Sexta-feira, 12 de junho de 2015 - 18h51
Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
Pesquisa da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada hoje (12), mostra que a confiança do brasileiro no poder judiciário, no governo federal, e nos partidos políticos caiu no primeiro trimestre de 2015, na comparação com o último relatório lançado, feito no mesmo período de 2014.
Segundo a pesquisa, denominada Índice de percepção do Cumprimento das Leis (IPCLBrasil), a maioria das instituições analisada tem confiança de menos de 50% da população. A proporção de pessoas pesquisadas que afirmaram confiar nos partidos políticos caiu de 7% (2014) para 5% (2015); no governo federal, de 29% para 19%; no Congresso Nacional, o índice permaneceu em 15%; no poder judiciário, caiu de 30% para 25%.
Na polícia, o índice aumentou de 30% para 33%; nas emissoras de TV, de 31% para 34%; nas grandes empresas, caiu de 38% para 37%. As instituições melhor avaliadas foram a imprensa escrita, cujo índice aumentou de 42% para 45%; a Igreja Católica, de 54% para 57%, e as Forças Armadas, de 64% para 68%.
Entre negros, pardos e indígenas, a confiança no judiciário e na polícia é ainda menor, se comparada com as respostas dadas por brancos e amarelos. Enquanto entre brancos e amarelos, a confiança da população na polícia e no judiciário chega a, respectivamente, 37% e 27%, os índices caem para 30% e 22% entre negros, pardos e indígenas.
Em contrapartida, a confiança cresce entre negros, pardos e indígenas quando se refere a governo federal e ao Congresso Nacional, chegando a 24% e 20%, respectivamente, ante uma confiança de 18% e 14% dos brancos e amarelos.
“Essas respostas apontam claramente que negros e pardos confiam mais no Congresso e no governo porque se veem participando do processo, ao contrário do judiciário e da polícia em que, além de ausência de participação, também se sentem alvos”, disse a coordenadora do IPCLBrasil, Luciana Gross Cunha.
De acordo com a pesquisadora, a queda de confiança no governo federal e no poder judiciário pode ser explicada, respectivamente, pela crise econômica, e por decisões polêmicas de magistrados divulgadas pela mídia.
“O que conseguimos verificar foi o reflexo daquelas decisões do juiz do caso Eike Batista, que utilizou o carro dele. Há outros casos, sobre outros magistrados sem boas condutas, que foram veiculados na mídia. E as pessoas se lembram muito disso" disse Cunha. "E a ideia da crise econômica causa impacto diretamente na confiança no governo federal”, acrescentou.
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