Segunda-feira, 8 de dezembro de 2008 - 21h03
Dom Aloísio Roque Oppermann
Uma das maiores fraquezas da nossa civilização é a visão amputada do ser humano. Parece um paradoxo. A época dos fortes humanismos e dos antropocentrismos absolutos,é também uma época de abissais angústias de identidade humana. A amnésia do seu aspecto divino conduz, de modo inexorável, ao rebaixamento antropológico. Os valores do homem são reduzidos a uma parcela ínfima da natureza, ou a um elemento anônimo da cidade humana. É o abismo irrefreável para o qual o humanismo ateu o faz escorregar. Esse é o drama do homem, destituído de uma dimensão essencial de seu ser, que é o absoluto. A afirmação primordial da antropologia cristã é a de ser ele filho de Deus. O ser humano "é uno, único e irrepetível, alguém eternamente idealizado, e eternamente escolhido, alguém chamado e denominado por seu nome" (Mensagem de Natal de 1978, João Paulo II).
O homem avaliado apenas numa visão econômica, biológica ou psíquica, é muito pouco reconhecimento para tamanha grandeza. A Igreja recebeu de seu Mestre o dever de proclamar os tesouros do ser humano, sem se deixar contaminar por humanismos reducionistas, depositando uma confiança sem fim na mensagem de Jesus. Já dizia Santo Irineu, pelos anos de 180 d.C. que "a glória do homem é Deus, mas o receptáculo de toda a acão de Deus, de sua sabedoria é o homem" (Adversus haereses, L III, 20).
Neste Natal queremos anunciar sem ambigüidades, a grandeza do homem, revelada por Jesus. E isso provém de seu conhecimento, porque ele "sabia o que havia no homem" (Jo 2, 25). Natal, sim, é a festa do Deus-menino. Mas também é a festa do homem. Levantando nossos olhos para essa criança, nós a adoramos, mas também vislumbramos em sua natureza, a grandeza da humanidade. Isso constitui o fundamento do ensino da Igreja sobre as atividades sociais e humanitárias. Assim o homem não fica submisso a processos econômicos ou políticos, por mais geniais que pareçam ser, mas esses processos estão todos ordenados ao ser humano, e submissos ao seu bem.
Fonte: CNBB
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