Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 - 08h55
Por Humberto Pinho da Silva
Quando a escritora Isaura Correia Santos permaneceu em hospital privado, devido a acidente de viação, fui visita-la, quase todos os dias, e para meu espanto nunca fui interceptado pelos corredores, e nunca me pediram identificação à entrada.
Recentemente, devido a operação cirúrgica, estive internado durante dias num hospital. Amigos e familiares foram visitar-me. Ninguém teve necessidade de se identificar, à entrada, nem eu fui avisado se os queria receber.
Esse descuido, essa livre circulação, incomoda-me.
No meu caso tive muito gosto em receber as visitas, quase todas familiares, mas no caso de alguém indesejado quisesse visitar-me, entraria no quarto, mesmo sem eu querer, e sem força e disposição de o mandar retirar.
Permanecer o doente à mercê de todos que o queiram visitar ou até fazer-lhe mal, não me parece bem.
O hospitalizado encontra-se numa situação debilitada, incapaz, muitas vezes, sequer, de chamar a enfermeira.
Mais seguros encontram-se os que permanecem nas enfermarias. Têm horas de visita, e encontra-se na companhia de doentes, que rapidamente evitariam qualquer desmando.
Interrogo-me por que não é solicitado a identificação à entrada dos hospitais, e porque não se pede ao doente ou familiar próximo se está disposto a receber a visita.
Várias vezes assisto em filmes e novelas televisivas, actos indignos, praticados pelas visitas, e até intenções de provocar a morte do enfermo, que permanece acamado.
Se em ficção, esse comportamento é frequente, quem nos garante que na vida real não possam ser realizados?
Julgo que é dever dos hospitais, salvaguardar, os doentes, dessas visitas indesejadas, para bem dos que utilizam os serviços.
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