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Observatório da Indústria divulga dados da balança comercial de Rondônia do 1º Bimestre de 2026


Observatório da Indústria divulga dados da balança comercial de Rondônia do 1º Bimestre de 2026 - Gente de Opinião

O Observatório da Indústria de Rondônia divulgou o Relatório da Balança Comercial referente ao primeiro bimestre de 2026. De acordo com o levantamento, as exportações somaram US$ 444,4 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 511,1 milhões, registrando déficit comercial de US$ 66,7 milhões no período.

Se comparado ao mesmo período de 2025, as importações cresceram de forma expressiva, saltando de US$ 292,1 milhões para US$ 511,1 milhões, um avanço de 75%, sinalizando aumento da demanda por insumos e bens intermediários. Já as exportações também registraram crescimento, passando de US$ 354,7 milhões para US$ 444,4 milhões, alta de 25%. Nesse contexto, o saldo negativo não é interpretado como um problema estrutural, mas como reflexo de um ciclo produtivo integrado.

“Neste início de ano, Rondônia importa adubos e fertilizantes para preparar o solo, visando à exportação das safras nos meses seguintes”, afirmou o gerente do Observatório, Igo Ribeiro.

Esse movimento parece indicar um cenário de expansão econômica acompanhado de maior dependência externa, o que, na prática, reforça a necessidade de avançar na agenda de competitividade e adensamento da cadeia produtiva local. A análise mostra que o déficit foi impulsionado, principalmente, pelo aumento nas importações de insumos essenciais para a produção local e pela chamada importação escritural.

Os adubos e fertilizantes químicos lideram a pauta, com US$ 78,6 milhões, o equivalente a 15,4% do total importado. Além dos fertilizantes, também se sobressaem os investimentos em produtos industriais estratégicos, como laminados de ferro e aço, que somaram US$ 97,7, bem como geradores elétricos e suas partes, que totalizaram US$ 23 milhões.

Parte dessas importações é classificada como “importação escritural”, mecanismo previsto na Lei Estadual nº 1.473/2005. Nesse modelo, empresas com sede ou filial em Rondônia realizam a compra de produtos no exterior, mas a mercadoria não ingressa fisicamente no estado. O desembaraço aduaneiro ocorre em portos de outras regiões, como Santos, Paranaguá ou Rio Grande, enquanto o ICMS é recolhido em Rondônia.

Segundo o superintendente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Gilberto Baptista, esse formato permite maior flexibilidade logística às empresas. “Qualquer importador que tenha base em Rondônia pode desembaraçar o produto em qualquer porto brasileiro e utilizá-lo diretamente naquela região. Por isso, esses itens não chegam fisicamente ao estado nem concorrem com a produção local, como ocorre no caso dos lácteos”, explicou.

No campo das exportações, a carne segue como principal produto da pauta rondoniense, representando 57% do total exportado, o equivalente a US$ 247,4 milhões. Na sequência aparecem a soja, com 28,4%, e o milho, com 5,5%.

O relatório também evidencia a forte relação comercial com a China, principal parceira de Rondônia. O país asiático responde por 35,9% das exportações estaduais e por 53,8% das importações, revelando uma dependência estrutural em que atua, simultaneamente, como maior compradora de commodities e principal fornecedora de insumos produtivos.

Além da China, mercados como Estados Unidos, Espanha e México figuram entre os destinos das exportações rondonienses. Já países como Argentina, Turcomenistão e Irã se destacam como fornecedores.

O estudo resulta de um monitoramento mensal do comércio exterior realizado pelo Observatório da Indústria, com o objetivo de mapear fluxos comerciais, identificar oportunidades de diversificação e transformar dados em inteligência de mercado, a fim de apoiar a tomada de decisão de empresários e gestores públicos, ampliando a capacidade de planejamento e fortalecendo a inserção de Rondônia no cenário econômico global.

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