Quarta-feira, 13 de agosto de 2025 - 16h05

O Ministério Público Federal (MPF)
recomendou à Coordenação-Geral de Geoprocessamento da Fundação Nacional dos
Povos Indígenas (Funai) que adote providências imediatas para reforçar e tornar
visíveis os limites geográficos da Terra Indígena Sagarana, localizada no
município de Guajará-Mirim (RO). O objetivo é prevenir conflitos fundiários
entre os moradores da aldeia e as comunidades não indígenas, bem como preservar
os recursos ambientais da área.
A recomendação tem como base procedimentos administrativos instaurados para
apurar conflitos territoriais e ambientais envolvendo a Terra Indígena Sagarana
e seu entorno, especialmente na divisa com o Distrito de Surpresa (RO). O MPF
identificou, entre outros fatores, a instalação de cercas em áreas que se
sobrepõem ao território indígena, o que acirrou a tensão entre comunidades
locais.
Segundo o documento, a aviventação (reforço e visibilidade) dos marcos e
divisas pode evitar agravamento de disputas e é imprescindível para garantir os
direitos territoriais dos povos indígenas. Tais direitos são reconhecidos pela
Constituição Federal, pela Convenção 169 da OIT e pela jurisprudência da Corte
Interamericana de Direitos Humanos.
A Funai tem 20 dias para informar se acatará ou não a recomendação, e, em caso
positivo, 90 dias para adotar as medidas ou justificar eventual não
cumprimento. O MPF advertiu que a omissão poderá ensejar a adoção de medidas
judiciais cabíveis para assegurar os direitos dos povos indígenas e evitar a
degradação ambiental do território tradicional.
Caso a fundação não disponha de meios próprios para executar a medida, o MPF
sugere, como alternativa, que a Funai adote atos internos para a celebração de
convênios ou acordos de cooperação técnica com instituições públicas, como os
municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré, o estado de Rondônia, a Universidade
Federal de Rondônia (Unir) e/ou o Exército Brasileiro.
Sagarana – A Terra Indígena Sagarana foi
demarcada por decreto federal em 1996, mas enfrenta pressões externas e
disputas de uso da terra. A medida recomendada visa também dar resposta
institucional a um histórico de animosidade entre moradores da aldeia e
comunidades não indígenas da região.
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