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Gente de Opinião

Samuel Saraiva

O Eco dos Inocentes: A Anatomia de uma Humanidade Sentenciada pela Própria Insanidade


Enquanto poucos desfrutam dos atrativos banais oferecidos pelo consumismo, outros sentem na alma a agonia de uma realidade que envergonha aquilo que insistimos em chamar de civilização. - Gente de Opinião
Enquanto poucos desfrutam dos atrativos banais oferecidos pelo consumismo, outros sentem na alma a agonia de uma realidade que envergonha aquilo que insistimos em chamar de civilização.

A ação patológica ambiciosa pelo expansionismo geopolítico e o paradoxo da fé: por que insistimos em imolar a vida e devorar o próprio futuro?

 

O Grito Silencioso da Inocência

um lugar comum, invisível aos mapas geopolíticos, onde habitam as verdadeiras vítimas da história. São almas atordoadas, destituídas de voz e de escolhas, cuja única e mais profunda aspiração seria simplesmente existir em paz. Homens, mulheres, idosos, crianças e incontáveis animais seres tragados pelo turbilhão de guerras que não são suas.

Enquanto os arquitetos dos conflitos permanecem protegidos em gabinetes climatizados e confortáveis, alimentando financeiramente a poderosa e vergonhosamente lucrativa indústria da guerra, o front real é um cenário de terror abstrato e inimaginável para quem decide, mas brutalmente físico e mental para quem padece. Jovens, convencidos por narrativas ideológicas, sacrificam suas vidas sem jamais terem participado das decisões que os lançaram ao matadouro, aceitando como suas as narrativas mentirosas e irresponsáveis usadas para justificar a violência global. Nas cidades sitiadas, o odor da morte e da carne queimada substitui o perfume da vida em um planeta extraordinariamente belo, devastado pela irracionalidade.

Colocar-se na pele dessas existências anônimas é compreender o desespero e o colapso do humanismo: somos uma espécie que aprendeu a colonizar o intangível, mas que ainda reduz o semelhante a um "dano colateral".

O Paradoxo dos Altares: A Fé Sem Fraternidade

Diante da barbárie organizada, emerge uma contradição assustadora que corrói os alicerces da nossa civilização. Se aproximadamente 85% dos habitantes do planeta afirmam ser adoradores de Deus e dizem temê-lo, por que insistem em apregoar uma fé que não se realiza em termos de relações sadias e fraternas?

Qual é a utilidade prática de esgoelar-se em preces contemplando os céus e, simultaneamente, matar em nome de um Deus de amor, a serviço e em obediência ao absurdo?

Essa devoção cega, instrumentalizada pelo fanatismo, pela ignorância e pela intolerância, revela um egoísmo primitivo. Os homens armam-se para "defender" o Criador, como se a soberania e o poder de uma força universal necessitassem de milícias humanas como advogadas ou carrascos. O sagrado passou a ser utilizado como uma camuflagem moral para o instinto violento, cujos méritos seriam do próprio Criador, se validada como realista a teoria do criacionismo que fundamenta o cristianismo e outras religiões. Se praticassem a essência do que pregam, o cenário global seria de cooperação, mas a ganância continua a falar mais alto do que os mandamentos e as normas que defendem mas quebram às escondidas dos olhos dos semelhantes e o fazem ante os olhos da divindade que dizem acreditar ser onipresente e onisciente.

A Ilusão da Vitória e o Banho de Realidade

A história parece não haver nos ensinado absolutamente nada ou, se ensinou, desprezamos suas lições sistematicamente. Repetimos, século após século, os mesmos erros que levaram grandes civilizações ao declínio. Acreditamos derrotar inimigos quando, na verdade, seguimos derrotando a nós mesmos. Qual é a lógica de primeiro agredir, destruir e pensar depois, para só então reconstruir o que a nossa própria insensatez deixou debaixo de escombros?

O drama vivido por russos e ucranianos, por exemplo, ilustra essa falência da razão. Povos que compartilham profundas raízes históricas, culturais e linguísticas encontram-se separados por uma engrenagem de atrito implacável. Os dados de 2026 expõem o custo real e incontestável dessa monstruosidade:

            O Sangramento Humano: O conflito já ultrapassou a marca avassaladora de 2 milhões de baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos). O lado russo acumula 1,4 milhão de perdas (com até 450 mil mortos), um volume nove vezes maior do que a soma de todas as guerras travadas por Moscou desde 1945. Do lado ucraniano, os registros apontam entre 525 mil e 625 mil baixas.

