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Uma audiência pública inútil


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

o Brasil, quando não se quer resolver nada, logo se cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso, cujo relatório final quase sempre acaba esquecido numa dessas gavetas da burocracia oficial, ou, então, se realiza uma audiência pública para analisar e propor solução, por exemplo, para o bueiro entupido de uma rua qualquer da cidade, abandonada há décadas pelo poder público municipal, mas todo mundo sabe, ou, pelo menos, quase todo mundo, principalmente os moradores do local, que esse tipo de iniciativa redunda inócua, por isso mesmo pouca gente comparecer ao plenário para prestigiar.

Segunda-feira (17/02), a Câmara Municipal de Porto Velho realizou uma audiência pública para debater os alagamentos na cidade, uma iniciativa do vereador Márcio Pacele, que, salvo engano, está em seu quarto mandato, mas, pelo visto, só agora se deu conta da gravidade da situação. Em vez de se reunir para discutir a questão dos alagamentos, as autoridades responsáveis pelos destinos da cidade deveriam buscar os recursos para solucionar o problema, que é bastante conhecido, principalmente por parte dos moradores que todos os anos têm suas casas invadidas pelas águas, porém, até hoje, ninguém se dignou a resolver o assunto, preferindo empurrá-lo com a barriga, enquanto o povo padece.

A meu ver, audiência pública é inútil. A saída para os frequentes alagamentos na cidade de Porto Velho passa, necessariamente, por investimentos pesados em drenagem e infraestrutura, um tipo de obra que nem todo gestor público gosta de realizar, simplesmente porque não aparece, fica enterrada, não se presta a inaugurações pomposas, com direito a discursos maçantes. Essa audiência pública, como tantas outras realizadas pela Câmara Municipal, está destinada ao fracasso, visto que não mudará a realidade dos que mais sofrem com as alagações.

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