Quarta-feira, 6 de maio de 2026 - 09h05

A percepção de que a mãe
Terezinha Rodrigues Rolim, hoje com 91 anos, precisava de estímulos mentais com
o avançar da idade, fez com a psicopedagoga e estudiosa do envelhecimento,
Danniela Rolim Medeiros (56), buscasse um método que proporcionasse uma
qualidade de vida para ela nesse processo. O cuidado também se estendeu para a
sogra Lúcia Gurgel Nogueira de Medeiros, também com 91 anos, e passou a
despertar a terceira geração da família: Sarah Rolim Medeiros (28). Mãe e
filha, Danniela e Sarah, atuam juntas no Super Cérebro Longevidade, em
Fortaleza (CE), e mostram uma realidade nesta data comemorativa tão
significativa, 10 de maio, em que elas são maioria no cuidado com os mais
velhos.
Consciente de que o
envelhecimento começa muito antes de qualquer diagnóstico e ainda é ignorado
por muitas famílias, Danniela percebeu os primeiros sinais com mais
sensibilidade na sua mãe: um esquecimento aqui, uma dificuldade ali, uma
mudança no humor ou na disposição. “Eu entendi que envelhecer não é sinônimo de
perder, é um processo que pode ser cuidado, estimulado e vivido com qualidade.
E foi nesse momento que eu tive a certeza de que não dava para esperar um
problema aparecer. Era preciso agir antes”, comenta a psicopedagoga. No início,
descreve, o cuidado era mais intuitivo e baseado em proteção. E com o tempo,
percebeu que proteger demais também limita.
A sua base em neurociência e
envelhecimento saudável foi fundamental para ressignificar completamente esse
cuidado consciente, por meio do estímulo cognitivo diário, incentivo à
autonomia, socialização e atividades que desafiam o cérebro. “Hoje, o foco não
é cuidar delas. É cuidar com elas. Eu não faço por elas. Eu estimulo que elas
façam, pensem, decidam, participem. E isso muda tudo: elas se sentem vivas,
participativas e confiantes. Porque o maior cuidado que podemos oferecer não é
fazer pelo outro, é manter esse outro ativo na própria vida”, acrescenta
Danniela.
Cabe destacar, que a maioria
das pessoas só desperta para isso quando já existe um comprometimento
cognitivo, emocional ou funcional, o que comprova a cultura muito forte de
cuidar do corpo e negligenciar a mente. O cuidado com o cérebro não pode ser
reativo, ele precisa ser preventivo, e isso precisa mudar. É recomendado por
especialistas em envelhecimento que a partir dos 40, 50 anos o cérebro seja
estimulado, treinado e fortalecido, pois há uma capacidade incrível de
adaptação, identificada por neuroplasticidade.
Entre as dicas para o convívio
familiar sadio com uma pessoa idosa, Danniela recomenda estimular a
independência; conversar; ouvir; incluir nas decisões; propor desafios (jogos,
leitura, cálculos, atividades cognitivas); incentivar a vida social; manter a
rotina com propósito; e valorizar a história e a identidade dessa pessoa. Por
outro lado, deve-se evitar infantilizar; fazer tudo por ela sem necessidade;
isolar; tratar como incapaz; e ignorar sinais emocionais. “O maior erro da
família é tirar a autonomia achando que está ajudando. E, na prática, isso
acelera o declínio”, alerta.
Terceira geração da família,
Sarah Rolim Medeiros (28) descreve a mãe como um exemplo de coragem. “Ela teve
a força de recomeçar e seguir o propósito dela, mesmo diante das dificuldades.
Convivendo com ela de perto, eu vejo isso todos os dias, na forma como ela se
posiciona, como trabalha e como cuida das pessoas”, compartilha. Inspirada na
mãe, que teve o instinto de estimular a avó no processo de envelhecimento, ela
também quer que ela passe por essa fase com autonomia e saúde mental ativa.
“Isso é algo que a gente começa a construir agora, no presente”, reforça.
No auge da sua juventude,
Sarah vem dando os primeiros passos para cuidar da mãe no futuro. Atleta, o
movimento já faz parte da sua vida, seguindo o exemplo dos pais dentro de casa,
que sempre foram ativos. “No dia a dia, o cuidado acontece por meio do
incentivo ao estilo de vida, estimulando a mente e, claro, com muito carinho.
Com minhas avós, o cuidado vem muito por meio da presença, do carinho e da
escuta. É respeitar o tempo delas, valorizar a história e entender que, muitas
vezes, o mais importante é simplesmente estar ali de verdade”, ensina. Sua
mensagem é para que as pessoas não deixem para valorizar depois, pois o
envelhecimento é um processo que acontece aos poucos, e a forma como a se faz
presente hoje, faz toda a diferença lá na frente.
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