Sábado, 19 de novembro de 2022 - 13h56

Um fiasco total. Assim se poderia
definir a 27ª Conferência do Clima, organizada pelas Nações Unidas, realizada
no Egito, e que termina neste final de semana. Uma das prioridades desta
Conferência seria a necessidade de agir e transformar as promessas e anúncios
feitos nas conferências anteriores, em resultados e ações concretas. Com essa
intenção o lema adotado foi “Juntos para a implementação”.
Muitos estavam céticos de que
esta reunião, com a participação dos mandatários de 196 países, pudesse chegar
a resultados promissores na direção de conter as emissões de gases de efeito
estufa (GEE’s), produzida pelo tipo de energético que consumimos e pelas
diversas atividades humanas realizadas. Principalmente pelo uso crescente dos
combustíveis fósseis, o petróleo como centro do maior problema atual da
humanidade.
Infelizmente os céticos tiveram
razão. A indústria dos combustíveis fósseis venceu mais uma vez, tendo à frente
a indústria petrolífera. Nada ficou estabelecido em relação a um cronograma de
redução da produção/consumo destes energéticos que contribuem com mais de 75%
de todas as emissões de GEE’s.
O documento final, ora em
discussão, deixou de fora o ponto essencial para diminuir a crescente emissão
de CO2, e assim evitar um aumento da temperatura acordada no Acordo
de Paris. A urgentíssima necessidade de reduzir a participação dos combustíveis
fósseis na matriz energética mundial, ficou de fora, apesar da ciência
reconhecer os prejuízos causados por estes energéticos, e elegê-los como o
grande vilão do aquecimento global.
Como amplamente anunciado pela
imprensa nacional e mundial, os “lobistas do petróleo” compareceram
massivamente nesta conferência, batendo os recordes das reuniões anteriores.
Foram mais de 600 pessoas “infiltradas” nas diversas delegações que impediram
avanços na definição de um cronograma, mais que urgente, para a redução da
produção/consumo do petróleo, gás e carvão.
Não tem nenhuma possibilidade de
êxito nas próximas reuniões para discutir o clima, com a presença das grandes
empresas de combustíveis fósseis. São interesses completamente antagônicos,
diametralmente opostos aos que estão em jogo. A vida e a morte se opõem neste
tabuleiro, em que os interesses econômicos estão acima de qualquer outro
interesse, inclusive da vida em nosso planeta. E o poderio dos “lobistas do
petróleo” acabam dificultando as soluções adequadas para o tamanho do problema.
O histórico das empresas de
combustíveis fósseis é no mínimo criminoso. Já na década de 80, do século
passado, propagandeavam mensagens negacionistas em relação ao clima. Campanhas
de desinformação, propaganda e lobby, envolvendo vários bilhões de dólares,
tiveram o objetivo de retardar ações de enfrentamento, confundindo não só o
público em geral, mas também os legisladores sobre a crise climática, suas
causas e soluções. Um “modus operandi” semelhante ao que a indústria tabagista
também adotou.
Em relação às promessas não
cumpridas, acordado na COP15 realizada em 2009, em Copenhague foi a criação de
um fundo de US$ 100 bilhões. Os países ricos se comprometeram, a partir de
2020, a depositar anualmente esta quantia para financiar as indenizações aos
países de baixa renda na adaptação aos efeitos devastadores do clima. Até na
COP27 ainda se espera o cumprimento desta promessa, mas nada indica que estes
valores serão atingidos. Muito menos o que avalia os ambientalistas, valores na
faixa de trilhões de dólares.
Segundo relatório da ONU os
prejuízos causados pelos eventos climáticos extremos estão calculados acima dos
US $200 bilhões, e o que se tem em caixa são US $300 milhões de dólares. Uma
proposta da ONU seria a corretíssima cobrança de um imposto junto às
petroleiras, que serviria para indenizar as “perdas e danos” dos países pobres.
Além de banir os lobistas das
energias fósseis das reuniões do clima, de impor um imposto para estas
“empresas da morte”; outro ponto fundamental para as próximas reuniões do clima
é a participação da sociedade civil organizada nas reuniões e nas decisões que
oficializam os compromissos assumidos.
O planeta é um só, e a luta para
conter o desastre anunciado é de responsabilidade de todos seus habitantes, e
não somente dos governos e seus representantes. Assim, acredito que se poderia
reduzir em muito o descompasso entre o discurso e a ação clamada pelos 8
bilhões de moradores, caso tais reuniões incorporassem os principais atores,
NÓS.
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