Segunda-feira, 15 de junho de 2026 - 14h05

Projetos de lei para estimular novos doadores, apoio a campanhas de
coleta e aprovação de recursos destinados ao funcionamento da rede de
hemoterapia fazem parte das iniciativas que colocaram a doação de sangue
entre prioridade dos deputados estaduais nos últimos anos.
Durante o Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a
importância da doação regular, os parlamentares destacam a necessidade
de manter os estoques dos hemocentros preparados para atender a demanda
da população.
A mobilização também marca o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado
neste domingo (14). A data foi instituída pela Organização Mundial da
Saúde (OMS) em homenagem ao médico e imunologista austríaco Karl
Landsteiner, responsável pela descoberta do sistema ABO de grupos
sanguíneos.
Após a coleta, o material é separado em diferentes componentes, como
hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, permitindo que uma única
doação beneficie até quatro pessoas.
Dentro desse contexto, a Assembleia Legislativa também tem participado
de iniciativas voltadas à ampliação das doações e ao fortalecimento da
rede pública de atendimento. Em setembro do ano passado, a Casa de Leis
promoveu uma mobilização para doação de sangue e cadastro de medula
óssea em parceria com a Fundação de Hematologia e Hemoterapia de
Rondônia (Fhemeron).
A ação foi proposta pela deputada Ieda Chaves (União Brasil) e
teve como principal objetivo auxiliar na busca por um doador compatível
para Davi Lucas, menino de 9 anos de Porto Velho que enfrenta
tratamento contra a leucemia. A mobilização contou ainda com o apoio de
diversos parlamentares.
Além das campanhas de conscientização, a Assembleia tem aprovado
recursos destinados à manutenção e fortalecimento da estrutura de saúde
do estado. Entre as medidas adotadas estão créditos adicionais
suplementares destinados ao funcionamento do hemocentro e das unidades
de coleta de sangue, contribuindo para a continuidade dos serviços
prestados à população.
O incentivo à doação também tem avançado por meio de propostas apresentadas pelos deputados estaduais. Uma delas é o projeto de lei 1349/2026,
de autoria do deputado Ribeiro do Sinpol (PRD), que autoriza o Poder
Executivo a conceder desconto no IPVA para doadores regulares de sangue
em Rondônia.
Outra iniciativa foi apresentada pelo deputado Alan Queiroz (PL). O projeto de lei ordinária 1277/2026
institui o Programa Estadual de Conversão Educativa de Penalidades
Administrativas de Trânsito em Doação Voluntária de Sangue ou Medula
Óssea, buscando ampliar a participação da população em ações solidárias e
de interesse coletivo.
Assistente Social Maria Luiza Pereira detalha os passos para doação e tipos de sangue (Foto: Divulgação)
Prioridades da Casa
Presidente da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da
Assembleia Legislativa, o deputado Dr. Luís do Hospital (Novo) destacou
que a saúde pública permanece entre as prioridades das ações
desenvolvidas pelo Parlamento estadual.
"A saúde pública é uma das principais bandeiras do nosso mandato. Ao
longo dos últimos anos, temos atuado tanto na fiscalização das políticas
públicas quanto na destinação de recursos e na criação de leis que
ampliem o acesso da população aos serviços de saúde", afirmou.
O parlamentar ressaltou ainda a entrega de ambulâncias, veículos para
vigilância em saúde, equipamentos hospitalares, transporte para
pacientes e investimentos em hospitais e unidades de saúde em diversas
regiões do estado.
Segundo ele, o apoio às ações de coleta de sangue também tem feito parte
desse trabalho. "Em parceria com a Fhemeron, apoiamos ações para
ampliar as coletas no interior do estado, incluindo campanhas inéditas
em municípios e distritos que historicamente enfrentam dificuldades para
acesso a esse serviço.
Um exemplo foi a articulação que garantiu a realização de coletas em
Jaru e Tarilândia, contribuindo para o fortalecimento dos estoques da
rede pública", destacou.
Dr. Luís do Hospital também reforçou a importância da participação da população durante a campanha.
"Doar sangue é um gesto simples que salva vidas. Por isso, aproveitamos a
data para conscientizar a população sobre a importância de manter os
estoques abastecidos durante todo o ano. Como presidente da Comissão de
Saúde da Assembleia Legislativa, sigo trabalhando para fortalecer a rede
pública de saúde e ampliar o acesso da população aos serviços
essenciais em todas as regiões de Rondônia", concluiu.

