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O Brasil que se acostumou a endeusar corruptos


Por Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Por Valdemir Caldas

Embora uma boa parte da população brasileira não consiga perceber, o fato é que há uma relação de causa e efeito claramente identificável entre as mazelas sociais de que padece e a corrupção sistêmica alimentada, por exemplo, por alguns de seus representes nos mais diferentes escalões da República. Isso tem ficado cada vez mais claro, em função das investigações e operações deflagradas pela Polícia Federal, frequentemente divulgadas pela imprensa, envolvendo desvios de comportamento ético dos que se acostumaram a meter suas mãos sujas nos dinheiros públicos, abroquelados na certeza da impunidade reinante.

Mas nem tudo está perdido. É gratificante saber que ainda existem pessoas sérias, integras, comprometidas com a moralidade no trato dos negócios públicos e, principalmente, cheias amor e respeito pelo próximo, sentimentos cada vez mais escassos nos dias que correm, como ficou evidente em recente matéria postada no jornal eletrônico Tudo Rondônia em que servidores de uma unidade de saúde de Porto Velho pedem o retorno da diretora ao cargo, justificando que ela “exercia suas funções de maneira exemplar”.

Com políticos e autoridades públicas cuidando primordialmente de seus próprios interesses, o que menos importa é a existência de pessoas sérias como a diretora da reportagem. Para esses, o que vale mesmo é manter as porteiras da corrupção escancaradas enquanto se lançam na empreitada de turvar a mente de incautos eleitores quanto às suas práticas ilícitas. Exemplo disso pode ser observado na tramitação da reforma tributária, transformada em instrumento de barganha, antes mesmo de chegar à Câmara dos Deputados. E não adianta o presidente Lula querer dar uma de durão. Ou ele entrega ministérios aos “aliados”, ou, então, o tão sonhado arcabouço fiscal vai acabar esquecido numa dessas gavetas da burocracia oficial.

E o pior é que as figurinhas carimbadas ainda têm a cara de pau de aparecer na televisão negando a existência do toma-lá-dá-cá, achando que todo mundo é idiota, e não conhece esse velho traço característico que permeia a conduta de boa parte dos políticos brasileiros, evidenciando completa irresponsabilidade e descomprometimento com os legítimos interesses da Nação. Essa turma deveria se espelhar na conduta da diretora exonerada, cujos colegas de trabalho pedem o seu retorno.   

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