            O Retorno à Idade Média Tática: A combinação de trincheiras, minas e drones transformou o campo de batalha em uma zona letal estática. O avanço terrestre desacelerou para míseros 50 a 90 metros por dia um ritmo arrastado que remete ao pior da Primeira Guerra Mundial, onde milhares morrem por centímetros de terra.

            A Ilusão Territorial: Apesar do custo humano absurdo, a Rússia sofreu recentemente sua primeira perda territorial líquida em anos, perdendo cerca de 400 km² a mais do que conquistou, enquanto a guerra avança em direção a grandes centros como Moscou e São Petersburgo.

Se essas questões fossem enfrentadas com uma diplomacia competente e compromisso genuíno com a preservação da vida, quantas famílias ainda estariam reunidas? Quantas cidades permaneceriam de pé?

Essa mesma falência da razão não se limita ao Leste Europeu; ela estende seus tentáculos dolorosos pelos conflitos que há décadas assolam o Oriente Médio e outras regiões do planeta. O prejuízo humano e o sofrimento latente daquelas populações representam uma ferida aberta na consciência global. No entanto, é precisamente ali, em meio ao cenário de devastação, que testemunhamos um dos maiores milagres da condição humana: a capacidade daquele povo de se manter profundamente hospitaleiro, generoso e fraterno. Mesmo quando a geopolítica destrói suas estruturas físicas, a preservação do afeto e da dignidade com o vizinho ou com o estrangeiro revela o lado mais bonito, nobre e indissolúvel da nossa própria essência.

Será que as elites planetárias não poderiam resolver suas questões poupando as populações civis, que, além das graves intempéries climáticas que as castigam, sofrem com a escassez de alimentos, energia e dificuldade de locomoção, tornando a vida um verdadeiro purgatório na Terra? Como olhar para uma criança pura com fome e ver na sua expressão um pedido de socorro que emudece ante a indiferença dos Czares do mundo?

As Instituições Falhas e o Custo da Insensatez

Tudo isso ocorre sob a legitimidade formal de sistemas políticos e jurídicos que chancelam mecanismos de violência. A legalidade, quando divorciada da ética, transforma-se em mero instrumento de poder. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) carece de poder coercitivo real, convertida muitas vezes em uma estrutura burocrática ineficiente e refém de apadrinhamentos políticos, falhando em sua missão precípua de evitar a guerra.

Enquanto isso, o orçamento global de defesa (ou ataque?) atinge a cifra astronômica de 2,46 trilhões de dólares anuais. Recursos produzidos pelo esforço de milhões de cidadãos são queimados em armamentos. Se apenas 50% desse valor fosse redirecionado para a agricultura sustentável, preservação ambiental, inovação tecnológica, medicina e educação, a realidade da fome e da miséria no planeta seria revertida em poucos anos.

Diante de números tão alarmantes, impõe-se um questionamento de pura lucidez: não seria infinitamente mais razoável, lógico e sensato utilizar as agências de inteligência e informação para o alcance preciso e cirúrgico daqueles que se colocam como inimigos da humanidade, poupando integralmente as populações civis? Uma abordagem focada na raiz pensante do conflito custaria uma fração do preço econômico e humano que hoje se paga. Essa lógica ganha contornos de imperativo ético quando validada pela própria teoria preventiva: se a neutralização de uma ameaça existencial iminente impõe-se como uma dura necessidade de salvaguarda coletiva, a razão exige que a ação antecipatória seja cirúrgica, direcionada estritamente contra as engrenagens e os indivíduos que geram o perigo, blindando e poupando a população civil. No entanto, a simplicidade e a sensatez dessa lógica esbarram no interesse financeiro de uma indústria inescrupulosa, cuja engrenagem lucra justamente com a propagação massiva de fatalidades e com a perpetuação do caos.