Deputado estadual Luís do Hospital destaca ações em parceria com a Fhemeron (Divulgação)
Fhemeron alerta para baixo estoque de tipos sanguíneos negativos
Enquanto os estoques dos tipos sanguíneos com fator RH positivo
permanecem em situação considerada satisfatória em Rondônia, a Fundação
de Hematologia e Hemoterapia do Estado (Fhemeron) mantém atenção
especial aos tipos negativos, que apresentam menor disponibilidade e
exigem mobilização constante de doadores.
Segundo a assistente social da Fhemeron, Maria Luiza Pereira, os tipos
"O negativo", "A negativo" e "B negativo" são os que mais preocupam
devido à baixa quantidade de bolsas disponíveis.
"Os tipos RH positivo estão em estado satisfatório. A gente está
conseguindo atender toda a demanda transfusional do estado inteiro. Só
que estamos trabalhando com um estoque muito baixo dos negativos. O
negativo, A negativo e B negativo são sangues mais raros e, quando
existe uma demanda maior, precisamos de uma mobilização maior de
doadores", explicou.
A especialista destaca que os tipos mais utilizados na rotina hospitalar
são o "A positivo" e o "O positivo", o que torna a doação regular ainda
mais importante.
"São os tipos mais usados. Quanto mais doadores nós temos desses grupos,
mais conseguimos atender os pacientes que necessitam dessas bolsas de
sangue", afirmou.
Quem pode doar
De acordo com Maria Luiza Pereira, a doação é destinada a pessoas saudáveis e com peso superior a 50 quilos.
Pessoas com gripe ou febre não podem doar temporariamente. No caso de
hipertensão, a condição precisa estar controlada para que a doação seja
realizada com segurança.
"Você doa sangue para salvar vidas. Então, precisa estar saudável para poder ajudar alguém", ressaltou.
Impedimentos temporários
Entre os impedimentos temporários estão gripe, febre, gravidez e amamentação.
Segundo a Fhemeron, mulheres que estejam amamentando somente podem doar
após 12 meses do nascimento da criança. O mesmo prazo é exigido para
pessoas que tiveram malária, realizaram exames como endoscopia digestiva
ou colonoscopia, ou passaram por procedimentos como tatuagem, piercing
ou micropigmentação.
Como funciona a doação
O processo de doação começa com o cadastro do voluntário. Em seguida, o
candidato passa por uma pré-triagem, quando são verificados peso,
temperatura e sinais vitais.
Após essa etapa, ocorre a triagem clínica, conduzida por profissional de
saúde, com perguntas relacionadas às condições do doador. Estando apto,
o voluntário segue para a coleta.
A retirada do sangue dura, em média, 15 minutos. Junto com a bolsa
coletada, também são retiradas amostras para exames sorológicos e para a
confirmação da tipagem sanguínea.
Uma doação pode ajudar até quatro pessoas
Depois da coleta, o material segue para o setor de fracionamento, onde ocorre a separação dos componentes sanguíneos.
Por meio de um processo realizado em centrífuga, a bolsa é dividida em
plasma, plaquetas e hemácias. A partir do plasma, ainda podem ser
obtidos outros hemoderivados utilizados nos tratamentos de pacientes.
"Por isso se fala que uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas.
Eu faço uma doação e consigo ajudar até quatro pessoas diferentes",
explicou Maria Luiza.
Onde doar em Rondônia
O hemocentro coordenador funciona em Porto Velho e é responsável pela
realização dos exames laboratoriais das bolsas coletadas em todo o
estado.
Além da Capital, Rondônia possui hemocentros regionais em Ji-Paraná,
Ariquemes, Vilhena, Cacoal e Rolim de Moura. A rede conta ainda com um
posto de coleta em Guajará-Mirim.

Policial Charles Elias é doador há mais de 20 anos e diz que a motivação é salvar vidas (Divulgação)
As bolsas permanecem armazenadas nas unidades regionais, enquanto as
amostras de sangue são encaminhadas para Porto Velho, onde são
realizados os testes sorológicos necessários antes da liberação para uso
transfusional.
Entre o medo e a solidariedade, a decisão de doar
O policial civil e doador de sangue há mais de duas décadas, Charles
Elias, afirma que a principal motivação para manter as doações regulares
é a possibilidade de ajudar quem precisa. “Doar sangue é um ato de
solidariedade. Não custa nada e pode salvar vidas. Eu faço isso desde os
18 anos e sempre tive uma experiência muito tranquila. É um gesto
simples, mas que tem um impacto enorme para quem está precisando.”
Ele aproveita para incentivar novas pessoas a se tornarem doadoras.
“Muitas vezes o receio é maior do que a realidade. A doação é rápida,
segura e aquele sangue pode ajudar várias pessoas. Quando pensamos que
podemos contribuir para salvar vidas, qualquer medo vale a pena ser
superado.”
Para Charles, a doação representa mais do que um gesto de cidadania.
“Toda vez que vou doar, sinto que estou fazendo o bem e ajudando o
próximo. Saber que a sua atitude pode fazer diferença na vida de alguém é
algo que não tem preço.”
Doador frequente, ele garante que pretende continuar contribuindo. “Eu
procuro cumprir todas as doações que posso fazer ao longo do ano. É um
compromisso que assumo porque sei da importância que esse gesto tem para
quem depende de uma bolsa de sangue.”
Medo inicial, mas sensação mudou
O servidor público e jogador de basquete Diego Alexandre explica que
teve sensações diferentes com a experiência da doação. Ele relata que a
primeira doação foi motivada pela necessidade do familiar de um grande
amigo. "Assim que soube que precisavam do meu tipo sanguíneo, não pensei
duas vezes, soube na hora que precisava ajudar de alguma forma"
Mas a experiência inicial foi marcante. "Para ser sincero, a primeira
sensação foi de medo, pois eu não sabia exatamente como funcionava o
processo. No entanto, assim que cheguei ao hemocentro, fui tão bem
atendido que toda a ansiedade desapareceu. No momento da doação, o medo
deu lugar ao entendimento real da importância daquele ato".
Diego Alexandre teve medo no começo e alerta para que todos busquem informação (Foto: Divulgação)
Para o funcionário público, ajudar a salvar vidas é bem gratificante. "É
um sentimento indescritível. Perceber que um gesto tão simples e rápido
para nós pode significar uma vida inteira pela frente para quem precisa
é muito forte. Saber que, naquele momento, nós somos a esperança de
alguém traz um propósito enorme".
Diego também aproveita para deixar uma mensagem para quem ainda não é
doador. "Busque informação e deixe o medo de lado. O processo é
extremamente simples, seguro e rápido. O pequeno incômodo de uma agulha
não chega nem perto do tamanho do impacto de salvar uma vida"
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