Quarta-feira, 17 de junho de 2015 - 12h53

O Projeto RECA como é conhecido, significa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado e é desenvolvido por pequenos agricultores que tiram da floresta, em regime cooperativista, alimentos típicos da Amazônia e preservam o meio ambiente. O RECA tem dado tão certo que já recebeu vários prêmios nacionais e internacionais de preservação ambiental.
Hoje 350 famílias participam do projeto produzindo polpa, manteiga de cupuaçu e derivados, castanha do Brasil, sementes, palmito de pupunha e a polpa de açaí. Toda a produção é vendida em Rondônia e exportada para várias partes do Brasil.

O incêndio deixou um prejuízo, até o momento, calculado em cerca de R$ 1 milhão. Segundo a cooperada Cássia Lane Brito Camelo, que também atua no Departamento Administrativo da Cooperativa, o fogo consumiu três barracões, que eram usados no beneficiamento dos óleos de castanha, andiroba, da manteiga de cupuaçu e sementes de pupunha.
“Fabricávamos a manteiga de cupuaçu e os óleos de andiroba e castanha. Além disso, também tínhamos uma grande quantidade de manteiga de cupuaçu em estoque, pronta para ser vendida. Tudo foi perdido”, disse Cássia.
Dentro de um dos galpões, também destruído pelo fogo, estava um dos equipamentos mais caros da Coopereca. Trata-se de uma prensa de médio porte e dois filtros, avaliada em torno de R$ 300 mil. Ela era usada para prensar as sementes de castanha, cupuaçu e andiroba. Além de fazer a extração dos óleos, usados na indústria de cosméticos.
Cássia afirmou que todas as famílias foram afetadas pelo incêndio, mas que o espírito de união continua. “Não teremos o lucro que estávamos prevendo para esse ano. Vamos usar o dinheiro dos associados para repor parte do que perdemos. Além, de buscarmos parcerias para reconstruir o que foi perdido”, declarou.
O presidente do Sistema OCB-SESCOOP-RO, Salatiel Rodrigues, afirmou que está à disposição para ajudar a Coopereca e seus filiados nesse difícil momento. “Agora, mais do que nunca, temos que exercer um dos princípios base do Cooperativismo, que é a Solidariedade”, enfatizou.
Corpo de Bombeiros declara
não ter condições para
ajudar cooperados
Quando os filiados da Coopereca perceberam, durante a madrugada, o incêndio tomando conta dos galpões, entraram em contato com o Corpo de Bombeiros, em Porto Velho, pedindo ajuda.
Foram informados que devido à distância da capital rondoniense, e a falta de caminhão de bombeiros, pois só possuem dois caminhões para atender a capital, não era possível deslocar uma equipe para combater as chamas. O trajeto entre Porto Velho e o Projeto Reca é de cinco horas de viagem.
Diante da recusa, os agricultores decidiram procurar a capital mais próxima, que é Rio Branco, no Acre, que fica a cerca de 150 km do Reca. Porém a resposta também foi negativa.
“Disseram que não podiam fazer nada, pois, o incêndio era em outra jurisdição, outro estado e que levaria muito tempo até terem a documentação necessária para se deslocarem até o local. Tivemos que apagar o fogo por nossa conta. Isso mostrou que precisamos ter, em Ponta do Abunã, uma estrutura mínima de Corpo de Bombeiros aqui nessa região”, lamentou Cássia Lane Brito Camelo, filiada a Coopereca.
Os produtores estão revoltados com a atitude dos bombeiros acreanos e rondonienses. Eles afirmam que pagam impostos e taxas e, na região onde moram, estão sem qualquer amparo por parte do Poder Público quando necessitam.
Fonte: Ivanilson Frazão Tolentino
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