Segunda-feira, 5 de outubro de 2020 - 15h30

Até que se conheça o nome do cidadão ou da cidadã que irá comandar os destinos do município de Porto Velho, a partir de janeiro de 2021, muita água vai correr debaixo da ponte. E muita coisa podre também. Logo, as portas das cloacas serão abertas, produzindo, assim, um odor extremamente desagradável. Na disputa por espaços, há de tudo um pouco, desde a enciclopédica burrice até o camaleonismo mais deslavado, da grosseria pessoal à mentira soez, do patético ao caricato mais vulgar. Nada, porém, escapará à análise criteriosa do povo. É o que se espera.
O eleitor consciente não vai deixar-se levar por discussões estéreis, vazias de conteúdo, tampouco pelo denuncismo barato ou pela demagogia de quem só pensa em seus mesquinhos privilégios. Ele vai analisar a vida pregressa, antiga ou recente, de todos os concorrentes, seja para o Poder Executivo, seja para o Poder Legislativo, mergulhando fundo nos campos da honestidade, da competência, da sinceridade, qualidades essas, aliás, que deveriam ser o apanágio de todo homem público, tornam-se, hoje, uma exigência, por assim dizer, prioritária, principalmente depois que a Lava Jato escancarou as porteiras do setor público, de alto a baixo escalão.
Não custa lembrar, contudo, que a política, como ciência, atrai – e muito. Como instrumento para alcançar o poder atrai muitas vezes uma legião de abutres, como se fosse carne necrosada. Os episódios – recentes ou não – estão aí para quem quiser vê-los. A cartilha da ambição, da deslealdade e do cinismo, continua a nortear as atitudes de muitos homens públicos. Muitos buscam um mandato com a intenção de saquear o erário ou para gozar dos privilégios e das mordomias que o cargo oferece. Muitos, inclusive, chegam a fazer planos, desde já, sobre as vantagens que serão aferidas, não se importando com o fato de que toda a sociedade está acompanhando, sofrendo e repudiando.
Mas nem tudo está perdido. Se o eleitor procurar, atentamente, com certeza vai encontrar algumas porções de trigo em meio a tanto joio, desde que o faça de maneira séria, criteriosa e com responsabilidade. Vamos caprichar na escolha com a arma do voto. Vamos ocupar os espaços com gente honesta e competente, sarjando os cancros purulentos que impregnam a vida pública.
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