Quarta-feira, 5 de outubro de 2011 - 08h04
Lucas Tatuí
“No Governo Confúcio Moura se repete o que acontecia na época do Governo Cassol, quando não havia abertura para o diálogo, forçando a deflagração de greves de servidores. Com esse novo governo, o Palácio Getúlio Vargas continua de portas fechadas para os sindicalistas”. As declarações são da dirigente sindical Mirtes Feitosa, que representa os servidores do Poder Executivo do Estado de Rondônia.
A sindicalista reclama que protocolizou, há mais de um mês, pedido de audiência com o governador, e que, até o momento, não obteve nenhuma resposta. “No dia 23 de agosto protocolizei um ofício solicitando uma audiência para tratar sobre assuntos de urgência, ligados aos interesses dos servidores, mas não recebemos nenhuma resposta, demonstrando assim total falta de atenção”, frisou.
Mirtes ainda revela que na última sexta-feira, dia 29 de setembro, foi novamente ao Palácio Getúlio Vargas para uma nova tentativa de audiência com o governador. “Voltamos a protocolizar mais uma solicitação de audiência para discutir a Pauta de Reivindicações dos trabalhadores, e esperamos que nos responda dessa vez”, disse a sindicalista.
“Queremos apenas um espaço na agenda do governador para discutir sobre questões como o Auxílio Saúde (levando em consideração salário e a faixa etária), como também buscar entendimento para que as Gratificações de Atividades Específicas sejam estendidas aos servidores que se encontram lotados no interior do Estado, visto que, independente da sua disposição, se encontram prestando suas atividades laborais em prol do Estado”, argumentou Mirtes Feitosa.
FALTA DE DIÁLOGO E CRISE
Os sete anos que antecederam o atual gestor estadual foram marcados pela falta de harmonia entre governo e sindicalistas. Não havendo diálogo e entendimento, os meios de conquistas recorridos, por parte dos representantes dos trabalhadores, foram as greves, atos públicos e protestos na Imprensa, na tentativa de atingir o governo e forçar uma flexibilização. Quando ocorreram vários movimentos paredistas, na educação, na saúde, na segurança, e até no setor fiscal fazendário - o que é muito raro neste setor.
A Eleição de um governo de oposição, em 2010, revelou um anseio de mudanças na forma de gerir o Estado. Antes mesmo de tomar posse, Confúcio Moura declarou: “não terá greve durante a minha gestão”, acenando para uma relação pacífica com os sindicalistas, baseada no diálogo. Inclusive, em seu primeiro mês no Palácio Getúlio Vargas, sentou-se à mesa com representantes dos trabalhadores da educação, quando foi discutido sobre medidas a serem adotadas pelo governo do Estado, visando valorização dos servidores e melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas estaduais.
Ao completar um ano do Governo Confúcio, a relação com os sindicalistas sofre desgastes. Para a sindicalista Mirtes Feitosa, um dos principais motivos são os impasses na questão do PCCS (Plano de Carreira, Cargos e Salários) que vêm sendo reivindicado por várias categorias. “As tentativas de diálogo têm se esbarrado na secretária-adjunta da Sead [Secretaria de Estado da Administração] sem ao menos chegar perto do gabinete do governador”, finalizou Mirtes.
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