Terça-feira, 7 de fevereiro de 2023 - 11h07

A Justiça Federal atendeu ao pedido do Ministério
Público Federal (MPF) e determinou que União e Funai se articulem com o governo
do Estado de Rondônia e com o ICMBio para fazer em 90 dias um plano de ação
continuada de proteção da terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Pela decisão, esse
plano deve ter, no mínimo: duas bases de apoio fixo e permanente, com pelo
menos 5 pessoas cada; patrulhamento no interior e no entorno da terra indígena
por equipe de 15 pessoas, com periodicidade mínima de 10 dias por mês, além de
revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de aeronaves.
A determinação também foi para que as equipes sejam
capacitadas para apreender ou destruir instrumentos e pontes usadas na prática
dos delitos, prender em flagrante quem estiver praticando crimes ambientais
dentro e no entorno da terra indígena, inclusive com radiotransmissores
instalados em caminhões ou veículos batedores.
Na ação civil pública apresentada pelo MPF à
Justiça Federal que embasou a decisão, há um panorama da situação da terra
indígena Uru-Eu-Wau-Wau. A área abrange cerca de 1,8 milhão de hectares,
espalhados entre os municípios de Alvorada D'Oeste, Governador Jorge Teixeira,
Campo Novo de Rondônia, Mirante da Serra, Nova Mamoré e Monte Negro, em
Rondônia. Além dos indígenas Uru Eu Wau Wau, a terra indígena abriga outras
etnias, como Jupaú, Amondawa, Oro Twati, além de referências confirmadas de povos
isolados (isolados Bananeira, isolados do Cautário, isolados no Igarapé Oriente
e isolados no Igarapé Tiradentes).
O território é alvo de invasões, grilagem,
exploração ilegal de madeira e o desmatamento para expansão da pecuária. Desde
2016, o MPF recebe denúncias dos próprios indígenas, por intermédio da
Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau/Jupau e também da Associação de
Defesa Etnoambiental Kanindé relatando crimes ambientais e invasões. Apesar de
operações realizadas em 2017 (Operação Jurerei) e em 2019 (Operação Terra
Protegida), já em 2020 os indígenas e a Associação Kanindé informaram que
temiam um conflito armado na região, mencionando a morte do indígena Ari
Uru-Eu-Wau-Wau, ocorrida em 18 de abril de 2020.
O MPF apontou na ação que as fiscalizações
realizadas pela Funai e demais órgãos ambientais constataram a presença de
verdadeiras organizações criminosas constituídas por grileiros, madeireiros e
garimpeiros atuando na extração ilegal de madeiras e loteamento da área em
variados pontos. Por essa razão, o MPF argumentou na ação que a presença das
forças de repressão a crimes deve ser constante na área.
O número do processo é 1006683-89.2020.4.01.4100 e
pode ser consultado na página do Processo Judicial Eletrônico (PJ-e)
da Justiça Federal.
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