Quinta-feira, 8 de outubro de 2015 - 23h01
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Os deputados estaduais deram uma grande amostra de que, seguindo a política do “ouvir dizer”, perdem tempo, o contribuinte vê seu dinheiro, via impostos, ser jogado fora e os parlamentares, literalmente, ficarem expostos ao ridículo. Aconteceu quarta-feira, 7, quando uma sessão ordinária – onde em tese devem ser debatidos problemas de interesse maior do Estado mas nas quais, comumente, são tratados temas provincianos muitas vezes para agradar vereadores e prefeitos que estejam na galeria.
Bom, sejamos honestos, o que aconteceu quarta-feira ocorre continuamente na atual legislatura, onde pessoas são convidadas para se apresentar em comissões técnicas ou para audiências públicas, cujos resultados práticos são questionáveis e já há apostas se os “nobres” continuarão na mesma disposição ano que vem, quando alguns serão candidatos a prefeitos e os demais terão de apoiar candidatos já de olho em 2018 – mas aí muitas coisas que fazem hoje serão colocadas de lado numa espécie de recesso branco, pago, claro, pelo contribuinte.
Quarta-feira uma sessão ordinária foi transformada em “Comissão Geral”, porque o deputado Jesuíno Boabaid convocou os dirigentes da Fundação Palácio das Artes, com base em denúncias que havia recebido com relação ao uso do “Palácio”, mas se tem um pouco de auto-crítica o deputado, sem dúvida fazendo um bom trabalho, deve ter notado que, confiando sabe lá em quem, perdeu tempo, fez o contribuinte gastar dinheiro e fez com que dois servidores públicos que bem poderiam estar cumprindo suas obrigações profissionais acabaram tendo de colocar tudo de lado para serem interrogados na Assembleia.
O que se viu ali foram perguntas sem um nexo, feitas, pelos demais deputados e apenas uma colocação coerente, a do deputado Adelino Follador citando que pelo fato da Fundação não ter recursos próprios se queimar uma lâmpada, para comprar outra é necessário um enorme exercício burocrático.
Um dos problemas citados foi aquele, levantado por um grupo de empresários evangélicos que foram buscar apoio no presidente da Assembleia Legislativa, alegando que apresentações evangélicas não estavam sendo permitidas ali. Faltou, principalmente ao deputado Cleiton Roque, antes de insistir, dar uma olhada na Resolução que regulamenta o uso do “Palácio” onde, por exemplo, por ser música popular, é permitida apresentação gospel, mas não o que queriam aqueles empresários – um deles que fatura com a vinda de cantores gospel – que era a cessão para cultos.
Mas ninguém se iluda: de tudo a “bancada evangélica” na Assembleia Legislativa certamente vai querer tirar lucro, agora que já sabem que a Resolução impede cultos religiosos (e não só evangélicos), certamente vão tentar modificar o texto, o que exige, de outro lado, que entidades ligadas à cultura, em todas suas formas, estejam atentas para essa possível manobra que, se transformada em realidade, vai agredir a cultura mas alegrar setores do evangelismo que ainda sentem saudade do espaço que tinham no Cláudio Coutinh, e cujo uso como tal transformou o piso da quadra num local onde praticar esporte era totalmente impossível.
Considere-se dito!
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