Sexta-feira, 6 de junho de 2008 - 11h44
A construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, solidário e inclusivo só será possível com uma nova educação para a economia solidária, "que veja o ser humano como sujeito, e não como objeto", afirmou nesta sexta-feira (6) a senadora Fátima Cleide (PT-RO). Em discurso da tribuna, ela lembrou a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, na quinta-feira (5), e saudou a realização do Fórum Mundial da Educação, ocorrido de 28 a 31 de maio em Santa Maria (RS). Conforme informou a parlamentar, o evento, que teve como tema Educação, Economia Solidária e Ética Planetária, integra "o grande mutirão pela vida que se articula em todo o mundo".
A construção de um outro mundo é possível e está em marcha. Um outro mundo que se avizinha para todos e todas que acreditam nos valores que constroem a humanidade e juntos buscam a superação dos erros que nos levam às grandes catástrofes ambientais e sociais de hoje, ressaltou a senadora.
Fátima Cleide leu trechos da Carta de Santa Maria, documento produzido no evento realizado na cidade gaúcha, no qual os signatários afirmam que "as relações sociais capitalistas têm-se mostrado incapazes de promover condições de vida digna para a maioria da população mundial". Como princípios para as mudanças necessárias, informa a senadora, o Fórum aponta a economia solidária "como agente que promova a sustentabilidade ambiental, a justiça social, a cidadania e a valorização da diversidade cultural, articuladas às atividades econômicas", entre outros princípios.
Conforme ressaltou a parlamentar, o evento reuniu 35 mil participantes, entre brasileiros e representantes de 14 países, e contou com 130 empreendimentos em uma mostra de economia solidária. Como propostas, destaca Fátima Cleide, a Carta de Santa Maria propõe o fortalecimento de políticas públicas voltadas à formação para a economia solidária e a criação de redes de ensino, pesquisa e extensão nas universidades voltadas à "socialização do conhecimento produzido nos empreendimentos solidários".
Na avaliação da senadora, este é o caminho para superar os problemas vivenciados hoje pela humanidade, decorrentes de "uma fé absoluta nos desígnios do capital como ferramenta para nos facilitar a vida".
Mais que um arranjo econômico, o capitalismo também é uma espécie de religião, cujo deus é o capital e seu evangelho, observou.
Dizendo acreditar não ser a realidade atual "o fim da História", a senadora conclamou todos a participarem da mobilização mundial para "desinventar a tristeza que temos construído com nossa displicência contra a vida".
Fonte: Agência Senado
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