Quarta-feira, 10 de junho de 2026 - 12h59

A rápida digitalização dos
serviços públicos e privados no Brasil tem sido divulgada como sinônimo de
modernização e eficiência. Contudo, para a população com mais de 65 anos, está
“modernização” tem se tornado um obstáculo à cidadania, gerando exclusão
digital, social e econômica. É preciso repensar urgentemente a forma como
tratamos nossos idosos, garantindo que a tecnologia seja ferramenta de inclusão
e não mais um filtro que limita direitos básicos.
1. Barreiras técnicas que
afastam a terceira idade
2. A prova de vida do INSS
como fonte de ansiedade
A obrigatoriedade de validar a
“prova de vida” por selfie traz medo constante de bloqueio do benefício, que é
essencial para a compra de alimentos e medicamentos. A exigência de movimentos
específicos diante da câmera pode ser percebida como desumanizante, ferindo a
dignidade da pessoa idosa.
3. Bancos digitais e o
fechamento de agências físicas
Estas barreiras aumentam a
vulnerabilidade a golpes, pois o idoso passa a depender de terceiros - muitas
vezes desconhecidos - para lidar com suas finanças.
4. Consequências sociais e de
saúde
A exclusão tecnológica gera
isolamento, depressão e perda de autonomia. Quando o idoso desiste de marcar
consultas ou solicitar medicamentos por não conseguir navegar em plataformas
digitais, compromete‑se sua saúde e bem‑estar, violando o Estatuto da Pessoa
Idosa (Lei 10.741/2003).
5. Propostas de mudança
1. Manutenção
de canais presenciais – Agências, postos de atendimento e
unidades de saúde devem permanecer abertas, oferecendo alternativas ao serviço
digital.
2. Letramento
digital em larga escala – Programas gratuitos, com suporte
pedagógico adaptado às necessidades cognitivas e motoras dos idosos, devem ser
implementados em todo o país.
3. Design
inclusivo – Interfaces simplificadas, com fontes maiores,
contraste adequado e opções de autenticação que não dependam exclusivamente de
reconhecimento facial ou digital.
4. Legislação
efetiva – Fiscalizar o cumprimento das normas que garantem o
acesso universal a direitos e serviços, impondo sanções a órgãos que adotem
práticas excludentes.
Conclusão
A tecnologia não pode ser um
critério para determinar quem tem direito à dignidade. Uma sociedade
verdadeiramente moderna protege seus cidadãos mais vulneráveis, oferecendo
múltiplas vias de acesso a serviços essenciais. Ao reconfigurar a digitalização
com foco na inclusão, o Estado e as instituições financeiras asseguram que os
idosos -quem construiu o país com suas próprias mãos-tenham, ao menos, o
respeito e a autonomia que merecem. Só assim a inovação deixará de ser exclusão
e se tornará, de fato, um instrumento de justiça social.
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