Quinta-feira, 1 de dezembro de 2011 - 11h29
Por 65 votos a sete, o plenário do Senado aprovou na última quarta-feira (30), em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de Jornalismo como condição para o exercício da profissão. Houve votos contrários. Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) argumentou que a profissão de jornalista não comporta "nenhum tipo de restrição", incluindo a própria exigência de diploma. Demóstenes Torres (DEM-GO), também é contrário à exigência de diploma e registro para a profissão de jornalista.
Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a exigência formal do certificado de conclusão do curso superior e do registro profissional no Ministério do Trabalho para os jornalistas fere a liberdade de imprensa e contraria o direito à livre manifestação de pensamento.
Agora vamos analisar. Com a obrigatoriedade do diploma, subentende-se que o jornalista terá que ler mais, se instruir mais e entender melhor, com mais profundidade, a sua relação com a sociedade. Afinal, jornalista não é menino de recado nem um mero transmissor de informação. O jornalista deve ser crítico, tem que conhecer para poder questionar. Tem que entender de política, ter noção de direito, economia, medicina e outros mais para poder entender certas situações e, assim, poder fazer as perguntas certas e as colocações adequadas ao escrever ou falar.
Bom, um jornalista assim pode vir a colocar certos doutores e políticos em saias justas. Logo, quanto menos estudo o jornalista tiver, melhor para os homens das cuecas e meias grandes.
Claro que diploma não forma bons jornalistas, mas coaduna para que o repórter tenha um arcabouço de informações e compreensão. Na busca pelo diploma, é inevitável que o jornalista se depare com grandes pensadores e mestres universais do jornalismo.
Ser repórter é ter uma função social. Somos o quarto poder, mas o somos não porque podemos questionar e nos expressar, e sim porque sabemos o que perguntar e sobre o que nos expressar.
Ir contra a obrigatoriedade do diploma, é torcer para que nossa imprensa se torne cada vez mais submissa e tenha uma idiossincrasia parca e burra. Contudo há quem ainda se indigne e se insurja contra essa expectativa. Que esses homens vençam na segunda votação da matéria no Senado.
Fonte: Toni Francis
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