Segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 - 10h37

“A Receita não pode ser convertida numa Gestapo” (Gilmar Mendes, ministro do STF, investigado pela Receita Federal).
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“Vocês sabem com quem estão falando?”
A velha máxima da prepotência nacional pode resumir a reação de Gilmar Mendes diante do vazamento publicado pela Veja desta semana sobre uma investigação para identificar supostos “focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência”.
Inconformado com o que chama de “estratégia deliberada de ataque reputacional”, Gilmar correu ao seu colega Dias Toffoli, presidente do STF, pedindo “providências urgentes” contra esse abuso.
As instituições não estão em pleno funcionamento, como não se cansam de repetir?
Toffoli acionou imediatamente o Ministro da Economia, Paulo Guedes, responsável pela Receita Federal, e Raquel Dodge, procuradora-geral da República, para que adotem “todas as providências cabíveis quanto aos fatos narrados pelo ministro Gilmar Mendes”.
Logo os demais membros da corporação manifestaram sua indignação e solidariedade ao colega, como soe acontecer nestes momentos graves.
É assim que as coisas funcionam em Brasília nas cortes e guildas dos três poderes, para quem a lei nem sempre é igual para todos.
Onde já se viu investigar um ministro do Supremo sem autorização dos ministros do Supremo?
Seria mais ou menos como qualquer juiz condenar um político sem pedir autorização aos dirigentes do partido dele, não é mesmo? Pode isso, Gilmar?
Se está tudo em ordem com o imposto de renda do ministro e de sua mulher Guiomar, qual é o problema?
Qualquer um de nós simples mortais não pode cair na malha fina da Receita? E vamos reclamar para quem? Para o bispo?
Assim se constrói a cultura da impunidade em seu mais alto grau, justamente lá onde deveria ser combatida.
Apesar de todas as tragédias e tantas impunidades, bom final de semana a todos, se possível.
Vida que segue.
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