que tinha fazer o atendimento, então
ele tinha condições de sair, partindo de Moura, ir até a área e regressar sem
necessidade de reabastecimento. Se partisse de Manaus, a distância só na perna
de ida seria de 275 km, o que obrigaria a reabastecer em algum ponto, algum
lugar, por isso é que fizeram uma base em Moura exatamente para não sacrificar
tanto a missão.
Pergunta: o Exército tinha este modelo
de helicóptero nesse período?
Resposta: não, o Exército Brasileiro na
realidade reativou a sua Aviação somente no final da década de 80 e jamais
operou com este modelo de helicóptero.
Pergunta: o Sr. tomou conhecimento de
alguma operação aérea com o objetivo de exterminar os Waimiri Atroari?
Resposta: em toda a minha carreira na
Força Aérea eu nunca ouvi falar de qualquer coisa a respeito ao contrário a
nossa experiência foi sempre de companheirismo e buscar a aproximação com os Índios
de forma pacífica, cordial e por onde nós passamos sempre deixamos esta máxima
haja vista que por diversas vezes eu tive a oportunidade de congraçar com Índios,
não desse grupo, mas de outros, e sempre foi uma coisa pacífica. Nós sempre nos
pautamos por aquele lema do insigne Marechal Rondon: “Morrer, se preciso for; matar, nunca”. Então mantínhamos esta
conduta.
Pergunta: o Sr. teria mais alguma coisa
a acrescentar à sua oitiva?
Resposta: apenas a minha surpresa de tomar
conhecimento de uma narrativa como essa acusando as nossas Forças Armadas de
participar de algo assim tenebroso, não é. Foge por completo de nossa
característica, a família militar nunca, nunca se envolveu nesse tipo de
atrocidades, não é da nossa inclinação fazer isso. Eu fui tomado de surpresa
quando soube disso. É tudo que eu teria para relatar.
E
como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, dou por encerrado o presente
depoimento, às 11h15 (horário de Brasília). Depoente:
_________________________________
Cel Av Renato Meirelles
_________________________________
Cel Eng Hiram Reis e Silva
(Assistente Técnico da União)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do
Sul (1989);
Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato
Grosso do Sul (1989;
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
(2000 a 2014);
Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do
Exército (DECEx) (2015 a 2019);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério
Militar – RS (IDMM – RS) (2006 a 2013);
Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando
Militar do Sul (CMS) (2014 a 2015);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS) (2002 a 2013);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do
Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio
Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia
(ACLER – RO);
Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio
Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola
Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós
(IHGTAP)
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