Sexta-feira, 19 de junho de 2009 - 07h17
Amanda Mota
Agência Brasil
Manaus - Um grupo de mais de 300 índios de várias etnias permanece há dez dias no prédio da sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Manaus. Hoje (18), a juíza da 1ª Vara da Justiça Federal, Ana Paula Serizawa, deve decidir sobre o pedido de reintegração de posse feito pela Funasa.
O cacique da aldeia Tauari de Autazes, Antônio Mota, informou que entre os índios que ocupam o prédio estão 100 mulheres e 50 crianças.
Os índios exigem a exoneração do atual diretor do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Manaus, Radamésio Velasques de Abreu. Eles reclamam da administração da verba destinada à saúde dos povos indígenas.
"Queremos a exoneração do Radamésio e melhorias para os nossos povos. Chega de teoria, queremos a saúde indígena na prática", disse Mota.
O diretor do Dsei Manaus, que é responsável por 19 municípios do Amazonas, está na função desde 7 de maio de 2009. Cada Dsei gerencia as ações operacionais e administrativas da saúde indígena nos municípios de sua jurisdição.
A direção da Funasa, em Brasília, informou que aguarda o parecer judicial para retomar as atividades funcionais do órgão, em Manaus. A expectativa era de que a reintegração fosse concedida de imediato. No dia 12, contudo, a juíza Ana Paula Serizawa negou o pedido, considerando o desejo de ouvir as partes envolvidas antes de apresentar a decisão.
Na última terça-feira (16) a juíza reuniu, durante uma audiência de conciliação, representantes dos indígenas, da Funasa, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), mas não houve acordo.
Em nota, a Funasa informou que não negociará sob pressão. O documento informa que a invasão do prédio, paralisando as atividades do órgão, trará prejuízo no atendimento à saúde de mais de 122 mil indígenas da região.
A direção da Funasa julga improcedentes as críticas feitas ao diretor do Dsei de Manaus, Radamésio Velasques de Abreu, bem como desaprova o nome indicado pelas lideranças indígenas para substituí-lo.
Em entrevista à Agência Brasil, o vice-coordenador do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), Adelson Gonçalves, da etnia Tariano, revelou a existência de divergências entre os indígenas sobre a invasão, como consequência da falta de entendimento em relação às reivindicações apresentadas.
Gonçalves disse ainda que não conhece a pessoa indicada para substituir Radamésio (citado pelos manifestantes apenas como Zenildo). Para ele, a divisão de opiniões prejudica o movimento indígena e os próprios povos.
"Neste caso, somos contra a invasão porque não há um objetivo claro e comum para os povos indígenas do Amazonas. Os invasores querem trocar a direção do Dsei Manaus, mas não há nenhum problema com o atual chefe. Tem indígena sendo manipulado por lideranças que parecem estar interessadas nesse cargo", disse.
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