Até quando aceitaremos que a riqueza coletiva e a ambição humana sejam usadas para aperfeiçoar a destruição? Ou contaminar os objetivos filosóficos de novas tecnologias a IA, por exemplo , colocando-as a serviço da engrenagem de guerras e destruição, em vez da promoção da convergência do conhecimento tecnológico adquirido a serviço do atendimento de demandas legítimas da humanidade, impulsionando a ascensão da consciência? Preferimos ignorar soluções lógicas e viáveis como transformar reservas de água potável em Patrimônio da Humanidade ou utilizar técnicas de liofilização de alimentos em larga escala para erradicar a fome para priorizar a morte, o que financeiramente não custaria muito, mas traria um significativo alívio a milhares de seres humanos e animais.

Nesse cenário, a Inteligência Artificial emerge como um divisor de águas. Por ser baseada na lógica, ela poderia ser uma ferramenta extraordinária de mediação, capaz de prever e resolver conflitos de forma mais justa e rápida do que as paixões humanas. No entanto, a tecnologia é o reflexo de seus criadores. Se a IA falhar ou se tornar uma arma, a culpa será da falta de integridade ética dos humanos que a programaram.

A Revolução Moral da Razão

A verdadeira guerra jamais deveria ser travada contra povos, culturas ou fronteiras. Ela deveria ser dirigida contra aquilo que aprisiona a consciência humana: a ignorância, os dogmas, o fanatismo e a incapacidade de reconhecer no outro um semelhante. Diante de regimes extremistas e ameaças nucleares existenciais, a ação preventiva por vezes impõe-se como um realismo amargo para proteger a sobrevivência coletiva; contudo, o objetivo final deve ser sempre a obsolescência da própria guerra.

Nenhuma nação vence quando seus jovens morrem. Nenhum povo triunfa sobre ruínas fumegantes. A grande batalha civilizacional é pela evolução da consciência. Nascemos puros, mas somos moldados por sistemas que nos ensinam a odiar.

A grande revolução do futuro não será tecnológica; terá de ser moral. No dia em que a humanidade compreender que a razão vale mais do que o orgulho, que a cooperação constrói mais do que a dominação e que a vida possui valor superior a qualquer bandeira ou fronteira artificial, talvez finalmente possamos afirmar que começamos a merecer o nome de civilização.

A espécie humana alcançou a inteligência necessária para dividir o átomo, decifrar o genoma e explorar o espaço. O verdadeiro desafio, porém, continua sendo infinitamente mais simples: aprender a resolver diferenças sem transformar seres vivos em vítimas da própria incapacidade de racinar, promovendo convergências e circunscrevendo divergências menores.

English

 

The Echo of Innocents: The Anatomy of a Humanity Sentenced by Its Own Insanity 

 

Pathological ambition driven by geopolitical expansionism and the paradox of faith: why do we insist on immolating life and devouring our own future?

 

By Samuel Saraiva

The Silent Scream of Innocence

There is a common place, invisible on geopolitical maps, where the true victims of history dwell. They are bewildered souls, stripped of voice and choices, whose single and deepest aspiration would be simply to exist in peace. Men, women, the elderly, children, and countless animals—beings swallowed by the vortex of wars that are not theirs.

While the architects of conflict remain protected in climate-controlled and comfortable offices, financially feeding the powerful and shamefully lucrative war industry, the actual front line is a scenario of abstract and unimaginable terror for those who decide, yet brutally physical and mental for those who suffer. Young people, convinced by ideological narratives, sacrifice their lives without ever having participated in the decisions that threw them into the slaughterhouse, accepting as their own the deceitful and irresponsible narratives used to justify global violence. In besieged cities, the stench of death and burning flesh replaces the perfume of life on an extraordinarily beautiful planet, devastated by irrationality.

To put oneself in the shoes of these anonymous existences is to understand the despair and the collapse of humanism: we are a species that has learned to colonize the intangible, yet still reduces our fellow human beings to "collateral damage."

The Paradox of the Altars: Faith Without Fraternity

In the face of organized barbarism, a frightening contradiction emerges that corrodes the foundations of our civilization. If approximately 85% of the planet's inhabitants claim to be worshipers of God and say they fear Him, why do they insist on proclaiming a faith that fails to manifest in healthy and fraternal relations?

What is the practical use of screaming prayers while gazing at the heavens and, simultaneously, killing in the name of a God of love, at the service of and in obedience to the absurd?

