Terça-feira, 27 de setembro de 2016 - 06h10
Na entrevista coletiva sobre a operação deflagrada ontem, e que resultou na prisão do ex-ministro Antonio Pallocci, os porta-vozes da Lava Jato disseram, de raspão, possuir planilhas da construtora Odebrecht sobre o pagamento de propinas por obras realizadas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e em outras unidades da federação.
O delegado Filipe Pace disse, e talvez tenha se arrependido, estar “documentalmente provado” que Marcelo Odebrecht coordenou o pagamento de propinas relacionadas com várias obras federais e estaduais, citando, entre elas, obras para o metrô de São Paulo, para a Companhia de Transportes Urbanos de São Paulo, para coleta e tratamento de lixo em São Paulo, além da reforma do aeroporto Santos Dumont, obras no autódromo de Jacarepagá e de piscinas olímpicas para os Jogos Panamericanos do Rio, entre outras tantas.
Estas ilicitudes, entretanto, estão vinculadas a governos do PSDB, no caso de São Paulo, e do PMDB, no caso do Rio. Quando a repórter da CBN perguntou sobre os agentes identificados como recebedores destas propinas relacionadas a estes contratos, ele citou o nome de “bagrinhos”, funcionários desconhecidos que certamente não são os verdadeiros beneficiários. Tergiversou.
Estes casos não interessaram à Lava Jato. Afinal, não envolvem “agentes políticos” do PT. Pallocci agora é a bola da vez e seu papel no esquema petista foi apontado como “mais relevante” que o do ex-ministro José Dirceu, até hoje sempre qualificado como o grande operador.
Tereza Cruvinel / Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
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