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Política - Nacional

Briga entre Coca-Cola e Ambev reduz preços de refrigerantes


Cibele Gandolpho - Agência O Globo SÃO PAULO - Com a chegada do verão e das festas de fim de ano, em dezembro, o consumo de refrigerantes é 50% maior que a média de outros meses. Com a disputa de mercado, os refrigerantes de marca costumam realizar promoções ou reduzir seus preços, o que prejudica os produtos populares, as chamadas tubaínas. Se contar que o Brasil é o terceiro país em consumo per capita, com 65 litros ingeridos por pessoa por ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (198 litros) e do México (147), essa guerra promete ir bem mais longe. O Grupo AmBev, que tem 17% de participação do mercado brasileiro, anunciou em novembro que pretende reduzir em até 20% os preços de refrigerantes como o Guaraná Antarctica e a Pepsi para tentar ganhar espaço no segmento de refrigerantes, liderado à distância pela Coca-Cola, que registrou 55,1% de participação de mercado no país. Os fabricantes menores reclamam que a medida representa apenas de uma jogada para quebrá-los. - Fim de ano não é época para fazer promoções, já que o consumo é muito grande. Isso prejudica as indústrias menores - diz Sid Gallo, diretor co- mercial da Dolly. A Arco Íris, fabricante de São José dos Campos, acredita que os grandes façam promoções cruzadas, ou seja, diminuem o preço das embalagens de dois litros e aumentam outros produtos de outras embalagens, como latinhas. - Como nós, menores, produzimos basicamente a versão de 2 litros, somos prejudicados com essas ações. Não existe outro interesse na manipulação de preços, senão o mercadológico - diz o diretor-geral da Arco Íris, Ademar Watanabe. O presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes Regionais (Afrebras), Fernando Bairros, apresentou uma denúncia à Secretaria de Direito Econômico (SDE) contra a AmBev e a Coca-Cola, devido à redução de preços que as duas gigantes fazem nesta época do ano. - Isso fecha muitas indústrias, que não conseguem competir - queixa-se. Segundo ele, os supermercados querem pagar metade do preço pelas tubaínas, já que têm muita oferta de produtos de marcas, o que impede as demais de sobreviver. Em 2003, o Brasil chegou a ter 850 fabricantes regionais. Hoje, esse número não chega a 300, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes (Abir). A entidade é imparcial e diz que qualquer empresa tem o direito de fazer promoções quando quiser. A AmBev informou que a redução não será uma ação global nem duradoura. Deve atingir apenas algumas regiões e pode ou não incluir a Sudeste. Já a Coca-Cola informou que não define a sua atuação a partir de mudanças de estratégia de concorrentes, o que não deixa claro se vai reduzir preços no verão. No entanto, o Diário constatou entre os donos de padarias da Capital que a latinha da Coca-Cola deve ficar mais cara neste mês. Um comerciante disse que já foi avisado pela distribuidora que a lata vai ter um acréscimo de R$ 0,05 para a padaria. - Se isso realmente acontecer, teremos de repassar o custo para o consumidor - disse um dono de padaria que não se identificou.

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