Porto Velho (RO) sexta-feira, 5 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Coração pode afastar Temer do poder - Por Alex Solnik


Gente de Opinião

  Não é a primeira vez que, em situações de crise política governantes do Brasil adoecem, de fato ou como pretexto para saírem de cena e em episódios sobre os quais pairam as sombras de um elenco de dúvidas, como aconteceu com Temer, que acusou entupimento nas artérias – é o que se sabe até agora - precisará fazer cateterismo, segundo a TV Globo. 

   Em 1955, o sucessor provisório de Getúlio, Café Filho baixou hospital – também coração - quando esquentou a crise da posse de Juscelino, estando a classe política dividida entre os golpistas, que tentavam impedir sua posse (Carlos Lacerda) e os legalistas (General Lott). Seus detratores garantem que foi uma estratégia para sair de cena por alguns dias. No entanto, ao tentar voltar, depois de receber alta, foi impedido pelo general Lott que o acusou de golpista - e ainda o condenou a prisão domiciliar. Aquilo se chamava democracia, mas o ministro da Guerra tinha a prerrogativa de prender o vice-presidente da República.

   Café Filho recorreu ao STF que respondeu o seguinte: como a constituição não define os procedimentos em caso de doença do presidente da República, o Supremo não tem o direito de se pronunciar e sim o Presidente da República e o Congresso Nacional.

   O presidente (então Nereu Ramos) e o Congresso decidiram pelo afastamento de Café Filho e ele foi derrubado.

   Costa e Silva teve um derrame cerebral em 1969, uma semana antes da data em que assinaria uma emenda constitucional que derrubaria o AI-5, que ele próprio decretou em 13 de dezembro de 1968, provavelmente não suportou a pressão dos militares da linha dura que pediam o endurecimento do regime.

   A doença de Tancredo Neves, também pouco esclarecida, como as demais doenças presidenciais ocorreu em outro momento crítico, a passagem de bastão de um ditador militar para um presidente civil.

   Temer está extremamente pressionado, o que justifica a repercussão no órgão mais sensível do corpo, o coração, mas pode ser também uma boa forma de sair de cena – sem renunciar, nem ser afastado.

Gente de Opinião

Alex Solnik  /  Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos

Gente de OpiniãoSexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Saúde estadual – a tragédia anunciada

Saúde estadual – a tragédia anunciada

A crise que se instalou no sistema de saúde de Rondônia é mais antiga do que o Código de Hamurabi. Lembro-me que, em outubro de 1994, matéria do ext

Alemanha perde para Portugal a corrida ao Conselho de Segurança da ONU

Alemanha perde para Portugal a corrida ao Conselho de Segurança da ONU

Parabéns a Portugal e a Paulo Rangel pelo sucesso da eleiçãoPortugal conseguiu um lugar como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU

Cai N’Água: Uma História de Amor Não Correspondido

Cai N’Água: Uma História de Amor Não Correspondido

O Cai N’Água continua sendo cantado pela boemia como se fosse um altar romântico da vida ribeirinha. Mas basta chegar perto para perceber que o enca

A cantilena demagógica da transposição

A cantilena demagógica da transposição

Não sei você, mas eu não suporto mais ouvir essa conversa mole de transposição de servidores do ex-Território de Rondônia para os quadros da União.

Gente de Opinião Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)