Quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021 - 09h38

Mais um
aumento no preço dos combustíveis atiçou a imaginação dos analistas e provocou
profecias as mais desastradas. Teme-se que, a partir dai, desencadeie-se
intensa onda altista, que prejudique ainda mais a população e jogue para os
píncaros os preços de todos os gêneros. O que se observa, na realidade, é que a
sociedade vai caminhando para uma situação de pânico, a cada novo reajuste no
preço dos combustíveis ou toda vez em que são divulgados os números da
inflação.
Ajuda a
contribuir para esse sentimento a experiência anterior. Quando a sociedade já
conheceu outras medidas anti-inflacionárias e acabou por ver-se condenada a sofrer
ônus insuportáveis, parece natural que se mostre reservada quanto aos efeitos
de novas medidas. Afinal, é sempre mais fácil aprender na dor e, esta,
reconheça-se, não tem faltado para os brasileiros. Mesmo se a credibilidade
governamental se revela vigorosa, não é por demais manter reservas, pelas
razões já expostas.
Se, porém, à
natural desconfiança aliam-se outros fatores, ai então se estabelece uma
situação que não pode ser tratada com semelhante receita. É isso que a
sociedade parece estar sentindo, ou seja, certa perplexidade, porque a inflação
recalcitra e ao mesmo tempo certa suspeita a propósito de onde estão esses
fatores que complicam mais o quadro. O resultado de tudo isso todos conhecemos.
É hora de o governo, com a determinação que o tem caracterizado, procurar
identificar quais os reais beneficiários da inflação e como eles vêm agindo,
para tornar inócuo a iniciativa governamental de colocar ordem em nossa
economia. Assim, o combate à inflação terá êxito e a sociedade poderá respirar
aliviada.
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