Quarta-feira, 23 de maio de 2012 - 16h30
Dominique Ecale, um dos palestrantes convidado para participar das atividades do Sindipan/RO durante a Semana da Indústria, explicou que é necessário ter uma formação profissional para atuar na área de panificação na França, e que o curso tem duração de no mínimo dois anos.
“Se alguém quiser ter e/ou trabalhar em uma padaria, poderá atuar somente se forem profissionais, assim como acontece em restaurantes, por exemplo, e mesmo que a empresa dos pais seja herdada aos filhos, a aptidão só se dará por meio de estudo e formação, o que já faz parte da educação profissional no país”, esclareceu.
Na França, há um pouco mais de 25 anos a qualidade dos pães decresceu, e que não havia diferenças entre o pão artesanal e o industrial, exceto pelo preço. “O mercado ficou dividido em 55% artesanal e 45% industrial, então as empresas através do chamado Sindicato das Padarias da França reagiu propondo uma votação de lei que protegia o padeiro, além do consumidor”, contou o especialista.
Em 1993 foi instituída a “Lei do Pão”, do decreto nº 93-1074 de 13 de setembro do ano de 1993, apreciado pelos consumidores e permite ao artesão se diferenciar de produtos industriais. Segundo ainda Dominique, a padaria artesanal passou a dominar 85% do mercado, trazendo grandes vantagens, mas também algumas exigências como o regime geral do trabalho, “em que a padaria deve fechar um dia na semana e três semanas ao ano, mas tudo acabou sendo bem aceito”, disse.
Ainda sobre a formação do profissional de panificação, o francês contou que, são necessários dois anos de formação, em que o aprendiz tem três semanas de atividade na empresa e uma semana na escola.
Existe ainda o Certificado de Controle, o que equivale a um nível superior do curso e o profissional poderá atual como chefe de produção, este com quatro anos de duração. O passo seguinte é formação como docente, que o professor licenciado terá a possibilidade de atuar em grandes empresas, como uma rede de hotéis, por exemplo, e ainda formar outros profissionais na área.
Os salários irão variar de acordo com o nível do profissional, esclarece Dominique. O padeiro irá ganhar em média mil e oitocentos euros (1.800 €), enquanto o chefe de produção terá um ganho de cerca de dois mil e quinhentos (2,500 €) e o professor poderá ter de cinco a seis mil de ganho mensal.
Na França existe uma padaria para cada dois mil habitantes, e o seu lucro poderá alcançar até trezentos mil euros (300.000 €) anuais.
O especialista falou ainda sobre o consumo francês de pães, o segundo lugar na Europa, “são 100 gramas de pão por dia para cada habitante, enquanto a Alemanha que está em primeiro lugar, o consumo diário é de 200 gramas por cada habitante”, finalizou.
Ao final da apresentação, Dominique exibiu vídeos que demonstram como acontece a produção no país, entre vilarejos e grandes padarias parisienses, todas com um número pequeno de funcionários, mas com grandes produções. Foram abertas perguntas em que os participantes puderam tirar dúvidas com relação ao produto, produção e mercado.
Fonte: Decom
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