Terça-feira, 6 de maio de 2014 - 17h22
O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, deputado Hermínio Coelho (PSD), acompanhado do presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALE, deputado Euclides Maciel (PSDB), esteve nesta terça-feira (06) visitando as precárias instalações, para onde foram despachados os desabrigados da enchente do Rio Madeira, numa “operação de guerra” desenvolvida pelo Governo Estadual, através da Defesa Civil e Prefeitura da Capital. O presidente da ALE, classificou o local como nojento, impróprio para o ser humano, um autêntico campo de extermínio nazista.
A vistoria dos parlamentares ao local para onde foram levados os desabrigados foi de surpresa. O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, deputado Hermínio Coelho, disse que a situação é de selvageria e de total irresponsabilidade, pois pessoas se encontram expostas a situações humilhantes, onde falta respeito, dignidade, as mulheres não têm privacidade e a bandidagem toma conta.
Ao manter contato com os habitantes do local, os parlamentares ouviram diversos relatos dramáticos. Uma mulher denunciou que as crianças só têm direito a almoço e jantar se estiverem acompanhadas do pai ou mãe, e como ela trabalha, seu filho fica sem almoço, pois os servidores do Governo Estadual se negam a entregar sua refeição.
Uma outra moradora que anteriormente morava no bairro do Triângulo disse que antes o marmitex vinha com barata e outros insetos, e que agora, a comida vem crua e todo dia é frango, não tem nenhum tipo de alteração no cardápio. Além disso, prosseguiu, se sumir um garfo, todos são reunidos, humilhados e ameaçados de que caso o garfo não reapareça, o jantar ou o almoço será suspenso.
Outro morador do “campo de extermínio”, J. que morava no bairro do Areal disse que os moradores do local são constantemente constrangidos e ameaçados a não terem contato com a imprensa, e que caso isto ocorra, serão sumariamente desligados do Programa de Habitação. “Aqui não se pode reclamar de nada, temos que aceitar tudo e conviver com a humilhação constante”, complementou.
Uma moradora procurou os parlamentares para reclamar da falta de privacidade, onde as mulheres são obrigadas a tomarem banho de roupa. Em seguida levou os dois deputados até a lavanderia do local, onde a água encontra-se empoçada, comprometendo a segurança e a saúde das pessoas que se utilizam do local.
Em geral, os moradores reclamaram aos parlamentares o seguinte: do calor insuportável existente no local, principalmente durante o dia; da retirada do policiamento, inclusive da vigilância eletrônica; do uso de barracas desocupadas para orgias sexuais e em local para consumo de drogas; da ausência, negligência e omissão das autoridades do Estado e da Prefeitura; e do cenário de abandono e de agressão.
O presidente da ALE, deputado Hermínio Coelho disse que irá adotar inúmeros procedimentos, intimando autoridades para depor, além de outras medidas jurídicas. Segundo ele, esta bandalheira é a realidade do Governo Estadual e o caso é de interdição do local, e encaminhamento de denúncia por afronta aos direitos humanos.
Fonte: Paulo Ayres
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