This blind devotion, weaponized by fanaticism, ignorance, and intolerance, reveals a primitive selfishness. Men arm themselves to "defend" the Creator, as if the sovereignty and power of a universal force required human militias as its lawyers or executioners. The sacred has come to be used as a moral camouflage for violent instincts, the merits of which would belong to the Creator Himself, if the theory of creationism that underpins Christianity and other religions were validated as realistic. If people practiced the essence of what they preach, the global stage would be one of cooperation; instead, greed continues to speak louder than the commandments and norms they defend but break in secret from their peers—doing so right before the eyes of the divinity they claim to believe is omnipresent and omniscient.

The Illusion of Victory and the Reality Check

History seems to have taught us absolutely nothing, or, if it did, we systematically despise its lessons. Century after century, we repeat the same mistakes that led great civilizations to decline. We believe we are defeating enemies when, in reality, we continue to defeat ourselves. What is the logic of first attacking, destroying, and thinking later, only to then rebuild what our own foolishness left beneath the rubble?

The tragedy lived by Russians and Ukrainians, for example, illustrates this failure of reason. Peoples who share deep historical, cultural, and linguistic roots find themselves separated by a relentless mechanism of friction. The 2026 data exposes the real and undeniable cost of this monstrosity:

            The Human Bleeding: The conflict has already surpassed the staggering milestone of 2 million casualties (including dead, wounded, and missing). The Russian side has accumulated 1.4 million losses (with up to 450,000 dead), a volume nine times greater than the sum of all wars fought by Moscow since 1945. On the Ukrainian side, records point to between 525,000 and 625,000 casualties.

            The Return to Tactical Middle Ages: The combination of trenches, mines, and drones has transformed the battlefield into a static lethal zone. Ground advancement has slowed to a miserable 50 to 90 meters per day—a sluggish pace reminiscent of the worst of World War I, where thousands die for inches of land.

            The Territorial Illusion: Despite the absurd human cost, Russia recently suffered its first net territorial loss in years, losing about 400 km² more than it conquered, while the war advances toward major centers like Moscow and St. Petersburg.

If these issues were faced with competent diplomacy and a genuine commitment to preserving life, how many families would still be together? How many cities would remain standing?

This same failure of reason is not limited to Eastern Europe; it extends its painful tentacles through the conflicts that have plagued the Middle East and other regions of the planet for decades. The human toll and the latent suffering of those populations represent an open wound on the global conscience. However, it is precisely there, amidst the scenery of devastation, that we witness one of the greatest miracles of the human condition: the capacity of those people to remain deeply hospitable, generous, and fraternal. Even when geopolitics destroys their physical structures, the preservation of affection and dignity toward neighbors or strangers reveals the most beautiful, noble, and indissoluble side of our own essence.

Could the global elites not resolve their issues while sparing civilian populations? For besides the severe climatic hardships that punish them, they suffer from scarcities of food, energy, and freedom of movement, turning life into a true purgatory on Earth. How can one look into the eyes of a pure, hungry child and see in their expression a cry for help that falls silent before the indifference of the world's Czars?

Flawed Institutions and the Cost of Foolishness

All this occurs under the formal legitimacy of political and legal systems that sanction mechanisms of violence. Legality, when divorced from ethics, transforms into a mere instrument of power. The United Nations (UN) itself lacks real coercive power, often converted into an inefficient bureaucratic structure captive to political favoritism, failing in its primary mission to prevent war.

Meanwhile, the global defense (or attack?) budget reaches the astronomical figure of 2.46 trillion dollars annually. Resources produced by the effort of millions of citizens are burned in armaments. If only 50% of this amount were redirected to sustainable agriculture, environmental preservation, technological innovation, medicine, and education, the reality of hunger and misery on the planet would be reversed within a few years.

Faced with such alarming figures, a question of pure lucidity arises: would it not be infinitely more reasonable, logical, and sensible to utilize intelligence and information agencies for the precise and surgical targeting of those who stand as enemies of humanity, thereby completely sparing civilian populations? An approach focused on the thinking root of the conflict would cost a fraction of the economic and human price paid today. This logic gains the contours of an ethical imperative when validated by preventive theory itself: if the neutralization of an imminent existential threat imposes itself as a harsh necessity for collective safeguard, reason demands that the anticipatory action be surgical, directed strictly against the gears and individuals generating the danger, shielding and sparing the civilian population. However, the simplicity and wisdom of this logic clash with the financial interests of an unscrupulous industry, whose machinery profits precisely from the massive propagation of fatalities and the perpetuation of chaos.

