Quarta-feira, 18 de abril de 2007 - 05h58
...Foram alijados do poder porque, decorridos dois anos, convenceu-se Roberto Sobrinho que tinha caído numa esparrela: competência ideológica não gera competência administrativa. Articulação e barulho de campanha não significa necessariamente preparo executivo e garantia de sucesso. Ariel e seu grupo não realizaram seu projeto de inclusão porque se mostraram administrativamente inaptos, desprovidos de visão organizacional, vacilantes na definição de metas de trabalho a curto, médio e longo prazo, ruins na implementação de ações práticas eficientes, péssimos na condução produtiva, coesa e estimulante da equipe de trabalho, inoperantes na consecução rápida de projetos e ineficientes frente à demanda de serviços e empreendimentos culturais a cargo da fundação de cultura. Ou seja, como ideólogos, sumidades; como administradores, um desastre. E não é só o Pierrot quem está afirmando isso, é o que fica claro da análise que o próprio prefeito faz da atuação do grupo de Ariel. Mas não é só isso. Não realizaram seu projeto porque o paradigma de inclusão do grupo é arcaico, ideologicamente puritano, patrulhesco, pré-perestroika, como já dissemos. Enquanto o Comandante Lula faz um esforço danado para compor uma base multipartidária, incluindo aí forças de todas as matizes, para dar sustentação ao governo, aqui o petismo arielesco quer praticar uma política de inclusão só com verdadeiramente pobres, genuinamente operários, verdadeiramente excluídos, originalmente famintos. Numa cidadela como esta, um grupo político ligado à cultura não pode, sob pena de soar basbaque, ostentar defasado puritanismo anti-capitalista, a ponto de separar radicalmente Madeira Festival (o Mal - na visão deles) do Festival dos Beradeiros (o Bem - na ótica deles), porque no fundo é tudo farinha do mesmo saco, só o socialismo de fundo de quintal não se dá conta. Sobrinho sacou a discrepância entre o que se praticava em Porto Velho e o estava sendo pregado em Brasília, e foi buscar um técnico experiente, capaz, bom articulador, professor de música, excelente negociador, inteligente, administrador qualificado, e o fez Presidente da Fundação Iaripuna. Por isso - respondendo outra pergunta - Ariel e sua turma não se mantiveram nos cargos, porque a leitura e prática política que utilizavam se mostraram esdrúxulas aos olhos do prefeito. Não basta a "esperteza" de citar Cazuza fora de foco. Ele tinha o direito de dizer que a burguesia fede porque era genialmente anarquista.
Fonte: Pierrot Apaixonado
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