Quinta-feira, 7 de maio de 2026 - 16h22

Pode
parecer simples, mas um gesto básico continua sendo uma das formas mais
eficazes de salvar vidas dentro das instituições de saúde: lavar as mãos da
forma correta.
Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do
Ministério da Saúde, mostram o impacto significativo de doenças associadas à
falta de higienização das mãos no Brasil. Em 2025, foram registrados 105.873
óbitos por influenza (gripe) e pneumonia, em todo o país. No mesmo período, as
infecções por coronavírus somaram 2.550 mortes.
No estado de Rondônia, os
números também chamam atenção. Foram contabilizados 577 óbitos por influenza e
pneumonia, ao longo de 2025, além de 32 mortes atribuídas a infecções por
coronavírus.
A falta de
higienização adequada das mãos é um fator importante na transmissão de doenças.
Além da influenza e da pneumonia, mãos contaminadas também podem contribuir
para disseminação de outras infecções, como conjuntivite, catapora, hepatite A
e outras doenças.
“Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções,
como gripe, diarreia e conjuntivite” afirma a infectologista e consultora para
ONA – Organização Nacional de Acreditação, Cláudia Vidal.
Infecções hospitalares ainda são um problema global – Apesar de
evitáveis, as chamadas infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS)
continuam sendo um desafio global. Dados da OMS mostram que até 30% dos
pacientes em UTIs podem ser afetados. E em países mais pobres, o risco pode ser
até 20 vezes maior e, até 2050, há previsão de até 3,5 milhões de mortes por
ano. A cada 100 pacientes internados, até 15 podem desenvolver infecções em
países de baixa e média renda. A situação é mais crítica em unidades de terapia
intensiva.
Brasil avança, mas ainda enfrenta desafios –
Últimos dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2024,
apontam que há melhoria nos indicadores de incidência de IRAS, mas o risco
ainda é alto.
O relatório alerta que a maioria das infecções de corrente
sanguínea ocorrem dentro das UTIs. A densidade de incidência chega a 3,5 casos
mil por cateter venoso central-dia em UTIs e nas neonatais, esse número sobe
para 6,1 casos. Ainda, segundo o levantamento, pneumonia associada à ventilação
mecânica segue entre as IRAS mais frequentes. As taxas podem chegar a 9,4 casos
por 1 mil ventilação mecânica-dia.
Infecção também pesa no bolso – Além do
impacto na saúde, as infecções também têm custo alto. Pacientes com infecção
podem gerar custos até 55% maiores no Brasil. Nos Estados Unidos, o impacto
passa de US$ 40 bilhões por ano e, na Europa, chega a € 7 bilhões anuais
Resistência a antibióticos – “O uso inadequado de
antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos
colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta a
dra. Cláudia Vidal.
Dados da OMS relatam que até 2050, podem ocorrer 10 milhões de
mortes por ano por infecções resistentes.
Uso inadequado de antibióticos ainda é um desafio no Brasil -
Dados da Anvisa mostram que uma parte das instituições de saúde já contam com
programas estruturados para o uso racional desses medicamentos, mas temos muito
o que avançar.
Entre os 153 serviços analisados, cerca de pouco mais da metade
(52,7%) têm Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado, o que
acende um alerta para as fragilidades dos serviços de saúde quanto ao controle
e monitoramento do uso desta classe de medicamentos tão importante.
Por outro lado, o monitoramento dentro das UTIs já é mais
frequente. Nas unidades adultas, cerca de 95,6% das Comissões de Controle de
Infecção Hospitalar acompanham o uso de antibióticos, enquanto nas UTIs
pediátricas, cerca de 82,8% fazem esse controle de antimicrobianos de forma
adequada.
Diante da elevada incidência das IRAS e do avanço da resistência
aos antimicrobianos – que podem comprometer a qualidade do cuidado e a
segurança do paciente – os desfechos clínicos podem ser cada vez mais
desfavoráveis aos pacientes. “Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é
imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna,
estratégias essas fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas!”,
finaliza a infectologista.

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