Domingo, 4 de março de 2018 - 21h44
O lançamento de Boulos reforça infelizmente a lógica de fragmentação na esquerda. Nada contra Boulos, um jovem ativista do movimento social em SP. O PSOL terá um candidato que tenta ir além das fronteiras de seu partido. Boulos faz questão de explicitar sua proximidade com Lula, está de olho nos votos do Lulismo. Não guarda qualquer semelhança com a sectária Luciana Genro.
Lula, ao parabenizar num vídeo Boulos pela candidatura.....e Manuela, não faz por acaso. Demarca com Ciro, se coloca acima dos dois e ao mesmo tempo manda um recado claro. O PT vai sozinho, “muito bem obrigado”. Reforça o que já havia dito em sua entrevista à Folha.
André Singer na Folha ontem, ao analisar o quadro e a situação da esquerda, discorre sobre esta fragmentação concluindo que teremos uma eleição imprevisível e emocionante. Cita Lula ou um candidato do PT, Ciro e Boulos. Não cita Manuela nem o PSB. Preconceito? Esquecimento?
O PT, “embebecido” pela pesquisa que apontou a possibilidade de grande capacidade de transferência de Lula, parece apostar num isolamento consciente. Parece considerar que sozinho vai ao segundo turno e que não fazer coligação nas eleições proporcionais é o melhor caminho para reforçar sua bancada.
Por mais que também viva hoje a fragmentação, a direita não costuma brincar. Na hora certa se unifica e move seus exércitos para um escolhido. Alckmin hoje parece o mais provável, mas suas fragilidades ainda não permitem cravar que será ele.
A esquerda lança um Manifesto Unificado num dia e se divide no outro. Aposta no improvável. Se nenhum fato novo ocorrer, esta parece a tendência. Tomara que dê certo.
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