Segunda-feira, 5 de março de 2012 - 12h35
Os jovens atendidos nos diversos cursos oferecidos pela Casa da Juventude, situada na Zona Leste da Capital, aprendem agora os conceitos e princípios de Ética e Cidadania, um processo que abriga múltiplos conhecimentos como: as regras de organização em sociedade, processos de aprendizagem, comportamento social (padrões, crenças, normas, tabus, tradições, instituições sociais entre outras).
A Casa da Juventude tem um programa de formação social e política em seu sentido mais amplo, de relacionamento e de saber viver em sociedade. A Ética e Cidadania busca oferecer a qualificação profissional e a possibilidade do trabalhador pensar um pouco mais sobre sua sociedade. Para Gidalti Guedes, orientador da disciplina, o currículo esta ainda em construção. “Estamos sempre adequando a demanda da Casa e temos uma equipe de formandos em Ciências Sociais da Universidade Federal de Rondônia que estão dando apoio”, conta.
Ele explica que as aulas trabalham com as expectativas dos alunos e os fazem criar um senso crítico. Em um primeiro encontro falam sobre seu projeto de vida, trabalhando o pessoal e como o aluno deseja crescer na sociedade. “A partir da perspectiva de projeto de vida é que vamos definir o que cada um é, e o que deseja ser perante a sociedade. Muitos chegam aqui e pergunto: Quanto você quer ganhar? E daqui a dez anos você vai querer estar recebendo o mesmo? Então trabalhamos os sonhos de cada aluno e o transformamos em projeto de vida. Para quem não tem projeto de vida qualquer caminho serve”, explica Gidalti.
Mudança
Gidalti fala que o curso debate também sobre o processo de socialização, trazendo uma abordagem para mostrar que o ser humano é um resultado do meio em que vive. “Somos seres mais condicionados do que propriamente livres. Mas tem uma possibilidade de romper com as condições impostas. Então as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade não estão fadados a continuar a viver na situação em que se encontram. É possível reagir. A questão é que a maioria das formações sociais e políticas são formações conteúdo. Não adianta falar que a sociedade é de uma forma, e não fazer o aluno discutir e pensar sobre isso”, afirma.
Base
O educador conta ainda que trabalha a questão econômica, social, ideológica e política. Explanando como a sociedade se organiza do ponto de vista social. “Trabalhamos a pirâmide social. Quem governa, é quem está no topo. E quem elege é a base. Como que um trabalhador vai eleger um trabalhador? Se houver uma ascensão social daquele trabalhador. A parte ideológica questiona a família e o estado. Como é a cultura de entretenimento de hoje, de novela, big brother, futebol e o uso de bebidas alcoólicas para aliviar a dor do trabalhador e fazê-lo esquecer de sua condição. Esta cultura do entretenimento é perfeita para iludir e dar uma sensação de liberdade àqueles que vivem na miséria”, acrescenta.
Encaminhamento
Os alunos terminam seus cursos não apenas capacitados para o mercado de trabalho, mais com um senso critico. Gidalti explica que o fechamento do ciclo de debates trabalha na área de como que os estudantes vão atuar na sociedade de hoje. Também são explicados os poderes executivo, legislativo e judiciário. E ainda, o poder da sociedade civil como fiscalizadora do processo. “Nós trabalhamos também como estes cidadãos poderão atuar no grêmio estudantil ou como líder de classe e entre outros e como ajudando os amigos que são dependentes químicos, encaminhando para órgãos responsáveis. Isso para que ele possam efetivamente cumprir seu papel de cidadãos. Para que ele entenda o papel dele e possa contribuir, talvez os resultados não sejam vistos agora, é algo para geração futura”, disse.
Fonte: Rebeca Barca
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