Terça-feira, 29 de setembro de 2009 - 20h42
Prof Rosildo Barcellos
Lembrando que a lei 9503 que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) foi publicada em 24 de setembro de 1997; a analogia permite-nos inferir que a referida lei está entrando na adolescência. Evidentemente como todo adolescente, é incompreendido por seus familiares, e por vezes até pela sociedade como um todo. No mesmo norte, com o Código(CTB) acontece o mesmo : é notório perceber que a sociedade ainda não respeita suas regras e diretrizes, mesmo após 12 anos de que foi publicado. Hoje, evidentemente já não sou adolescente todavia minha intenção continua marcada indelével e firme e enraizada no mesmo propósito: é [nada menos!] que mudar o mundo, e uma vez que isso aconteça,talvez não haja mais razão para que eu exista. Entretanto, percebo que mesmo depois de tantos anos e guardada as devidas proporções; as razões para que se tente consertar o mundo continuam eloqüentes em meu ser e toda essa messe enorme de agressões, que invade, sufoca e constrange o ser humano, o qual, profanado em todos os seus valores mais fundamentais, duramente castigado , entendo o motivo de alguns passarem a agir irascível e irado fazendo com que muitos de nós se afastem uns dos outros esquecendo que apenas a união faz a força.
Por conseguinte,esses anos todos que me afastam de minha adolescência fazem entender que desacompanhadas de processos educativos , as punições, na sua essência, infelizmente, constituem também uma hostilidade, uma resposta raivosa do meio, e das pessoas inconformadas com a violência, mas que não a sana, proporcionando, ao longo do tempo, como provado está, o seu agravamento. Isso sinópticamente me faz escrever sempre pensando na educação e na cultura. Nessa Semana Nacional de Trânsito estive ministrando várias palestras em escolas, centros comunitários,agentes de fiscalização de trânsito e atividades de prevenção de acidentes e um tema em todas elas foi novamente destacado: o transportes de menores.Infelizmente até pela prática que eu tenho , posso assegurar que a maioria das crianças são transportadas de maneira inadequada nos veículos que trafegam nas vias urbanas e rurais de nosso país,o que demonstra claramente o nível de negligência dos pais ou no mínimo da desinformação destes.
O que mais observo são pais levando crianças, no colo, no banco da frente ou deitadas no banco traseiro, correndo risco de serem arremessadas para fora do veículo em uma freada brusca. No Brasil o trânsito é a principal causa de mortes por acidente de crianças entre 1 e 14 anos, com média de 6 óbitos por dia, conforme dados do do DataSUS). Evidentemente um fator que auxilia nessa estatística é o próprio pai ou mãe.Cada vez mais estes posuem uma escala de valores distorcida. Gastam em equipamentos para o carro, como aparelhos de som, rodas, vidros e travas elétricas, mas consideram o preço das cadeiras muito alto e escolhem por não a adquirirem. O uso adequado das cadeirinhas – que desde 25 de março devem ter obrigatoriamente certificação do Inmetro e cujo uso a partir de 9 de junho de 2010 será obrigatório(conforme preconiza a Resolução 277 do Contran) – reduz em até 71% o risco de morte.Ressalto,outrossim, que mais do que ter uma cadeira é preciso usá-la de forma adequada conforme a idade e o tamanho da criança para que seu uso seja realmente eficiente porque,por exemplo uma criança de 10 quilos em uma colisão a 50 quilômetros por hora chega a ter impacto equivalente a meia tonelada quando lançada para frente.
Por derradeiro assim que entrar em vigência,a sobredita norma; o transporte de crianças fora dos padrões estabelecidos pela resolução supramencionada será enquadrado como infração gravíssima, com multa de R$ 191,54 e retenção do veículo até o problema ser sanado. A obrigação não vale para veículos acima de 3,5 toneladas (como caminhões), de transporte coletivo, táxis e escolares. Mas um pai não precisa de autuação pra lembrar da segurança de sua prole...precisa?
*articulista
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