Quarta-feira, 9 de março de 2016 - 16h40
O fato aconteceu na tarde desta última terça-feira (08) dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Leste da capital. Uma mãe que já aguardava há um tempo atendimento para sua filha de cerca de 5 anos de idade, ficou indignada com a demora e invadiu o consultório da médica. Ela bateu por diversas vezes na mesa, espalhou papéis por todo o ambiente, derrubou o computador e ainda conseguiu agredir um vigia que a tentava impedir. Depois do ocorrido, todos foram para a Central de Polícia.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero) já vem divulgando outros casos de violência dentro das unidades de saúde. O anterior também aconteceu dentro de uma UPA na zona Sul da cidade. “Não devemos aceitar que isso continue acontecendo. O nosso papel é garantir a segurança e integridade de nossos profissionais e também atuar em defesa de nossa sociedade. Precisamos que as autoridades coloquem seguranças dentro das unidades de saúde” salienta o presidente do Cremero, Cleiton Bach.
Uma outra médica que presenciou o ocorrido ontem e que atuou como testemunha na Central de Polícia também passou por situação semelhante em janeiro deste ano. Ela conta que as agressões dentro das unidades são recorrentes e que a categoria deve se unir e lutar em defesa da classe. “É a nossa segurança que está em jogo. Entendemos que por muitas das vezes os pais estão sem paciência, esperam por muito tempo. Mas o que fazemos se aquela unidade possui poucos profissionais e está recebendo toda a população da região?” indagou a médica que preferiu não se identificar.
“Vale ressaltar também que o problema não está somente na falta de segurança das unidades. A sobrecarga de trabalho, os baixos salários, a falta de estrutura para atendimento e até mesmo falta de equipamentos e medicamentos mais básicos tornam o ambiente propenso a esses confrontos. A população fica agressiva por uma série de fatores e os profissionais acabam se desinteressando em permanecer em ambientes assim” ressalta Bach.
A diretoria da unidade informou que vários postos de saúde da região estão fechados e que por conta disso o volume de atendimento aumentou. Informou ainda que a escala está reduzida e que a prioridade de atendimento são para pacientes classificados como de urgência, que estão com pulseira vermelha e amarela. A criança que aguardava atendimento estava com pulseira verde. O Cremero continuará acompanhando o caso.
Demora no atendimento é a principal causa de agressão
A revista Época publicou uma matéria em dezembro do ano passado apresentando dados sobre a violência nos hospitais em São Paulo. Em conjunto com o Datafolha, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) lançaram pesquisas que mostraram números das agressões no local de trabalho, através de duas pesquisas para entender e identificar a causa da violência nos hospitais. A primeira com a visão do médico e a segunda na visão do paciente. Ambas pesquisas, que aconteceram no sistema público e privado de saúde revelaram que o principal motivo das agressões sofridas por médicos, segundo os pacientes, é a demora no atendimento (41%), seguido pelo comportamento e a postura do médico (19%) e a falta de médicos que gera a lotação em hospitais (18%).
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