Sábado, 3 de outubro de 2009 - 21h09
Gafe de político existe desde que o homem surgiu, já que o homem sempre foi político por natureza. Mas existem momentos que as gafes ultrapassam e chegam à grosseria e falta de educação. Foi o caso recente das declarações do governador do estado de Mato Grosso do Sul, ao falar que o ministro do Meio Ambiente era maconheiro e que o comeria em praça pública, num fetiche de fazer inveja a qualquer homem que tenha preferência por homem.
Há afirmações na imprensa no sentido de que foi uma brincadeira. Se for verdade, foi de muito mau gosto. Mas brincadeira tem hora, local e oportunidade e nunca deve ser feita sobre certos temas, ainda mais esses recheados de preconceito. Mais grave é que não se trata de caso isolado, frases assim é café requentado no meio político; umas muito grosseiras, outras, apenas infelizes.
Paulo Maluf tem a sua marca maior ao fazer apelo aos bandidos, ao sugerir que “estuprassem, mas não matassem” suas vítimas, em mais uma demonstração absurda da rendição do Estado brasileiro com relação à marginalidade. Depois, afirmou que “professoras não ganham mal, são mal casadas”. Nada mais machista para uma sociedade onde virou praxe homens espancarem esposas e companheiras, cuja mentalidade se assemelha à do governador. Quércia afirmou que quebrara o estado de São Paulo, mas ficou satisfeito que fez seu sucessor. Essas são as campeãs.
O governador de Mato Grosso do Sul parece ao menos que ficaria no patamar sugerido por Maluf. Apenas o faria ao vivo para toda a plateia de Campo Grande e os sítios logo trariam as imagens ao Mundo.
Carlos Minc respondeu com mais ponderação e sintonia com a civilidade ao afirmar que ele deveria cuidar do “homossexualismo que existe dentro dele”. Ele seguiu uma visão de que muita aversão à homossexualidade alheia é utilizada por quem quer esconder a própria, mas nem nisso ele foi pioneiro. O cantor Pepeu Gomes já registrou em verso e prosa de que ser um homem feminino, não fere o lado masculino. Embora referisse apenas a si, ela serve para todo homem livre de preconceito e seguro na sua sexualidade, seja qual for a sua orientação. Na gestão pública a sexualidade não tem a menor importância. O caráter, sim, é relevante. E com este, poucos políticos nem se preocupam nem procuram se aperfeiçoar.
Já o governador, pelo cargo público que exerce, deveria utilizar frases mais felizes, seguidas de ações para combater qualquer preconceito e o uso de drogas. Esses problemas são graves e não devem ser tratados com brincadeiras, pois se não agravam, elas estimulam a xenofobia. E fica a sugestão ao governador para seguir o conselho do ministro, caso tenha usado seu machismo verbal para esconder seu lado feminino. E que nunca mais brinque com coisa tão séria.
Fonte: Pedro Cardoso da Costa
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