Until when will we accept that collective wealth and human ambition be used to perfect destruction? Or to contaminate the philosophical goals of new technologies—AI, for instance—placing them at the service of the machinery of war and destruction, instead of promoting the convergence of acquired technological knowledge to serve the legitimate demands of humanity, driving the ascension of consciousness? We prefer to ignore logical and viable solutions—such as turning freshwater reserves into a Heritage of Humanity or using large-scale food lyophilization techniques to eradicate hunger—to prioritize death, which financially would not cost much but would bring significant relief to thousands of human beings and animals.

In this scenario, Artificial Intelligence emerges as a game-changer. Being based on logic, it could be an extraordinary tool for mediation, capable of predicting and resolving conflicts more fairly and quickly than human passions. However, technology is the reflection of its creators. If AI fails or becomes a weapon, the blame will lie on the lack of ethical integrity of the humans who programmed it.

The Moral Revolution of Reason

The true war should never be waged against peoples, cultures, or borders. It should be directed against that which impresses human consciousness: ignorance, dogmas, fanaticism, and the inability to recognize a fellow human being in the other. In the face of extremist regimes and existential nuclear threats, preventive action at times imposes itself as a bitter realism to protect collective survival; however, the ultimate goal must always be the obsolescence of war itself.

No nation wins when its youth die. No people triumph over smoking ruins. The great civilizational battle is for the evolution of consciousness. We are born pure, but we are shaped by systems that teach us to hate.

The great revolution of the future will not be technological; it will have to be moral. On the day humanity understands that reason is worth more than pride, that cooperation builds more than domination, and that life possesses a value superior to any artificial flag or border, perhaps we can finally state that we are beginning to deserve the name of civilization.

The human species has achieved the intelligence necessary to split the atom, decode the genome, and explore space. The true challenge, however, remains infinitely simpler: learning to resolve differences without transforming living beings into victims of our own inability to reason, promoting convergences and circumscribing minor divergences.

Español

 

El Eco de los Inocentes: La Anatomía de una Humanidad Sentenciada por su Propia Insanidad

 

La acción patológica ambiciosa por el expansionismo geopolítico y la paradoja de la fe: ¿por qué insistimos en inmolar la vida y devorar nuestro propio futuro?

 

Por Samuel Saraiva

El Grito Silencioso de la Inocencia

Hay un lugar común, invisible en los mapas geopolíticos, donde habitan las verdaderas víctimas της hisztoria. Son almas atordoadas, destituidas de voz y de elecciones, cuya única y más profunda aspiración sería simplemente existir em paz. Hombres, mujeres, ancianos, niños e incontables animales: seres tragados por el torbellino de guerras que no son suyas.

Mientras los arquitectos de los conflictos permanecen protegidos en gabinetes climatizados y confortables, alimentando financieramente a la poderosa y vergonhosamente lucrativa industria de la guerra, el frente real es un escenario de terror abstracto e inimaginable para quien decide, pero brutalmente físico y mental para quien lo padece. Los jóvenes, convencidos por narrativas ideológicas, sacrifican sus vidas sin haber participado jamás en las decisiones que los lanzaron al matadero, aceptando como propias las narrativas mentirosas e irresponsables utilizadas para justificar la violencia global. En las ciudades sitiadas, el olor a muerte y a carne quemada reemplaza el perfume de la vida en un planeta extraordinariamente bello, devastado por la irracionalidad.

Ponerse en la piel de estas existencias anónimas es comprender el desespero y el colapso del humanismo: somos una especie que aprendió a colonizar lo intangible, pero que aún reduce al semejante a un "dano colateral".

La Paradoja de los Altares: La Fe Sin Fraternidad

Ante la barbarie organizada, emerge una contradicción aterradora que corrói los cimientos de nuestra civilización. Si aproximadamente el 85% de los habitantes del planeta afirman ser adoradores de Dios y dicen temerle, ¿por qué insisten en pregonar una fe que no se realiza en términos de relaciones sanas y fraternas?

¿Cuál es la utilidad práctica de desgañitarse en rezos contemplando los cielos y, simultáneamente, matar en nombre de un Dios de amor, al servicio y en obediencia al absurdo?

