Quarta-feira, 10 de junho de 2026 - 15h05

O entusiasmo em torno da Inteligência Artificial
existe, claro. Basta pesquisar “investimento + IA” no seu buscador favorito e
os resultados trazem cifras na casa dos bilhões. No entanto, longe das
manchetes e das Provas de Conceito (POCs) de laboratório, a realidade é mais
sombria: a maioria das organizações está presa em um abismo entre a promessa
tecnológica e a entrega de valor real. Sim, estamos falando de lucro! Estudo
recente do MIT Sloan, por exemplo, revelou que 95% das empresas falham em
acelerar sua receita com IA. Então, como ajustar a bússola?
Foco no repetitivo – O primeiro passo para que o
capital investido retorne como lucro real é abandonar a intuição enganosa de
começar pelo caso mais impressionante e focar no mais repetitivo. Não caia na
armadilha de tentar impressionar a governança com grandes feitos isolados. Os
melhores casos – o que chamamos de Agentics ou Agentes de IA – envolvem ações
que ocorrem diariamente, seguem um padrão lógico e possuem impacto mensurável.
É a automação da rotina que escala, não o projeto de prateleira.
Tecnologia não substitui a organização – Também é
um erro estratégico acreditar que a tecnologia resolve a falta de processos. A
IA não mudou a necessidade de estrutura, mas passou a punir quem não a tem.
Empresas sem processos claros estão apenas criando "dívidas
operacionais" que se traduzem em retrabalho e baixa confiabilidade. Como
dizemos na Fluxe: automatizar a ineficiência é apenas acelerar o erro. A
tecnologia pode ser o acelerador, mas a excelência operacional é o trilho. Sem
trilho, o trem descarrilha – e quanto maior a velocidade, maior o prejuízo.
Do auditor ao curador – A partir disso, ocorre uma
mudança importante: o gestor deixa de ser um auditor de conformidade, preso a
cliques e conferências manuais, para assumir o papel de curador de resultados.
Saímos de uma lógica rígida (o "se A, faça B") para uma operação
probabilística e fluida, capaz de aprender e ajustar a execução em tempo real
sob a supervisão humana. É a chamada "fluidez automatizada".
No fim, a única métrica que importa é se a IA moveu
um ponteiro que a liderança reconheça: redução de custo por transação, ganho
real de produtividade ou receita recuperada. Uso não é resultado. Resultado é o
que entra no balanço. Para que a IA deixe de ser uma buzzword e se torne ativo
financeiro, ela precisa se integrar à operação e redefinir a execução do
trabalho. Porque a IA não falha por falta de tecnologia, mas sim por falta de
direção.
Sobre autor: Julio César Freitas é CEO da Fluxe,
mestre pela USP e Professor Titular da FAAP, onde coordena os cursos de Gestão
Estratégica do Design e de Governança, Compliance e Gestão de Riscos.
Especialista em design e automação de processos, atua na intersecção entre
tecnologia e eficiência operacional, focando em converter o potencial da Inteligência
Artificial em resultados mensuráveis.
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