Sexta-feira, 10 de abril de 2015 - 06h10

Jullyane Saldanha
Monteiro de Souza
Certamente, neste artigo posso estar tocando em um vespeiro. Entendo que certamente, este assunto é digno de discussão pela repercussão que o caso obteve. Certo é que como brasileiros, temos o devido respeito a Constituição Federal , a nossa legislação maior e que ela nos garante a liberdade de crença religiosa, o direito ao livre exercício de cultos, aos locais aonde são exercidos e sua liturgia,além da ampla proteção referente a sua inviolável liberdade de consciência, o que em resumo disponibiliza a certeza de que o Brasil é oficialmente um Estado Laico.
Certamente que imiscuir Estado e Religião, não teremos uma certeza de resolução rápida e eficiente. As pessoas, com suas convicções religiosas, bem como as instituições que representam, sempre exerceram influência na organização da sociedade. E desta feita, o Deputado Federal Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos,eleito pelo PSOL/RJ com 49831 votos, e através da PEC DOS APÓSTOLOS (PEC 12/2015), pretende criar uma discussão sobre um tema que, mal foi apresentado, já recebeu duras críticas e inclusive ameaças de expulsão do partido, por propor a mudança do texto do artigo primeiro da Carta Magna de “Todo poder emana do povo” para “Todo poder emana de Deus”.
Em nota oficial o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) reafirmou a defesa dos princípios de respeito à diversidade e da manutenção intransigente da laicidade do Estado, sem vinculação ou submissão a qualquer manifestação religiosa, e da defesa das liberdades conquistadas e consolidadas na Constituição Federal de 1988. São elas que nos garantem a livre expressão do pensamento e nos abrem os horizontes para o desenvolvimento. Obviamente, uma das certezas que temos é que a religiosidade do povo brasileiro, e independente de ser católica, evangélica ou espírita, não há dúvidas de que ela é arraigada, verdadeira, pujante e deve auxiliar apromover no Brasil a continuação da luta pela igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade sustentável e comprometida com a solução pacífica das controvérsias.
Com certeza a proposta, não visa diminuir as conquistas do povo ao longo da história e sim motivarmo-nos em discutir muitos outros assuntos que pesam no nosso cotidiano (até porque a nossa fé, nem o amor que temos, precisam ser discutidos) e procurar os reais desafios para a nossa sociedade que clama por redução na corrupção, na taxa de juros, no consumo racional da energia, atuando com responsabilidade social, visando aumento da oferta de emprego e nos mecanismos que possam proporcionar a convivência em uma sociedade, com amor ao próximo e cheia de oportunidades.
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