Esta devoción ciega, instrumentalizada por el fanatismo, la ignorancia y la intolerancia, revela un egoísmo primitivo. Los hombres se arman para "defender" al Creador, como si la soberanía y el poder de una fuerza universal necesitasen de milicias humanas como abogadas o verdugos. Lo sagrado ha pasado a ser utilizado como un camuflaje moral para el instinto violento, cuyos méritos serían del propio Creador si se validara como realista la teoría del creacionismo que fundamenta el cristianismo y otras religiones. Si practicaran la esencia de lo que predican, el escenario global sería de cooperación, pero la codicia sigue hablando más alto que los mandamientos y las normas que defienden pero rompen a escondidas de los ojos de sus semejantes; y lo hacen ante los ojos de la divinidad que dicen creer que es omnipresente y omnisciente.

La Ilusión de la Victoria y el Baño de Realidad

La historia parece no habernos enseñado absolutamente nada o, si lo enseñó, desprezamos sus lecciones sistemáticamente. Repetimos, siglo tras siglo, los mismos errores que llevaron a grandes civilizaciones al declive. Creemos derrotar enemigos cuando, en realidad, seguimos derrotándonos a nosotros mismos. ¿Cuál es la lógica de primero agredir, destruir y pensar después, para solo entonces reconstruir lo que nuestra propia insensatez dejó bajo los escombros?

El drama vivido por rusos y ucranianos, por ejemplo, ilustra esta falencia de la razón. Pueblos que comparten profundas raíces históricas, culturales y lingüísticas se encuentran separados por un engranaje de fricción implacable. Los datos de 2026 exponen el costo real e incontestable de esta monstruosidad:

            El Sangrado Humano: El conflicto ya superó la marca abrumadora de 2 millones de bajas (entre muertos, heridos y desaparecidos). El lado ruso acumula 1.4 millones de pérdidas (con hasta 450,000 muertos), un volumen nueve veces mayor que la suma de todas las guerras libradas por Moscú desde 1945. Del lado ucraniano, los registros apuntan entre 525,000 y 625,000 bajas.

            El Retorno a la Edad Media Táctica: La combinación de trincheras, minas y drones transformó el campo de batalla en una zona letal estática. El avance terrestre se desaceleró a míseros 50 a 90 metros por día, un ritmo arrastrado que recuerda lo peor de la Primera Guerra Mundial, donde miles mueren por centímetros de tierra.

            La Ilusión Territorial: A pesar del costo humano absurdo, Rusia sufrió recientemente su primera pérdida territorial neta en años, perdiendo cerca de 400 km² más de lo que conquistó, mientras la guerra avanza hacia grandes centros como Moscú y San Presburgo.

Si estas cuestiones se enfrentaran con una diplomacia competente y un compromiso genuino con la preservación de la vida, ¿cuántas familias aún estarían reunidas? ¿Cuántas ciudades permanecerían de pie?

Esta misma falencia de la razón no se limita al este de Europa; extiende sus tentáculos dolorosos por los conflictos que desde hace décadas asolan el Medio Oriente y otras regiones del planeta. El perjuicio humano y el sufrimiento latente de aquellas poblaciones representan una herida abierta en la conciencia global. Sin embargo, es precisamente allí, en medio del escenario de devastación, donde somos testigos de uno de los mayores milagros de la condición humana: la capacidad de ese pueblo de mantenerse profundamente hospitalario, generoso y fraterno. Incluso cuando la geopolítica destruye sus estructuras físicas, la preservación del afecto y de la dignidad con el vecino o con el extranjero revela el lado más hermoso, noble e indisoluble de nuestra propia esencia.

¿Será que las élites planetarias no podrían resolver sus cuestiones cuidando a las poblaciones civiles, que, además de las graves intemperies climáticas que las castigam, sufren la escasez de alimentos, energía y dificultad de locomoción, haciendo de la vida un verdadero purgatorio en la Tierra? ¿Cómo mirar a un niño puro con hambre y ver en su expresión un grito de socorro que enmudece ante la indiferencia de los Zares del mundo?

Las Instituciones Fallidas y el Costo de la Insensatez

Todo esto ocurre bajo la legitimidad formal de sistemas políticos y jurídicos que avalan mecanismos de violencia. La legalidad, cuando se divorcia de la ética, se transforma en un mero instrumento de poder. La propia Organización de las Naciones Unidas (ONU) carece de poder coercitivo real, convertida muchas veces en una estructura burocrática ineficiente y rehén de apadrinhamientos políticos, fallando en su misión primordial de evitar la guerra.

