Terça-feira, 30 de março de 2010 - 13h14
Prof. Diogo Tobias Filho*
Finalmente, Ivo Cassol toma uma atitude que agradará todos os funcionários públicos que trabalham com sofreguidão e sofrem no bolso o maior arrocho salarial da história de Rondônia depois do famigerado governo de Oswaldo Pianna: o flagelo da educação deixa o comando do executivo para se candidatar ao Senado. Capitaneados pelos trabalhadores da educação, o momento da saída não poderia ser mais conturbado com professores e os funcionários de apoio em greve, saliente-se, deveras justa, em virtude da situação de miséria que perpassa a classe, tendo que recorrer aos empréstimos descontados em folha na ilusão de sanar as agruras pela sobrevivência, agravadas desmesuradamente nos dois mandatos do Sr. Ivo Cassol.
Para os educadores, excetuando-se os nababos dos cargos de confiança que estão longe da sala de aula, Ivo Cassol já vai tarde. Que sua partida não seja sinônimo apenas de um “até breve” e se consolide num irreversível “adeus” no comando do executivo. Apesar do título de “doutor honoris causa”, o flagelo da educação não é lá esta maravilha, mormente se achar expert em administração pública. Uma análise acurada do seu governo mostra claramente que, diferente dos seus antecessores, herdou de José Bianco uma máquina mais equilibrada dentro do contexto de crescimento econômico e controle fiscal do país nos anos de FHC. Bianco “pagou o pato” e Cassol levou a boa-fama de uma herança que não lhe pertencia. Ainda teve a sorte de Rondônia receber a maior injeção de dinheiro do Governo Lula em obras do PAC.
No âmbito de uma carga de impostos sufocante, entendo sua administração como fraca, pífia. Nenhum projeto de vulto na segurança, saúde em coma, apenas se dedicou a distribuir feijão, construir prédios do Idaron, jogar futebol com seu staff de pernas-de-pau e assentar camadas de piche em alguns parcos estradões de barro onde existe concentrações de votos. Criou com o dinheiro público uma teia de cargos para lhe servir de base, acomodando seus arrogantes cabos eleitorais, independente do quesito competência. A educação foi praticamente aniquilada durante sete anos sem alvissareiros avanços, nenhum projeto nobre, nada além do que esbanjamento de dinheiro público num hotel de luxo da capital em cursos inócuos. É lastimável para uma legião de homens e mulheres portadores de diplomas, ostentando os títulos de professor e técnico, perder sucessivas batalhas numa guerra de feijão e piche contra o império cassolista.
Entretanto, como não há bem que sempre dure e nem mal que nunca se acabe, grande parte do funcionalismo público renova a partir de abril, suas exíguas esperanças, perdidas em razão do arrocho salarial, das humilhações e sucedâneos porque o que recebem não lhes dá um sustento digno como tipifica a cidadania social.
Oxalá, a cena final desta administração marcada pelo conflito dos desiguais, entre a nobreza da roça e camadas proletárias urbanas, resuma-se no cortejo do Sr. Ivo Cassol e seus áulicos, numa chegada suntuosa à dócil e subserviente Assembléia Legislativa, destacada pela fila indiana de carros importados, na frente dos quais rugirão raivosamente centenas de professores e funcionários de apoio, gritando emocionados como palavras de ordem: “adeus, flagelo da educação!”
*O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná – (Email: [email protected] / BLOG: digtobfilho.blogspot.com)
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