Sábado, 15 de julho de 2017 - 15h59
Imagine a cena. Está rolando um julgamento. De repente, a defesa percebe que a maioria dos jurados vai votar contra a sua tese. O advogado se desespera? Se descabela? Pede ajuda os universitários? Não, troca simplesmente os jurados que iam votar contra por outros que ele convenceu, de algum modo, provavelmente corrompendo-os, a votar a favor.
Foi o que aconteceu ontem na espúria reunião da CCJ que mais uma vez expôs as vísceras corruptas do governo.
Temer não tinha votos para derrubar o relatório de Sérgio Zveiter que acolheu a denúncia de Janot; mandou, então, trocar os aliados que diziam abertamente que votariam contra ele por outros que concordaram em votar a favor.
Os argumentos que os convenceram ninguém sabe exatamente quais foram, embora se saiba que tudo o que esse governo é proibido, imoral ou engorda.
Ao menos um dos deputados trocados, o delegado Waldir, chamou o governo de corja de ladrões para baixo e disse que venderam o voto do seu partido.
Ninguém contestou.
Qualquer pessoa decente sentiria vergonha de ganhar desse modo, fazendo gol de mão. Temer, não: mandou dizer que foi uma vitória da democracia.
Eu não sabia que era esse o novo nome da ditadura de corruptos.
Temer se defende da acusação de corrupção fazendo o que seu grupo faz melhor: praticando-a.
Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos
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