Sexta-feira, 16 de agosto de 2013 - 14h46
“Nunca é tarde para aprender uma nova profissão e algo bom na vida”. É este o sentimento dos 13 reeducandos do Centro de Ressocialização Vale do Guaporé (CRVG) que participam, durante este mês de agosto, da oficina de artesanato Arte da Floresta, uma parceria entre o governo de Rondônia, através da Secretaria de Justiça (Sejus), Banco da Amazônia e Instituto Mirtes Rufino.
Biojóias, enfeites de semente, brinquedos, esculturas e entalhes em madeira são algumas das peças produzidas pelos reeducandos durante o curso. Conforme o diretor do Centro de Ressocialização, Wesley Germiniano, os reeducandos aprendem muito mais do que técnicas de produção de artesanato, aprendem uma nova profissão. “Todos foram selecionados de acordo com o comportamento e com o interesse demonstrado, tanto que a turma foi aberta inicialmente com dez vagas e, devido aos pedidos, incluímos mais três. Isso significa que a vontade partiu deles e esta é a principal motivação para que o aprendizado seja levado adiante”, observa o diretor.
Ensinando seus conhecimento e técnicas pela primeira vez no sistema penitenciário, a instrutora do curso e presidente do instituto, Mirtes Rufino, ficou surpresa com a dedicação dos reeducandos e se diz muito feliz com a oportunidade. “Eles aprenderam tudo muito rápido e revelaram verdadeiros talentos. São criativos e demonstraram verdadeira aptidão para o artesanato. Alguns deles já estão para sair e terão emprego garantido no instituto”, afirma.
O apenado Edilson custódio, que nunca havia trabalhado com artesanato e agora está fazendo esculturas em madeira, afirma que pretende seguir a profissão. “É muito bom. É um trabalho diferente dos que eu já tinha feito. Gostei muito e quero continuar”, declara sem parar de esculpir uma peça em madeira.
Ronaldo Farias, um dos instrutores do curso, é um exemplo de superação e força de vontade. Egresso do sistema penitenciário, começou a trabalhar com artesanato no ano de 2000, após ganhar a liberdade. Ele conta que passou por muitas dificuldades e que, devido ao preconceito que as pessoas têm contra ex-apenados, não conseguia emprego. Foi neste momento que viu no artesanato uma nova possibilidade de trabalho. “Sofri muito preconceito porque as pessoas não tinham confiança. Eu não conseguia emprego em lugar nenhum e a oportunidade que eu tive foi de trabalhar com artesanato”, lembra.
Além de ter se tornado artesão profissional, hoje Ronaldo possui sua própria oficina e fala com orgulho das feiras que participa em todo o país expondo seus produtos. “Fico feliz quando vejo que deu certo. Já participei de feiras em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. E também exportamos as peças para outros países como Canadá, Estados Unidos e Portugal”, comemora.
A oficina iniciou no dia 11 e vai até 31 de agosto. As aulas acontecem todas as quintas e sextas-feiras e tem duração de 8 horas por dia. O Instituto se comprometeu em continuar fornecendo o material para a confecção das peças e posteriormente comercializar a produção. “Desta forma eles podem continuar produzindo e ainda receberão pela venda das peças”, comentou Mirtes.
Fonte: Taiana Maier / Decom
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