Terça-feira, 3 de agosto de 2010 - 06h31

Quero abrir a crônica de hoje alertando os senhores vereadores e deputados estaduais que representam Porto Velho para a situação emergencial que a capital passa com a estiagem e suas conseqüências. Ao contrário do que autoridades estaduais e municipais prometiam há quase um ano atrás – lembram? Aqueles célebres 100 por cento de água tratada? -, estamos, na verdade, vivenciando um verdadeiro colapso de abastecimento nos bairros populosos da capital rondoniense.
Percorri bairros maltratados – inclusive algumas invasões – no final de semana e constatei a situação deplorável que atinge milhares de moradores. Uma situação agravada pela seca. Regiões onde os poços caseiros com 10 metros de profundidade não mais vertem água, obrigando as famílias a ampliarem as escavações para o aprofundamento. Cada metro extra cavado nos bairros custa para os “sem –água” a quantia de R$ 75 a R$100,00, recursos dispendiosos, já que muito não tem sequer para o pão nosso de cada dia.
Trata-se de um momento emergencial onde a prefeitura de Porto Velho e o governo do estado, em parceria com a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia –Caerd deveriam se unir para dar assistência e aliviar o drama deste povo carente. A coisa afeta a saúde pública, porque sem água tratada a verminose se alastra, provocando mais demandas nos postos de saúde estaduais e municipais.
É difícil imaginar que uma cidade, como Porto Velho, banhada pelo Rio Madeira, o maior afluente a margem direita do rio Amazonas, o maior do mundo, padeça com a falta de água. Mas é uma realidade: temos bairros na Zona Leste, ou mesmo na Zona Sul, onde mulheres e crianças, com latas de água na cabeça, imitam a imagem de um sofrido agreste nordestino.
Seja na Vila Mariana, ou a no bairro Cidade do Lobo, seja nas invasões, ou em tantas outras comunidades periféricas, vemos a mesma toada, com a falta do precioso líquido. Todos já clamam por caridade as chuvas de São Pedro, enquanto aguardam amparo das autoridades municipais e estaduais, ou pelo menos um carro pipa de socorro, da nossa omissa Caerd.
Fonte: Carlos Sperança - [email protected]
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