A cúpula do PMDB é formada por políticos de matizes e origens diversas. Porém seus membros têm ao menos um fator em comum: todos foram ou são investigados em casos de mau uso de dinheiro público, corrupção, dentre outros crimes, que não se limitam apenas aos fatos investigados pela Operação Lava Jato. Eles negam todas as acusações.
Conhecido por sua tendência governista, desde o fim do regime militar, o PMDB rompeu na última terça-feira (29) com a gestão da presidente Dilma Rousseff, após 13 anos de alinhamento com os governos petistas. Originado do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição à ditadura, o PMDB é a mais antiga agremiação brasileira e tem o maior número de filiados: quase 2,4 milhões de pessoas, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), relativos ao último mês de fevereiro.
Veja abaixo alguns casos de corrupção que envolvem cardeais do PMDB.
Davi Ribeiro/Folhapress
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reuniu indícios em dezembro de 2015 de que o vice-presidente teria recebido R$ 5 milhões do dono da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados em decorrência do escândalo da Petrobras. Até o momento, não há acusação formal contra ele, que também foi citado na delação do senador Delcídio do Amaral --segundo a denúncia, Temer foi o responsável pelas indicações dos ex-diretores da Petrobras Jorge Zelada e João Augusto Henriques, condenados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Outro delator, o lobista Júlio Camargo, afirmou no ano passado em depoimento que Temer era um contato de Fernando Baiano, também lobista, no PMDB. Camargo e Baiano admitiram ter participado do esquema de propinas envolvendo a Petrobras. OUTRO LADO: Temer negou ter se beneficiado com o recebimento de qualquer recurso de origem ilícita. Segundo sua assessoria de imprensa, o diretório nacional do PMDB recebeu, em 2014, um montante total de R$ 5,2 milhões da OAS, que foi declarado nas prestações de contas do partido enviadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não ocorrendo nenhuma ilegalidade na operação. O vice-presidente também negou ter indicado Zelada e Henriques à Petrobras. "As indicações foram feitas pela bancada do PMDB de Minas Gerais. O vice-presidente não tinha nenhum contato com essas duas pessoas", afirmou a assessoria de imprensa. Temer também disse, por meio da assessoria, não conhecer Fernando Baiano --"nunca teve ou tem com ele qualquer relação"-- nem Júlio Camargo.
Renato Costa/Folhapress
O presidente do Senado é detentor de um recorde incômodo para sua biografia. Ele é o político com mais processos por corrupção no STF no âmbito da Operação Lava Jato: são nove no total. Em outro caso rumoroso, Renan é acusado de apresentar notas fiscais falsas ao Conselho de Ética do Senado em 2007. À época, ele renunciou ao cargo de presidente do Senado para escapar da cassação de seu mandato. OUTRO LADO: O senador tem negado ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. Em nota divulgada em abril, a assessoria do peemedebista disse que o senador "reitera que é zero a chance de ter participado ou cometido irregularidades. Sobre a acusação de 2007, Renan admitiu, em fevereiro de 2016, ter cometido um "excesso", mas disse que o caso envolve uma questão pessoal que precisa ser preservada. "Sobre essa matéria é preciso que se diga, primeiro, que quem pediu a investigação junto ao STF e ao Ministério Público fui eu. Eu, mais do que qualquer um, tenho total interesse que essas coisas se esclareçam. Isso não envolve dinheiro público", afirmou.
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pedro Ladeira/Folhapress
Senador por Roraima, Romero Jucá serviu como líder do governo de FHC, Lula e Dilma. Além de ser alvo de três inquéritos no STF, por crimes como apropriação de contribuição previdenciária e crime eleitoral, o vice-presidente do partido teve seu nome citado em delações da Lava Jato, inclusive a do senador Delcídio do Amaral. Jucá também aparece nas planilhas encontradas na casa de um executivo da construtora Odebrecht, durante uma das fases da operação. OUTRO LADO: Sobre a inclusão na delação de Delcídio, Jucá disse nunca ter tido "uma relação mais próxima" com o senador e que "qualquer dúvida deve ser investigada". Sobre a citação na planilha da Odebrecht, a assessoria de Jucá afirmou que o "TSE aprovou, sem ressalvas, todas as doações de campanha do parlamentar".
Arte/UOL
Alan Marques/Folhapress
Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)