Domingo, 12 de fevereiro de 2012 - 09h03
Cerca de 120 km do centro da capital Porto Velho, 35 famílias, em sua maioria, ribeirinhos que viviam às margens do Rio Madeira, começam a escrever uma nova história. Remanejados para o Reassentamento Rural Coletivo da Usina Hidrelétrica Jirau, fazem parte de um projeto de desenvolvimento agrícola, proposto pela concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR). 
As propriedades, escolhidas pelos moradores em março de 2011, ficam em um local próximo à BR-364 e todos têm posse legal do terreno. Nos locais de origem, onde será formado o reservatório de Jirau, apenas 18 das 35 famílias, eram donas de suas terras.
A pescaria e a agricultura de subsistência formavam o perfil econômico do grupo de reassentados, que atualmente têm a oportunidade de viver exclusivamente do seu cultivo. Os produtores rurais estão em fase de implantação dos projetos de renda, que consistem na disponibilização, pela ESBR, de recursos para implementar projetos com assistência técnica.
“Os agricultores trazem suas ideias, que são estudadas quanto à viabilidade. Contudo, têm conhecido novas realidades, como associativismo, tecnologia agropastoril e pastejo rotacionado. Alguns implantam a fruticultura e bovinocultura mista”, conta o coordenador da Assistência Técnica e Social, o Zootecnista Sebastião Godoy.
A equipe de assistência técnica e social conta com dois assistentes sociais, um analista de projetos, um zootecnista e três técnicos de campo, sendo dois técnicos agrícolas e um engenheiro agrônomo.
O casal de agricultores Raimundo Luiz e Esmeraldina da Silva está há quatro meses no reassentamento e comemora. “Aqui vamos fazer melhor. Chego em casa de carro, pois temos acesso próximo do asfalto, a energia que não tínhamos e telefone para falar com os filhos a qualquer hora”, conta Luiz da Silva.
Como os demais 34 agricultores, o antigo morador da margem esquerda do Rio Madeira, recebeu em novembro de 2011, lote de 75 hectares (ha), com 15 ha destinados à produção e 60 ha à reserva legal. Inicialmente 1 ha foi corrigido (calagem e fertilização), fornecidas manivas (rama de mandioca) e kit de ferramentas. Para o casal da Silva, a colheita de abóbora, milho, banana, abacaxi e macaxeira já é uma realidade e dimensionam o aumento de sua renda. “Um terreno melhor, onde o que se planta, colhe”, revela o casal.
Manutenção e Associativismo
As famílias do Reassentamento Rural Coletivo, também tiveram a opção de receber as casas construídas nos lotes rurais ou em Nova Mutum Paraná, optando, todos, por Nova Mutum.
Outro benefício é o recebimento da verba de manutenção, por um ano e meio, até que comecem a obter renda com a implantação de projetos sustentáveis em suas novas terras.
Atividades coletivas e reuniões periódicas são realizadas entre os produtores, visando fortalecer os interesses comuns. “O incentivo não é apenas financeiro, é destinado ao desenvolvimento de um modelo de associativismo para que alcancem autonomia e ampliem suas possibilidades, como o acesso aos programas sociais do Governo Federal e às linhas de financiamento disponíveis”, ressalta o gerente de Socioeconomia da Energia Sustentável do Brasil, Luiz Antônio Medeiros da Silva.
Infraestrutura dos lotes
A infraestrutura do Reassentamento Rural Coletivo que está em implantação, conta com todos os lotes cercados e galpão de 15 m², incluindo banheiro, fossa séptica e poço artesiano. Além de 11 km de rede elétrica, 13,2 km em acesso cascalhado (4,7 km de estradas internas nos lotes e 8,5 km de estradas vicinais) e 45,5 km de cercas de arame liso.
Fonte: Comunica
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