Mientras tanto, el presupuesto global de defensa (¿o ataque?) alcanza la cifra astronómica de 2.46 billones de dólares anuales. Recursos producidos por el esfuerzo de millones de ciudadanos son quemados en armamentos. Si solo el 50% de ese valor fuera redireccionado hacia la agricultura sostenible, la preservación ambiental, la innovación tecnológica, la medicina y la educación, la realidad del hambre y de la miseria en el planeta se revertiría en pocos años.

Ante números tan alarmantes, se impone un cuestionamiento de pura lucidez: ¿no sería infinitamente más razonable, lógico y sensato utilizar las agencias de inteligencia e información para el alcance preciso y quirúrgico de aquellos que se colocan como enemigos de la humanidad, ahorrando íntegramente el sufrimiento a las poblaciones civiles? Un enfoque centrado en la raíz pensante del conflicto costaría una fracción del precio económico y humano que hoy se paga. Esta lógica gana contornos de imperativo ético cuando es validada por la propia teoría preventiva: si la necesidad de neutralizar una amenaza existencial inminente se impone como una dura necesidad de salvaguarda colectiva, la razón exige que la acción anticipatoria sea quirúrgica, dirigida estrictamente contra los engranajes y los individuos que generan el peligro, blindando y protegiendo a la población civil. Sin embargo, la sencillez y la sensatez de esta lógica chocan con el interés financiero de una industria inescrupulosa, cuyo engranaje lucra justamente con la propagación masiva de fatalidades y con la perpetuación del caos.

¿Hasta cuándo aceptaremos que la riqueza colectiva y la ambición humana sean usadas para perfeccionar la destrucción? ¿O para contaminar los objetivos filosóficos de nuevas tecnologías —la IA, por ejemplo, colocándolas al servicio del engranaje de guerras y destrucción, en lugar de la promoción de la convergencia del conocimiento tecnológico adquirido al servicio de la atención de demandas legítimas de la humanidad, impulsando la ascensión de la conciencia? Preferimos ignorar soluciones lógicas y viables como transformar reservas de agua potable en Patrimonio de la Humanidad o utilizar técnicas de liofilización de alimentos a gran escala para erradicar el hambrepara priorizar la muerte, lo que financieramente no costaría mucho pero traería un significativo alivio a miles de seres humanos y animales.

En este escenario, la Inteligencia Artificial emerge como un punto de inflexión. Por estar basada en la lógica, podría ser una herramienta extraordinaria de mediación, capaz de prever y resolver conflictos de forma más justa y rápida que las pasiones humanas. Sin embargo, la tecnología es el reflejo de sus creadores. Si la IA falla o se convierte en un arma, la culpa será de la falta de integridad ética de los humanos que la programaron.

La Revolución Moral de la Razón

La verdadera guerra jamás debería ser librada contra pueblos, culturas o fronteras. Debería dirigirse contra aquello que aprisiona la conciencia humana: la ignorancia, los dogmas, el fanatismo y la incapacidad de reconocer en el otro a un semejante. Ante regímenes extremistas y amenazas nucleares existenciales, la acción preventiva a veces se impone como un realismo amargo para proteger la supervivencia colectiva; no obstante, el objetivo final debe ser siempre la obsolescencia de la propia guerra.

Ninguna nación vence cuando sus jóvenes mueren. Ningún pueblo triunfa sobre ruínas fumegantes. La gran batalla civilizatoria es por la evolución de la conciencia. Nacemos puros, pero somos moldeados por sistemas que nos enseñan a odiar.

La gran revolución del futuro no será tecnológica; tendrá que ser moral. El día en que la humanidad comprenda que la razón vale más que el orgullo, que la cooperación construye más que la dominación y que la vida posee un valor superior a cualquier bandera o frontera artificial, tal vez finalmente podamos afirmar que empezamos a merecer el nombre de civilización.

La especie humana alcanzó la inteligencia necesaria para dividir el átomo, descifrar el genoma y explorar el espacio. El verdadero desafío, sin embargo, continúa siendo infinitamente más simple: aprender a resolver diferencias sin transformar a seres vivos en víctimas de la propia incapacidad de razonar, promoviendo convergencias y circunscribiendo divergencias menores.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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